NOTAS SOLTAS E RUÍDOS ESCRITOS

domingo, 25 de maio de 2008

Papo de sal


Abaixo, bate-papo e matéria, na íntegra, com o cineasta carioca Fellipe Gamarano Barbosa. Ganhador do Grande Prêmio Vivo de Cinema na categoria melhor curta de ficção, com Beijo de sal.

LFR: Qual a origem da história apresentada em Beijo de Sal?

FGB: Sem dúvida foi o Rogério Trindade (ator e personagem, o dono da casa). Tudo começou e terminou com ele e, no fim, esse filme foi feito pra ele. Ele é a inspiração. Figura que eu acho fascinante em toda sua complexidade. Um sujeito magnético, que tem a atenção de todos sem fazer o menor esforço. Dele pincei o personagem: uma pessoa que de fato tem tudo e todos, mas que no fundo é muito triste e vazio. A maneira mais lógica que eu encontrei para dramatizar isso foi através de um amigo, que se encontra num momento diferente em sua vida e que saiu de sua roda de influência. Rogério tenta trazê-lo de volta, para a boa-vida, porém em vão.

LFR: E o interesse pelo personagem principal, um não-ator, como surgiu?

FGB: O filme veio do meu interesse sincero por esse homem. Alguns dos eventos foram inspirados por uma viagem de ano novo que eu fiz com essa turma há uns 4 anos pra Trancoso. Algumas das pessoas que compõem a entourage de Rogério no filme são as mesmas pessoas que integraram essa viagem. Reproduzir o clima, esse ambiente abandonado, largado, semi-decadente, era muito importante pra mim. Mesmo essas pessoas não estando em quadro, elas estão muito presentes e compõem a atmosfera do filme.

LFR: Quais foram os objetivos para a direção deste filme?

FGB: Meu interesse muito grande, e minha intimidade enorme com o Rogério – que não é ator profissional, mas, sim, uma aposta minha que creio ter dado certo – justificam a direção um tanto quanto discreta. Não chamo nem um pouco atenção para mim e para a câmera. Isto é o que menos importa. Fiz um filme sobre e para os sujeitos em frente à câmera. Meu objetivo era fazer com que a audiência esquecesse completamente a presença da mesma, e embarcasse nesse ambiente tão fluido e tão abandonado quanto a linguagem proposta. É como se o filme tivesse sido feito sem esforço algum, como se ele tivesse simplesmente acontecido.

LFR: Esta simplicidade cenográfica, restrição do aparato, intimidade com os atores, tudo isso faz parte de uma intenção consciente de desnudar e evidenciar subjetividades?

FGB: Limitei ao máximo o aparato (equipe bem reduzida, quase nenhuma luz) a fim de que os atores (ou nao-atores) pudessem relaxar e pensar no café ao invés de sua intenção em cena, digamos. Pensar nas coisas pequenas, estar presente no momento. Se o grande objetivo é capturar a realidade, a diminuição do aparato ajuda muito aos atores a se "desconscientizarem". Acho que eles entenderam muito bem isso, e acreditaram. Cenas onde o Rogério simplesmente sai de casa e senta-se com seus amigos tocando violão no jardim, olha para os lados e não encontra seu melhor amigo – poderiam muito bem funcionar, podem ser interessantes desde que sejam de verdade. Optei por eventos pequenos, menores.

LFR: Como foi o seu trabalho para a direção dos atores?

FGB: Sobre os atores, tem uma anedota bem legal, ou trágica, quando o Domingos Alcântara (Paulo) caiu de uma pedra no fim do primeiro dia de filmagem e aterrisou com os pés num cardume de ostras, cortando profundamente a sola dos pés em 12 pontos diferentes. Ele teve que levar 8 pontos. Ele não teria condição nenhuma de continuar no filme daquele jeito, e eu fui muito duro com ele dizendo que não re-escreveria o roteiro, ele teria que caminhar na praia e brigar no pântano, e que se tivesse alguma dúvida que me dissesse e a gente pararia tudo. Eu sinceramente não estava tão satisfeito com a performance dele naquele primeiro dia, mas por algum motivo, após o acidente, tudo mudou e o Domingos parou de atuar, aproximando-se do naturalismo que eu procurava. Ele foi um herói, e o esforço que ele fez, o quanto ele se concentrou para driblar a dor acabou tirando sua mente da dor. Agora eu já sei o que fazer com um ator quando estiver "atuando" muito, levarei um taco de beisebol, ou um punhado de ostras!

LFR: Além deste problema inicial, além das dificuldades financeiras, houve algum outro acontecimento que tenha tornado difícil fazer o filme?

FGB: Não vou dizer o clichê de que foi um filme difícil, pois não foi. O fazer cinema não é impossível quanto à maioria dos profissionais de cinema o fazem parecer. Acho que existe uma super-sacralização do processo, como se fosse a coisa mais difícil e importante do mundo, quando não é nem uma coisa nem outra. Fazer cirurgia é difícil e importante. Acho que temos dificuldades em admitir que fazemos cinema porque gostamos muito e ponto. Encontrar a relevância dentro disso tudo não compete a nós, à nossa geração. Determinar se o que fazemos é arte ou não, também não compete a nós, mas sim ao futuro e a história.

LFR: Qual a importância do curta-metragem para a sua formação como cineasta?

FGB: Meio dos acertos e erros, onde ainda se pode errar, onde tem menos "at stake". Ou seja: pode-se arriscar. Mais importante, onde se acha sua voz. Acho meio boba essa discussão do curta como formato independente versus. curta como escada pra um longa.Acho que não tem nada a ver. Curta é o nