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Em meados dos anos 90, a influência grunge começou a perder sua força, ícones e espaço na mídia. Kurt Cobain se suicida, Laney Staley se desintegra nas drogas, o Soundgarden se desfaz e as camisas de flanela, emblema de um “movimento”, pouco a pouco vão sendo guardadas e depositadas nos armários de jovens americanos e de todo mundo. Porém, em Nova York, mas precisamente na Escola de Artes Cênicas, Julliard School, dois aspirantes a atores se encontram. São eles: Dimitri Coats – filho de um professor de física e de uma mãe polonesa, nascido e criado entre viagens a Europa e cidades da costa leste americana –, e Melaine Campbell – nascida e criada em Dallas, Texas –, e pretendente a bailarina profissional, aluna da Hartford Ballet. Em Julliard estudam Shakespeare e outros clássicos da literatura, ensaiam sem parar e utilizam uma infinidade de “aditivos”, naturais e sintéticos, de toda procedência a fim de testar seus impulsos em busca de expressão e fruições artísticas profundas, seja lá o que isso quer dizer. Rapidamente se apaixonam e percebem a obsessão mútua por música e a afinidade de gosto por bandas. Beatles, Kinks, Black Sabbath, Stooges, MC5, Nirvana e Sonic Youth, são os ingredientes básicos que vão sendo adicionados aos experimentos sonoros de Dimitri. Juntos deixam a Julliard School, e num rompante confuso e pós-adolescente seguem em busca de mais liberdade para a vida a dois que se inicia. Transposição de regras, aventuras libertinas, viagens narcóticas fazem os dois popmbinhos se tacarem nas estradas da vida, a procura de um lugar barato o bastante para que pudessem guardar os discos de vinil de Dimitri, instrumentos musicais e os gatos do casal.
Estamos em 1997. Início de uma trajetória incerta de mais uma banda alternativa americana. Até então, a futura “baixista mais quente da cena” não tinha a mínima idéia do que seria tocar um instrumento musical. Em uma rápida e mal intencionada visita à casa de seus pais, ela decide roubar a guitarra e um amplificador de seu irmão e compra seu primeiro baixo. Alimentada pelo sonhador Coats, Melanie começa a aprender a tocar o instrumento, a fim de poder acompanhar as músicas do namorado. Centenas de devaneios melódicos e impulsos criativos depois, começam a alinhavar o sonho mútuo de rodar o mundo em cima de palcos mambembes e se atochar em clubes cavernosos da Europa e dos EUA. Começam a partir daí uma peregrinação “kerouaquiana”, cujo autor de On the Road ficaria orgulhoso. Sua influência nômade e libertária pelas estradas norte americanas é posta em prática literalmente pela dupla.
Partem de Nova York rumo a São Francisco. A cosmopolita cidade californiana, porém, não é compatível com os bolsos furados do casal. Decidem então se instalar em Portland, no estado do Oregon. Mas ainda não é tempo de satisfação e a cinzenta e industrial cidade é o estopim para uma crise depressiva de Dimitri e, uma subsequente tentativa de suicídio. Certos de que a chuvosa Portland não era o ambiente ideal, voltam para a costa leste e se instalam na cidade de Boston, no Maine, cidade onde Dimitri fora criado. Surpreendentemente, depois de dois meses, eles se cansam do lugar e partem para a Filadélfia. Instalam-se numa pequena casa e passam a divulgar no boca-a-boca seus próprios shows. As casas começam a encher e a banda começa a abrir shows de artistas famosos, como Marilyn Manson, Melvins e J. Mascis and the Fog. Em 1999 acertam a escolha do primeiro baterista oficial, Mike Ambs, e excursionam com os amigos do Delta 72, e com os, até então novatos, White Stripes.
Gravam seu primeiro disco num período de oito dias, desembolsando pífios cinco mil dólares, e em 2001 o lançam pelo selo indie de Chicago, File 13, propriedade de amigos que os dão uma força. A partir daí um sem número de inferninhos e clubes de pequeno porte os recebem para tocar, e a banda aproveita para vender discos no porta malas de sua decrépita van. Recrutam Jason Kourkounis, baterista do Hot Snakes, e assinam com a gravadora V2, depois de serem tentados por propostas de diversas grandes companhias, que relança em setembro de 2002, Fall of the Plastic Empire. O álbum, totalmente concebido e produzido numa garagem, tem cheiro e soa a combustão motora. O vocal urgente de Dimitri incendeia melodias punk/metal, numa sonoridade derivada da era Bleach do Nirvana, riffs sabbathianos e Stooges, tudo isso adicionado a uma atmosfera de cidades cinzentas, caos, fumaça e barulhos distorcidos por big muffs russos e wah wahs envenenados. Excursionam novamente por mais dois anos ininterruptos, acompanhando turnês de bandas consagradas mundialmente, como Queens of the Stone Age e Audioslave, além de percorrer a América através do festival itinerante Lollapalooza, em 2003.
Começam então a gravar o primeiro disco por uma grande gravadora e com um bom orçamento cobrindo as despesas. Escolhem George Drakoulias (Black Crowes) como produtor e investem pesado no Ocean Studios em Los Angeles. Estão prontos para estourar, e em cada show pela Europa e EUA a explosão inovadora do trio segue arrebatando fãs. Arranjos inovadores, combinações de diversos amplificadores e guitarras, experimentos mirabolantes para cada faixa do álbum. Músicas, uma a uma, lapidadas de acordo com a necessidade de cada melodia, ou seja, pianos, gaitas, baixo, batera e muitas guitarras são adicionadas. Amigos, como o cantor Mark Lanegan, aconselham Dimitri a não limitar suas influências, o que leva nosso aspirante ao trono de guitar hero deixar fluir suas inspirações musicais para as mais diversas vertentes, sem preocupações acerca da unicidade estética e sonora que o novo trabalho deveria ter. Diversidade musical era o lema da vez e um novo estilo de composição era testado. Grandes álbuns da história do pop/rock serviram de conceito, canções com estruturas bastante diferenciadas umas das outras faziam a cabeça de Dimitri, que buscava produzir canções aos moldes de clássicos, como Rubber Soul (Beatles), Let it Bleed (Rolling Stones) e Village Green Preservation Society (The Kinks). “Leave no Ashes”, no entanto, pega carona em sonoridades que vão de Nirvana a Oasis, Queens of the Stone Age a AC DC. Certamente foi um dos lançamentos menos observados do ano de 2004. No Brasil, então, pouquíssimas pessoas tiveram a oportunidade de ouvi-los. A gravadora que os contratou – V2 Records, que fechou as portas em 2006 –, resolveu abortá-los de sua linha de divulgação, propaganda e promoção e, após excursionar com a A Perfect Circle e, com os novos reis do metal, Mastodon, a banda entra em colapso, o casal se separa e o baterista Jason Kourkounis se retira da banda.
Não era o fim do jogo, mas sim, hora de lavar a roupa suja. O grupo aborta as turnês por quase um ano. Tempo suficiente, no entanto, para mais um impulso nômade. Instalado em Los Angeles, Dimitri começa a compor novas canções, fazer shows locais e batalhar com sua ex-gravadora o direito de receber uma boa grana, como parte do encerramento do contrato. Com o dinheiro ganho um novo disco é produzido e gravado por Dimitri, que se reconcilia com Melanie e recruta o baterista Pete Beeman para a mais nova etapa. Talvez pela frustração de ter batido na porta do sucesso e não ter sido reconhecida, como muitos de seus contemporâneos, em sua grande maioria inferiores musicalmente aos Burning Brides, o que se ouve no novo trabalho do trio é uma volta as raízes garageiras.
“Hang Love”, que já vazou na net, mas só será lançado em meados de junho, é menos criativo em sonoridades do que seu antecessor, “Leave no Ashes”. O disco tem uma produção menos polida e inventiva, assinada pelo próprio líder da banda Dimitri Coats, que investe em um som mais pesado, denso e, talvez por isso, infelizmente não leva a crer que a banda conseguirá sair do lamacento cenário alternativo norte-americano. O Burning Brides navega uma década antes da explosão de retomada grunge que deve desembocar em alguma década futura. Contratados por um pequeno selo, Modart Recordings, “Hang Love” será distribuído pela Caroline e aterrisa nas rádios com o bom single “Waring Street”. Os Burning Brides começam do zero novamente e, para os que não o conhecem, ainda há chance de correr atrás de seus discos anteriores em benditos programas como Soulseek e E-mule. Não perca tempo, procure pelos incansáveis nômades norte-americanos.
Acesse: www.myspace.com/burningbrides
Canadense, trinta e um anos, conhecida da cena indie internacional desde o final da década de 90, Feist lança seu terceiro e ótimo disco, “The Reminder”. Suas primeiras aparições no cenário musical datam de 1995. Nesta época a cantora que hoje empresta sua doce voz a melodias suaves, se estrebuchava atrás de pedestais e microfones de uma banda punk, da cidade de Calgary, chamada “Placebo”. Em 2000, cansada dos desgastes e inferninhos canadenses, a cantora resolveu recuperar os danos causados a sua voz e fez as malas para Paris.
Na inspiradora capital francesa a artista dividiu APs com a polêmica e sexualizada cantora canadense e, hoje, radicada em Berlim, Peaches e com o futuro produtor de seus dois últimos álbuns (“Let It Die” e “The Reminder”), Gonzáles. Os três se mudaram para Berlim, onde Peaches e Feist formaram uma banda chamada “Bitch Lap Lap”. Depois de dois anos na Alemanha e de participar dos álbuns, “Feel Good Lost” e “You Forgot It in People”, da banda canadense Broken Social Scene, Feast novamente se mudou para Paris, onde gravou seu segundo e aclamado álbum solo, “Let It Die”.
O Cd, que vendeu mais de quatrocentas mil cópias, já apresentava a rica combinação de jazz, bossa nova e indie rock, encontrada com mais profundidade e beleza em seu novo álbum, “The Reminder”. Lançado dia 23 de abril na Europa, o novo trabalho estreiou na décima sexta posição no principal chart da indústria fonográfica norte-americana, o Billboard 200, e catapulta a artista pra fora de seu metiê alternativo.
“The Reminder” é um álbum delicado, repleto de canções que soam misteriosamente melancólicas através da límpida e cortante voz de Feist. Diferente de seus dois álbuns anteriores, este projeto conta com a participação da artista na composição de praticamente todas as suas treze faixas, exceto em, “Sea Lion Woman”, que, diga-se de passagem, poderia ter sido limada sem quaisquer danos a obra. As deliciosas, "My Moon My Man" e "1234" – os dois primeiros singles escolhidos –, revelam a quietude minimalista e o despojamento da produção de Gonzáles.
Sem ligar a mínima para as doutrinas de sua originária cena indie, onde o raciocínio estreito leva a crer que qualquer ambição comercial é sacrilégio ou heresia, Feist realiza um álbum palatável, com pérolas pop capazes de fazer a alegria de DJs de boas FMs ao redor do mundo. Intimista como Charlotte Gainsbourg, exuberante como as recriações da banda francesa “Nouvelle Vague”, “The Reminder” navega entre a bossa nova, o folk e o minimalismo eletrônico, ou, o downtempo.
Canções de amor reverberam livremente através de seus vibratos potentes e linhas vocais seguras e claras. Nada disso credencia o álbum como um dos melhores do ano ou coisas do gênero. Apenas acalenta ouvidos e corações calejados e ansiosos por momentos de plena solitude e deleite musical.Confira: www.myspace.com/feist
* Amy Winehouse e Prince estão prestes a tecer colaborações musicais. Ontem a noite em seu show, no KOKO, em Londres, Prince, além de apresentar covers de Gnarls Barkley (Crazy), e hits como 'U Got The Look', 'Kiss', 'Cream' e 'Let's Go Crazy', entoou canções de Amy Winehouse, 'Love Is A Losing Game' e se declarou fã da nova diva. – Respeitem Amy Winehouse! Que voz! –, disse.
Sob efeito dos rumores acerca dos elogios e convites de Prince, Winehouse deixou claro sua ansiedade – Desmarco tudo o que tiver –, disse a cantora. Prince se prepara para uma série de 21 apresentações na novíssima casa de espetáculos inglesa O2 Arena. O cantor ainda rerspondeu às questões sobre a escolha de fazer suas apresentações no Reino Unido, afirmando que “Nada acontece na América!”. Chegue mais Mr. Purple Rain, e traga também a senhorita Winehouse. Aqui acontece um monte de coisa. Sanguessuga, mensalão, Papa Bento e muito mais! Emocionante.
* Os escoceses do The View, novo xodó da NME, mais uma vez tiveram que adiar suas pretensões de assaltar os ouvidos da garotada norte-america. O lider da banda, Kyle Falconer, teve seu visto negado pela embaixada dos EUA. A primeira tentativa da banda de tocar em solo americana, em fevereiro, também foi impedida, devido a posse de cocaina encontrada nas calças largas do moleque Kyle. Sim, o moleque gorducho, do alto de seus 20 anos, queria cruzar o atlântico e transportar consigo alguns papelotes de pó de mico.
Os outros integrantes, no entanto, negaram que o novo problema tenha rachado as estruturas da banda e Kyle disse que o grupo agradeceu pelos dias de folga. Rumores de que o baixista Keiren Webster teria se indisposto com Kyle também foram desmentidos. Webster lembrou, em entrevista, como conheceu Kyle nos tempos de colégio, em que o futuro cantor do the View era apenas mais um skatista que ouvia hip-hop. – Ele parecia um merda. Mas me apresentou o Oasis. A partir daí tudo começou – disse. A banda comandará o palco NME/Radio 1 no Reading Festival deste ano, que ocorre entre os dias 24 e 26 de agosto. Confira: www.myspace.com/dryburgh
* Fãs do My Chemical Romance e do Muse ameaçam dono de um café, na Virginia, EUA. Envenenados por conta de uma refeição, membros das duas bandas passaram mal e foram direto para o atendimento hospitalar. Diversas datas da turnê que as bandas faziam juntas nos EUA foram canceladas, depois do ocorrido – último dia 29 de abril.
Envenenamento por salmonelas, foi o diagnóstico apresentado para explicar os sintomas de febre, diarréia, dor de barriga, enjôo e vomitos. O dono do Green Leafe Café, na cidade de Williamsburg, Glenn Gormley, declarou que recebe desde então ameaças de morte por parte de fãs das bandas, que julgam o pequeno comerciante da Virginia como culpado, que acabou com a diversão da garotada. O caso está sendo investigado por oficiais de saúde do estado da Virginia.
* Turnê dos infernos e lançamento de single. Marilyn Manson e Slayer se reúnem, a partir de julho, para uma tour em conjunto nos EUA. O último trabalho do Slayer, “Christ Illusion”, lançado em meados do ano passado teve turnê promocional realizada no Brasil, no RJ e em SP. Já Marilyn Manson se prepara para o lançamento de “Eat Me, Drink Me”, previsto para sair dia 05 de junho, lá fora. O novo clipe de Manson caiu hoje na rede, o single “Heart Shaped Glasses” mostra a tendência mais pop do novo trabalho. O vídeo conta com a participação de sua namorada, Evan Rachell Wood, e mostra cenas iniciais de Manson fazendo sexo som sua princezinha gótica. O clipe foi dirigido pelo cineasta James Cameron (Titanic).
Confira: http://www.youtube.com/watch?v=14FxS5x8oFw
* As musicas do, “sem saco nenhum de esperar”, novo Cd dos Guns and Roses, “Chinese Democracy”, vazam na net há alguns anos, na grande maioria das vezes são demos fakes, apresentações ao vivo, trechos de canções e etc. Esta semana, porém, temos um “vazamento oficial”. Oh! Depois de treze anos de espera e orçamentos estratosféricos, cinco musicas masterizadas, mixadas, ou seja, prontas, caíram na rede. São elas: “The Blues,” “IRS,” “Madagascar,” “There Was a Time,” e “Chinese Democracy”. Agumas críticas pesadas e negativas já rondam a rede. Ponha o Soulseek para trabalhar!
* A voz de 2006, Cee-Lo Green, do Gnarls Barkley se prepara para uma empreitada no mundo dos negócios. O artista esta lançando sua própria gravadora, Radiculture, que sera distribuida pela Atlantic Records, e por sua vez, no Brasil, pela Warner. – Estou no mercado da música há muito tempo. Passei por momentos inesquecíveis e outros desapontadores. Estou ansioso para passer as lições que aprendi ao longo da Estrada – disse Cee-Lo a Rolling Stone.
* Chart Show:
Cds mais vendidos desta semana, no Reino Unido:
1. Arctic Monkeys - Favourite Worst Nightmare
2. Michael Buble - Call Me Irresponsible
3. Amy Winehouse - Back To Black
4. Mika - Life In Cartoon Motion
5. Mark Ronson – Version
6. Ne*Yo - Because Of You
7. Cascada - Everytime We Touch - The Album (All Around The World)
8. Avril Lavigne - The Best Damn Thing
9. Natasha Bedingfield – Nb
10. Nelly Furtado – Loose
Chart de singles (Reino Unido) apresenta colaboração de Shakira e Beyoncé em primeiro lugar. É a parada lá também não anda as mil maravilhas. Confira:
1. Beyonce & Shakira- 'Beautiful Liar'
2. Manic Street Preachers ft Nina Persson- 'Your Love Alone Is Not Enough'
3. Gym Class Heroes- 'Cupid's Chokehold'
4. Timbaland/ Furtado/ Timberlake- 'Give It To Me'
5. Avril Lavigne- 'Girlfriend'
6. Ne-Yo- 'Because Of You'
7. Mika- 'Love Today'
8. Mark Ronson ft D Merriweather- 'Stop Me'
9. Groove Armada- 'Get Down'
10. Hellogoodbye- 'Here (In Your Arms)'
NME apresenta novo single do Kaiser Chiefs na liderança. Confira a parade dos hypes:
1. Kaiser Chiefs - 'Everything Is Average Nowadays'
2. The Cribs - 'Men's Needs'
3. Biffy Clyro - 'Living Is A Problem Because Everything Dies'
4. Jack Penate - 'Spit At Stars'
5. Gallows - 'Abandon Ship'
6. Good Shoes - 'Morden'
7. The Twang -' Either Way'
8. The Maccabees - 'Precious Time'
9. The Pigeon Detectives - 'I'm Not Sorry'
10. The View - 'The Don'
* Dica de CDs da semana:
Marilyn Manson – “Eat Me, Drink Me” - www.myspace.com/marilynmanson
Grinderman – “Grinderman” - www.myspace.com/grinderman
Pop Levi – “The Return To Form Black Magick Party” - www.myspace.com/poplevi
The Veils – “Nux Vomica” – www.myspace.com/theveilsThe Noisettes – “Whats The Time Mr Wolf” - www.myspace.com/noisettesuk

*
The Horros cresce e aparece. A banda inglesa que faz um nervosa mistura de gótico com punk e pop anunciou que não participará mais como suporte a turnê do Black Rebel Motorcycle Club nos EUA. Os ingleses anunciaram sua própria turnê, que ocorrerá durante o mês de junho, para divulgação de seu primeiro Cd, “Strange Houses”, a ser lançado dia 15 de maio em território norte-americano. O debut dos horrendos está com audição completa disponível no myspace. Mais um artista sob a chancela NME a invadir terras Yankees, resta saber quem vai sobreviver. Arctic Monkeys, Kaiser Chiefs, Bloc Party, The Fratellis ou The Horrors?
Confira: www.myspace.com/thehorrors
* O New Order que se apresentou no final do ano passado no Brasil esqueceu de oficializar o fim da banda. Os veteranos, que se reinventaram depois da morte de Ian Curtis e o fim do Joy division, resolveram dar fim a seus mais de 20 anos de carreira. Durante uma entrevista para a rádio o baixista Peter Hook afirmou que o recente trabalho realizado ao lado de Perry Farrell , a banda Satellite Party, não seria encarado como um projeto paralelo. – Conversei com Perry e ele me disse ter ouvido a respeito do fim do New Order e por isso me convidou para tocar com eles –, ao final de seu palavrório Hook deixou escapar – Sim, eu e Bernard Summer não estamos mais trabalhando juntos – disse o novo baixista do Satellite Party.
* De acordo com Iggy Pop, Kurt Cobain teria lhe telefonado pouco antes de seu suicídio. O ex-líder do Nirvana queria marcar uma sessão de estúdio e traçava o desejo de uma colaboração artística com o velho iguana. Quando Iggy tentou retornar não obteve sucesso e uma das mais eletrizantes parcerias da história do rock não pode ser concretzada. – Ele me ligou uma vez as duas da manhã. Mas foi numa época em que eu estava velho o bastante para ir dormir às nove e meia. Quando não estou tocando fico sensível, por isso não atendi o telefone – disse Pop. – foi legal, pois era um grande musico e no auge de sua carreira e ele dizendo “Iggy aqui é o Kurt Cobain vamos entrar em estúdio”. Então ele deixou um número do Four Seasons em beverly hills. Depois disso toda vez que eu tentava retornar alguém dizia: “Mr. Cobain está na cama” ou “Não temos noticias dele há três dias” – disse Pop.
* Boa novas voltam a cercar os bastidores do Jesus and Mary Chain. Depois do show de retorno no Coachella Festival, no final de abril, na Califórnia, que contou com a presença da atriz Scarlet Johannson dando uma canja, rumores de que a banda se prepara para entrar em estúdio estão cada vez mais consistentes. O guitarrista da banda, William Reid, disse que pretende entrar em estúdio a partir de outubro, para iniciar as gravações de um novo álbum, a sair no início de 2008.
Filha do poeta e cantor francês Serge Gainsbourg e da atriz britânica Jane Birkin, a londrina Charlotte Gainsbourg foi criada estreitamente ligada aos encantos das artes cênicas e da música. Gravou seu primeiro álbum aos treze anos, “Charlotte Forever” (1986), inteiramente composto por seu pai. Dois anos antes fez o seu primeiro filme, "Paroles et musique" (1984), ganhou o Cesar Award de "Atriz revelação” pela sua participação no filme "L'éffrontée" (1986), e em 2000 voltou a ganhar o prêmio, desta vez de "Melhor atriz coadjuvante" no filme "La Bûche". Charlotte atuou também nos filmes “21 gramas”, “Lemming”, entre outros.
Agora em 2007, vinte anos depois de sua última incursão musical, chega tardiamente ao Brasil seu segundo disco, “5:55” (Warner). Lançado na França em agosto de 2006, este trabalho demorou mais de 6 meses para aportar por estas bandas – fato cada vez mais constante da nossa atrasada indústria, salve o Soulseek! –, assim como ocorreu com o novo trabalho da nova diva londrina Amy Winehouse, “Back to Black”, e com a moscovita, radicada em Nova Iorque, Regina Spektor que terá finalmente seu aclamado álbum “Begin to Hope” lançado por aqui.
“5:55” pode ser apontado sem erros como o disco mais delicado e sensual do ano. Produzido por Nigel Godrich – produtor e quase membro do Radiohead –, e com a colaboração do duo francês Air e de Jarvis Cocker, ex-Pulp, o novo trabalho realça a pequenez da voz de Charlotte. As letras ficaram a cargo dela e Neil Hannon; Nicolas Godin e Jean-Benoit Dunckel (Air) escreveram as canções e o compositor canadense e pai do artista Beck, David Campbell, ficou a cargo dos arranjos de cordas. Para completar o time, o percussionista nigeriano Tony Allen – eleito por Brian Eno como o “melhor músico do planeta” –, tratou de comandar a seção rítmica de “5:55”.
O vocal macio de Charlotte é um charme a ser desvendado por ouvidos sedentos e suscetíveis a sussurros europeus ao pé do ouvido. As canções alfas-numéricas que abrem o álbum, “5:55” e “af607105”, apresentam o ouvinte aos deliciosos trejeitos e particularidas vocais de Charlotte, dispostos à medida certa no decorrer de todas as faixas. Charlotte canta em inglês praticamente em todo álbum, no qual se destacam as faixas “Beauty Mark”, “Everything I Cannot See” e “The Operation”. “Tel Que Tu Es” é a única canção interpretada em francês.
Charlotte não é uma grande cantora, no que se refere à extensão vocal, mas sua ousadia se revela na maneira de interpretar as canções. No minimalismo de suas divisões métricas e melódicas. Seus falsetes ressaltam as nuances climáticas das canções, e a mixagem do disco expõe sua voz frontalmente ao nosso primeiro plano auditivo. Podemos escutar o arfar de seus pulmões no preparo para imergir em cada nova frase melódica. A textura e a estrutura de sua doce voz podem ser apreciadas e absorvidas com enorme clareza.
Sem soltar gogós como uma “soul-jazz woman”, seus encantos repousam na intimidade, na maciez e no aconchego melancólico de seus versos e sussurros. “5:55” é um álbum repleto de romantismo, reclusão e sensibilidade, além de contar com as mentes musicais mais modernas e atuantes do cenário.
Confira: www.myspace.com/charlottegainsbourg
CDs da semana:
Air – Pocket Symphony (2007)
James Morrison – Undiscovered (2007)
Jarvis Cocker – Jarvis (2006)
Eis que surge o novo rei da bizarrice. Libanês, 23 anos, magro e cabelos castanhos ondulados. Mica Penniman é o nome sugestivo do jovem, que se porpurinou para virar MIKA. Treinado por um profissional de ópera russo, seus trabalhos precedentes variavam entre apresentações de música clássica, no The Royal Opera House, em Londres, e produção de trilhas sonoras, para vôos da companhia aérea britânica British Airways.
Mika foi criado em Londres, morou em Paris durante boa parte de sua recente adolescência, e, a partir daí, o magrelo moçoilo decidiu ser star. Cobiçando abarcar o mundo da música pop com seus trejeitos e falsetes exagerados, Mika merece de fato o infame trocadilho, e paga muito mico ao tentar emular um Freddy Mercury sem vergonha e sem potencial artístico. Entre suas refrências musicais constam, além do líder do Queen, nomes como Elton John, Scissor Sisters e Robbie Willians.
Lançado no início deste ano, “Life In Cartoon Motion” recebeu instáveis críticas de veículos especializados em música, na Inglaterra e nos EUA. Entretanto, isto não impediu que o single “Grace Kelly”, lançado em janeiro, atingisse o topo dos charts de singles britânicos.
Sua sexualidade duvidosa não é comentada pelo artista, mas faixas como "Billy Brown", que trata de um homem que matêm um caso homossexual, não deixam muitas questões acerca das inclinações de Mr. Penni(s)man. A afetação do artista em apresentações ao vivo e sua dedicação ao apelo visual transbordam um universo que remete ao mundo-fantasia do cartoon, desenvolvido por sua irmã, para estampar a capa do Cd. O problema é que Mika e seus maneirismos cenográficos esbarram em um vazio constrangedor, justamente porque são expostos acima de sua música.
Os dois clipes postados abaixo são daqueles fortes candidatos a bizarrice do mondo pop contemporâneo. São filhos pródigos, da melhor linhagem, que a finada MTV selecionava em suas sessões trash, como Thin Lizzy, O Molejo e etc. Seu mundinho tiny toon encantado e colorido é escalafobético, no que há de pior nesta expressão: puro mau gosto e cafonalha. Confira o clipe e ria com Mika. O rapaz quer ser amado…Tomates nele!Confira:http://www.youtube.com/watch?v=CkGp72d0Ny0http://www.youtube.com/watch?v=uzA0nG_PurQ

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O deserto californiano pegou fogo! Ontem o Coachella Music and Arts Festival, em sua 8° edição, presenciou a enfurecida reunião do Rage Against the Machine, que com seu arroubo de explosão cega e raivosa comparou o governo americano ao regime nazista, além de afirmar, em seu único e inflamado diálogo com a platéia, que os governantes americanos deveriam levar um tiro como qualquer outro criminoso de guerra. A banda liderada por Zack de La Rocha, apesar do discurso trapalhão, fez um showzaço e fechou com chave de ouro o festival. Bons momentos também foram presenciados na sexta-feira, com a reunião do Jesus and Mary Chain, que contou com a participação da musa Scarlett Johannson no palco, cantando a música “Just Like Honey”, em noite captaneada por Bjork, que lança seu novo disco "Volta", e pelo Interpol, que já divulga canção nova na net: "The Heinrich Maneuver". Já no sábado quem deu as cartas foram os canadenses do Arcade Fire e os donos da casa Red Hot Chili Peppers. Arctic Monkeys, Klaxons, Cansei de Ser Sexy e LCD Soundsystem também fizeram a festa do público no Coachella Valley.
* Courtney Love irá colocar a venda e leiloar os pertences de Kurt Cobain. O dinheiro obtido será revertido para instituições de caridade. “Minha filha não precisa de uma mala cheia de camisas de flanela. Ela ficou com um sweater, uma guitarra e as letras de "Smells Like Teen Spirit", disse Courtney, que prepara o lançamento de seu segundo álbum solo, entitulado “Nobody`s Daughter”. A polêmica cantora afirmou que Kurt Cobain ainda é uma influência dominante em sua vida “Ainda durmo com os pijamas dele. Como posso estabelecer algum outro relacionamento se ainda durmo com seus pijamas”.
* Enquanto isso, o eterno ex-batera do Nirvana e líder do Foo Fighters, Dave Grohl, não pára de trabalhar nas sessões para o novo álbum da banda. “Estamos em estúdio a cerca de um mês e meio, e ainda teremos mais um mês de gravações. Estamos trabalhando com nosso amigo Gil Norton – produtor do segundo álbum de carreira dos foo Fighters, "The Color and the Shape" –. Ele é um cara muito bom e produz ótimos discos. Estamos fazendo um álbum poderoso, e mal posso esperar para subir no palco e tocar estas canções, vai ser o máximo”.
* Novo álbum de Paul McCartney será lançado dia 04 de junho. As 13 faixas do novo disco, entitulado “Memory Almost Full” começaram a ser produzidas antes das sessões de gravação de “Chaos and Creation in the Backyard” – último álbum de McCartney, lançado em 2005. Com produção de David Kahne, “Memory Almost Full” conta com treze faixas e sugere, pelo nome, o estado de saturação de nossos cérebros pelo bombardeio de informações da vida moderna. O álbum será lançado pela Hear Music, um selo criado em conjunto pelas gigantes Starbucks e Concord Music Group
Tracklist:
'Dance Tonight'
'Ever Present Past'
'See Your Sunshine'
'Only Mama Knows'
'You Tell Me'
'Mister Bellamy'
'Gratitude'
'Vintage Clothes'
'That Was Me'
'Feet In the Clouds'
'House Of Wax'
'End Of The End'
'Nod Your Head'
* A Rolling Stone divulgou uma curiosa lista essa semana, que contém os 25 artistas mais subestimados pelo mundo da música. De acordo com os profissionais da revista, Tom Waits encabeça a lista dos injustiçados. Confira e opine, que banda falta aí?
1. Tom Waits
2. The Replacements
3. Cheap Trick
4. Sonic Youth
5. Warren Zevon
6. Big Star
7. The Pharcyde
8. Roxy Music
9. Talking Heads
10. Bob Seger
11. The Hold Steady
12. Fugazi
13. The Cramps
14. The New York Dolls
15. The Band
16. The Cars
17. Pogues
18. Alice Cooper
19. Dinosaur Jr
20. Sleater-Kinney
21. Husker Du
22. Devo
23. Wilco
24. Tom Petty25. Ween
O The White Stripes está de volta. Depois de um período de recesso, em que o guitar hero Jack White esteve à frente de sua outra banda, The Ranconteurs, os ex-vermelho e branco voltaram aos estúdios para gravar as faixas que formam o sexto álbum de carreira da dupla.
O primeiro single é a faixa título “Icky Thump”, que vazou nesta madrugada na net depois de ter sido executada na rádio inglesa XFM. Páginas de myspace já foram criadas para que os fãs possam curtir a canção, e versões da faixa já navegam livremente em sites de compartilhamento de arquivos, como o Soulseek. “Icky Thump” tem data de lançamento prevista para dia 18 de junho, mas ainda não se sabe se a Warner Brasil será a plataforma de desembarque do disquinho por aqui.
A nova faixa, por sinal, é um petardo. A crueza e agressividade dos Stripes é eletrizante e mostra a diferença entre o trabalho produzido por Jack ao lado dos Raconteurs. Dizer qual banda é melhor seria uma ingênua covardia. Jack se dedica as duas igualmente e enquanto não decola com Meg White para os festivais europeus de verão, o incansável está enfiado em um estúdio de gravação, ao lado de Brendan Benson, para finalizar o segundo álbum dos Raconteurs – ainda sem previsão de lançamento.
Surgida em 2001, época em que banners promocionais de “Is This It” eram estampados em pontos de ônibus da zona sul carioca e anunciavam o novo salvador do Rock, a banda Strokes, os americanos do Black Rebel Motorcycle Club (BRMC) estavam à margem, obscurecidos pelo instantâneo e estrondoso sucesso comercial de seus contemporâneos.
Precursores da onda que viria a ser batizada de “novo rock”, ao lado do The Kings Of Leon e The White Stripes, os anticonvencionais californianos do BRMC atingiram seu maior status na Inglaterra – onde foram destaque do filme “9 Canções”, do cineasta inglês Michael Winterbotton (“Caminho para Guantanamo”), e colecionaram calorosos elogios de Noel Gallaguer, que, na época, chegou a afirmar que a banda era a única decente a fazer rock n`roll, e, portanto, seu mais novo xodó.
Descontadas as exacerbadas afirmações do falastrão líder dos Oasis, o BRMC constrói a cada lançamento uma carreira artística das mais sólidas. No vácuo deixado pelo hype a banda já acumula três Cds lançados, todos com alto prestígio e destaque pela mídia especializada. Com o lançamento de seu quarto trabalho, confirmado para dia primeiro de maio, o sucessor de “Howl” (2005), “Baby 81”, já é apontado como um dos grandes candidatos à pérola obscura do cenário alternativo.
Se “Howl” oferecia ao ouvinte um mar de influencias blues e gospel, em arranjos melancólicos, o novo trabalho retoma o caráter agressivo que os fez sair do anonimato. As belíssimas e introspectivas baladas folk dão espaço a guitarras envenenadas, esfumaçadas e urgentes. Os vocais divididos por Robert Levon Been (baixo) e Peter Hayes (guitarra) aparecem como coadjuvantes do emaranhado grotesco e belo das canções. A atmosfera caótica produzida pelo cortar de notas e solos assume o papel de destaque da obra, que conta também com baladas quase-ensolaradas, como “Windows”, “All You Do Is Talk” e “Killing The Lght”
Baseados na extravagante e colorida Los Angeles é no mínimo estranho observar a estrutura sonora e visual que estes americanos estampam. Influenciados por artistas ingleses, mais notadamente do período pré-gótico, como Jesus & Mary Chain, o que os diferencia de seus antecessores é justamente a energia mais agressiva, derivada de ancestrais do pré-punk, como o incendiário The Stooges e sua lenda imortal, o iguana Iggy Pop.
Em tempos de movimentos “abaixo Bush”, bandeira hasteada por militantes esquerdistas ou não, o BRMC retoma um pouco do terreno político ou social de seu segundo trabalho “Take Them On, On Your Own”, que contava com faixas como "US Government" e "Generation". “Baby 81” é título - referencia ao bebê sobrevivente e órfão de número 81 do trágico tsunami que arrasou o Sri Lanka em 2004.
“The Weapon of Choice” é o single escolhido pelo BRMC, que volta a atacar com a velha atmosfera garageira seus sedentos e fiéis entusiastas. Nove das 13 faixas que compõem o Cd já podem ser escutadas no myspace da banda. Mas pegue leve, não aumente tanto o volume do carro quando “Baby 81” estiver no playlist. Trata-se de um daqueles discos em que o acelerador avança sozinho. Etílico, inflamável e brilhante.
Multi-instrumentista, mais conhecida pelas notas de seu baixo. Meshell Ndegeocello é, também, cantora e dona de umas vozes mais afrodisíacas da música negra norte-americana. Seu vocal encorpado e aveludado navega mais precisamente entre o soul, funk e o R&B. No novo Ep, Article 3, no entanto, Meshell fluidifica sua musicalidade e experimenta na faixa “The Sloganeer” uma sonoridade mais próxima do rock (crú) e de levadas eletrônicas. Suas linhas melódicas intimistas cruzam os terrenos de seus ancestrais, a música africana, portanto, é registrada nos belos arranjos vocais da faixa “Shirk”.
Indicada nove vezes ao Grammy, Meshell é mais uma daquelas preciosidades obscuras, que nos ouvidos brasileiros ainda não causa eco. Desde 1993 na estrada, com o álbum Plantation Lullabies, a artista já participou em trabalhos de Madonna, fazendo backing vocals, e como baixista nos álbuns do Rolling Stones, Bridges to Babylon(1997), além de Basement Jaxx e The Blind Boys from Alabama.
Filha de pai militar e saxofonista, Ndegeocello, que significa: livre como um pássaro, nasceu na Alemanha e foi criada em Washington DC, e agora se prepara pra lançar seu sétimo Cd, The World Has Made Me The Man Of My Dreams. Enquanto o álbum cheio não vem, o Ep Article 3 é a pérola musical da vez a ser degustada.
Confira: www.myspace.com/officialmeshellndegeocello
A combalida indústria fonográfica precisa de fôlego. Respirar novos ares é preciso. Mesmo cansado de ler matérias, crônicas e reportagens com estas citações, não me fiz de rogado, e eis que começo também o meu com este desgastado chavão. Utilizo o recurso apenas para ilustrar preguiça, acomodação e falta de criatividade. O que afirmam estas frases, no entanto, é fato, há mais de dez anos consumado, velho e ainda assim extremamente atual. Estranho, não?
Se a panacéia para o impasse que assombra a indústria pudesse ser garantida pela qualidade artística dos produtos que comercializa, poderíamos apontar o disco a ser resenhado como uma das possíveis e importantes soluções. Porém, como sabemos, o buraco é mais embaixo. Bem lá embaixo, se é que me entendem. Se estamos perto do fundo, não me cabe a resposta, pois a cada ano que passa parece que esse poço é infindo.
As grandes empresas de música criaram ao longo dos anos uma enorme cratera na superfície de seus negócios e tentam aplacar o problema com miraculosas soluções virtuais e tecnologias paliativas. Esperanças vencidas como a tecnologia DRM (Digital Rights Management, proteção anti-cópias) acaba de ser jogada pra escanteio pela EMI, sua criadora. A grande família dos “tones” parece ser a salvação da lavoura. Vídeo-tones, true-tones, sms-tones, ring-tones e etc. Mas isso tudo é fragmento de música, serve de enfeite decorativo e certamente não abastece ou acalenta os corações dos amantes musicais, além de não resgatar o público consumidor da era dos LPs / CDs ou de atrair a nova geração virtual.
Para a música, apontam os estudiosos, profissionais do ramo e novos artistas, nunca houve uma época mais favorável. Barateamento de ferramentas de produção de discos e um crescimento agilíssimo das ferramentas de marketing e promoção virtual. Neste contexto mutável e incerto, a boa música, “tadinha”, não tem poder para salvar a indústria que a explora. E deveria? Ruim para as majors. Bom para os amantes da música. E para as bandas, bom ou ruim? Quem responde?
YOUNG MODERN 
Repulsa, amor à primeira vista e confusão. Transpor um disco em palavras é no mínimo insano. Reduzir a maestria de belas melodias à letras ocas, chapadas e inflexíveis, é tarefa ingrata. Mais ainda quando o resenhista-blogueiro se entorpece pelo objeto de analise. Aí sim, reside o medo. Está posto o paradigma da inexistente imparcialidade jornalística.
Incompreendidos e subestimados pela maioria da critica especializada, o Silverchair parece sofrer as conseqüências da acomodação e possível surdez de jornalistas musicais ao redor do globo. Pergunto constantemente à minha consciência e a colegas se não é fácil discernir e separar a qualidade artística pungente da farsa puramente mercadológica, que assalta frequentemente o mercado com bandas acéfalas e vazias.
O que pretendo por aqui, portanto, é confirmar, ou apenas salientar, que o maior trunfo do Silverchair é a capacidade criativa e inventividade de seu líder Daniel Johns. Depois de um excelente e também subestimado projeto paralelo, The Dissociatives – em colaboração com o DJ australiano Paul Mac –, Johns retorna com sua banda para o lançamento de sua obra mais ousada: Young Modern.
O trabalho já está disponível para audição completa – tanto no site oficial: http://www.chairpage.com/, quanto no myspace: www.myspace.com/silverchair –, e até agora é absolutamente ignorado por aqui. Talvez seja preciso estampar capas de revistas britânicas ou americanas para se olhar um novo trabalho ou um artista que se reinventa. A mídia especializada, por sinal, parece a cada dia se apregoar mais a pautas definidas por datas de lançamentos, CDs recebidos, e acordos tácitos com a indústria. Sei que o assunto dá pano pra manga, mas no caso, ofereço a fruta, pois não sei quem suga quem nessa troca de delicadezas.
Com índices e rankings de venda pífios de seu último lançamento, "Diorama", no Reino Unido e nos EUA, o trio de Newcastle se tornou quase “cult”. Apreciadores famosos como Bono Vox e Billy Corgan, vocalistas do U2 e do Smashing Pumpkins respectivamente, não serviram para mudar a impressão da mídia e daqueles que outrora exaltavam canções como “Tomorrow” e “Freak".
Longe de todo e qualquer descaso, Daniel Johns mais uma vez se preocupa em fazer arte, e esta é a única faceta que ele inteligentemente preserva. A quem se propõe construir uma sólida e respeitada carreira artística, nada soaria mais óbvio do que o seguir desta cartilha. O dia a dia, no entanto, nos prova o contrário. A enxurrada de bandas que diariamente hospedam seus perfis e músicas em sites como o myspace, comprovam o perigo, além de provocar grandiosas tsunamis de desorientados e candidatos a “gênio”. De forma avassaladora, deságuam diariamente no oceano da mediocridade trocentas bandas por segundo, uma tremenda “banda larga”.
Johns e cia., porém, fazem parte de outro time e não precisam se preocupar. Young Modern, quinto disco de carreira, deve ser degustado sem apego a sabores e essências musicais testadas anteriormente pela banda. O novo trabalho provoca, no ouvinte casual ao mais fanático dos fãs, sentimentos desencontrados e paradoxais, e é isso que torna interessante a viagem.
Constituído a partir de demos, produzidas em 2005, o novo álbum chegou a ser apresentado como um possível trabalho solo ou um disco duplo – boato desmentido pelo artista em entrevista a Rolling Stone, em abril de 2006. Ciente de que as canções funcionariam melhor como uma banda, os velhos parceiros Chris Joannu e Ben Gillies foram novamente convocados. Durante o ano passado alguns shows serviram de teste para as faixas do novo repertório. Com as demos produzidas e devidamente testadas, a banda partiu para Los Angeles afim de gravar as versões finais com o produtor Nick Launay (Talking Heads e Midnight Oil), no Seedy Underbelly Studios.
Durante as sessões novas músicas foram escritas e, mais uma vez, a banda contou com a preciosa colaboração de Van Dyke Parks – fiel parceiro de Brian Wilson na obra prima Smile – que produziu suntuosos e cinematográficos arranjos de cordas, para as faixas “If You Keep Losing Sleep”, “Those Thieving Birds part 1 e 2” e “All Across the World”. As faixas orquestradas por Van Dyke Parks e executadas pela filarmônica de Praga soam como trilhas sonoras clássicas dos estúdios Disney. Fantasiosas, belas e inventivas, estas canções revelam a capacidade de Johns em produzir músicas sinestésicas, complexas e, ainda assim, extremamente palatáveis.
No decorrer das onze faixas de Young Modern, o líder do Silverchair não descansa um minuto. Assume personagens, vocais excêntricos, melodias e métricas deliciosamente tortas. A cada canção uma nova banda surge e levanta duas questões indissociáveis: o Silverchair acabou? Ou ainda, o que é o Silverchair? Apenas um fluxo de criatividade musical. Não se trata de um ciclo, refluxo ou regurgito, pois Johns não recorre ao seu passado, mas sim, se reinventa.
Do alto de seus 27 anos, o cantor e seus comparsas, na verdade, são várias bandas, e soam no final como uma coesa obra músico-circense. Repleta de elementos lúdicos e delicados, os músicos optam por explorar os limites visuais que podem oferecer através de suas canções. Efervescentes cenários, como a Bollywood indiana – centro cinematográfico de Bombay, que produz mais filmes anualmente do que a Hollywood norte-americana –, são algumas das referências que Johns utiliza para ilustrar aquilo que quer em algumas das faixas.
“Mind Reader” e “The Man Who Knew Too Much” são as canções mais fortes de Young Modern. As guitarras de Johns, agora Fender, atiram secas, precisas e sem tanto peso. As distorções dão lugar a criatividade rítmica, que fazem o ouvinte dançar – instinto e intuito primevo do Rock n`Roll. “Low” e “Waiting all the Day” seguem a cartilha da simplicidade. Poucas e doces notas musicais conduzem estas duas pérolas, estruturadas no que há de mais simples e necessário numa boa canção pop: melodias acima da média.
O primeiro single do álbum “Straight Lines”, que há cinco semanas lidera os charts de musica australianos, fez do Silverchair a primeira banda da história a emplacar cinco singles em primeiro lugar na terra dos cangurus. A épica canção, no entanto, apresenta uma atmosfera bem diferente do restante do álbum.
John Lennon, Roy Orbinson, Talking Heads e Midnight Oil, foram os artistas cunhados por Johns para sintetizar os anseios do novo trabalho. Porém, o que se ouve é Beach Boys, Rolling Stones e Walt Disney. Sem o escapismo ingênuo de Diorama (2002), Young Modern retrata o Silverchair na sua melhor tentativa de extravasar seu pop psicodélico, original e, talvez, inimitável.
Formada por Fred (voz), Fernando Aranha (guitarra) e Bernardo Fonseca (baixo), a banda Invasores realiza em seu primeiro trabalho (álbum ou ep) um tratado psicossociológico dos mais atuais. O caos, a paranóia e fragmentação de sentidos característica da pós-modernidade se desenlaçam com absoluta clareza através de afiadíssimas letras e melodias. Ao retratar um painel no qual o Rio de Janeiro é ponto de partida, a banda envereda o ouvinte ao epicentro de uma fatalista visão urbana, repleta de conflitos e reflexões pessoais. Fred produz os versos mais inventivos e bem delineados da cena nacional. Sua artilharia verborrágica, no entanto, não é sua única arma. Dono de uma voz poderosa o CANTOR interpreta vorazmente cada faixa, e desenvolve habilmente suas idéias sob a rajada de notas musicais alvejadas por seus parceiros de banda, Aranha e Fonseca – ambos integrantes do Engenheiros do Hawaii. A influência de artistas como Red Hot Chili Peppers, Incubus e The Roots ecoam muito além da obviedade através do minimalismo e dos experimentos na guitarra de Aranha, das envenenadas e contundentes linhas de baixo de Fonseca e da urgência vocal de Fred. Como uma bomba recheada de idéias musicais explosivas, o trio carioca nos conduz à leveza de iluminações espirituais – como em “Shao Lin” –, e a visualizações cinematográficas acachapantes, caso das faixas “Polícia” e “João e Maria”. Um choque entre realidade e subjetividade é proposto. Cada canção dos Invasores funciona como um tapa na cara, que ao invés de sugerir retomada de consciência confunde e entorpece ainda mais o ouvinte. A arte do improviso é a essência que a banda captura neste ep (ou álbum). Produz-se assim um álbum coeso e certeiro, inspirado e composto a partir de enfurecidas “jam sessions”. O resultado final deixa claro o abismo que separa bandas que saem da internet e outras que ainda optam por viver de Arte. “A tragédia do cotidiano, é comédia na vida privada”, assinala o refrão de “João e Maria”, ratificando a multiplicidade de idéias de uma banda madura, que exerce com poética maestria o frescor de sua tresloucada musicalidade.Confira: www.myspace.com/docedelirio
* A polêmica entrevista de Keith Richards ao jornalista Mark Beaumont da NME circulou o mundo pelos principais e mais diversos veículos de comunicação. O guitarrista do Rolling Stones afirmou ter cheirado as cinzas de seu pai, misturadas à cocaína. Perguntado pelo repórter sobre qual a coisa mais estranha que ele havia cheirado, Richards respondeu: – A coisa mais estranha que cheirei foi o meu pai. Ele foi cremado e eu não pude resistir. Ele não teria ligado à mínima. Me fez muito bem, ainda estou vivo – disparou. A setença contém todo o requinte e princípios que norteiam o melhor do humor-negro.
A tragicômica explanação do “stone” chamou atenção da BBC, The Associated Press, Forbes, E! Online, Globo e etc. Todos publicaram em seus impressos ou sítios virtuais a inacreditável história. A American Thinker descreveu da melhor maneira o fato. Tratou a revelação como um ato de “canibalismo edípico”. É, Richards ainda esta vivo. Entrevista na íntegra: http://www.nme.com/news/the-rolling-stones/27531
* Green Day, Bad Religion e o Blink 182 estão cotados para participar de um documentário sobre a cena punk dos anos 90. Produzido pela produtora independente australiana Robot Academy Films, o filme “One Nine Nine Four” tem lançamento previsto para 2008. Dois film-makers estão morando em Los Angeles para fazer entrevistas e pesquisar arquivos de áudio e vídeo. O filme conta com a narração da lenda do skate Tony Hawk e também com a participação das bandas Rancid, Offspring, Lagwagon e NOFX.
* Os canadenses do Tokyo Police Club farão sua estréia na televisão americana dia 19 de abril, no programa de David Letterman. A banda que anda super “hypada” – obviamente constou na recente lista de apostas para 2007 do semanário NME – anda fazendo sucesso nos EUA com o seu Ep “A Lesson in Crime”. A banda se apresenta esta semana no Bowery Ballroom em Nova Iorque, fazendo o show de abertura para os americanos do Cold War Kids – também apontada pela NME, como uma das melhores bandas americanas surgidas recentemente. Confira: www.myspace.com/tokyopoliceclub e www.myspace.com/coldwarkids
* Parece que as bandas de rock andam desapontadas com a produção de video-clipes. Incubus, Silverchair, Placebo e, agora, o Bloc Party deixaram de lado orçamentos estratosféricos e mirabolantes idéias de film-makers, para apostar na exultante criatividade de sua base de fãs. Para a versão final de “I Still Remember”, o Bloc Party conta com seus fãs, que devem produzir vídeos e os postar no YouTube. A idéia da banda é que os visitantes possam comentar e classificar as produções audivisuais de seus pupilos. A partir de uma pré-seleção, a banda irá escolher seus vídeos favoritos e edita-los em conjunto, produzindo assim um belo vídeo-picadinho. Corra miguxo, pegue sua câmera digital!
* É, a coisa ta feia. A cidade que “lançou” o movimento grunge e bandas como Nirvana e Pearl Jam, no início dos anos 90, abriga agora em seu mais famoso festival, o Panic! At the Disco, como banda principal. Ao lado de The Shins e Wu Tang Clan, o Panic! comandará a parte musical do Bumbershoot Music & Arts Festival, em setembro na cidade de Seattle. O festival que tem mais de 40 anos oferece palcos dedicados a comediantes, peças teatrais, espetáculos de dança e artes visuais. Olhando bem, parece que o Panic! é um bom nome para isso.
– O famoso piano branco de John Lennon está em turnê. Sim. O piano que o líder dos Beatles compôs o hino pela paz "Imagine" percorre locais marcados por importantes fatalidades e violência.
O piano que é de propriedade do cantor George Michael foi fotografado ano passado em Grassy Knoll, em Dallas, local onde o ex-presidente norte-americano John F. Kennedy foi assassinado. Amanhã o piano será fotografado em homenagem ao triségimo nono aniversário do assassinato de Martin Luther King, em Memphis, Tenessee. Há planos para um documentário e um álbum de fotos, cujo lucro seria revertido a instituições de caridade. Quem sabe o piano de Lennon não vem passear no Brasil. Que personalidade morta cruelmente na “brasilândia” mereceria as homenagens do piano branco?
– O Satellite Party está confirmado para comandar os palcos do O2 Wireless Festival, entre os dias 14 e 17 de junho. A nova banda de Perry Farrel comandará os palcos do Hyde Park, em londres, e no Leeds Harewood House, ao lado do White Stripes, Queens of the Stone Age e Air. Line-up abaixo:
London Hyde Park:
The White Stripes, Queens Of The Stone Age, Air, Satellite Party (14)
Faithless, Badly Drawn Boy, Just Jack, Kelis (15)
Daft Punk, CSS, LCD Soundsystem, Plan B, New Young Pony Club, Calvin Harris, Simian Mobile Disco (16)
Kaiser Chiefs, Editors, The Rakes, The Cribs, The Twang, The Films, The Little Ones, Ripchord, The Duke Spirit and Polysics (17)
Leeds Harewood House:
The White Stripes, Queens Of The Stone Age, Satellite Party (15)
Kaiser Chiefs, Editors, The Rakes, The Cribs, The Twang, Plan B, The Duke Spirit and Polysics (16)
Daft Punk e CSS (17)
– Os californianos do Black Rebel Motorcycle Club irão comandar, ao lado do The Charlatans e do Travis, os shows do Camden Crawl Festival, dias 19 e 20 de abril em londres. A banda que prepara o lançamento de seu quarto e ótimo disco, "Baby 81", se junta a nomes como o The Cooper Temple Clause, que lançou no início deste ano o seu “quase fantasma” terceiro disco, “Making this your Own”. O álbum traz uma interessante mistura de vocais, por parte de Daniel Fisher e Tom Bellamy. Pouco observado, devido a falta de apoio da Sanctuary Records, canções poderosas como “Damage”, "Homo Sapiens” e “Head” podem cair na obscuridade, o que é uma pena, já que o Cooper Temple Clause faz um mix dos mais interessantes de rock, pop e eletrônica.
Confira: www.myspace.com/blackrebelmotorcycleclub
www.myspace.com/thecoopertempleclause
– O Mystery Jets prepara lançamento de “Zootime”, apenas para o mercado americano. O álbum combina canções inéditas e destaques do álbum de estréia, “Making Dens” (2006). As novas faixas foram produzidas pelo produtor indie/dance Erol Alkan.
Confira: www.myspace.com/mysteryjets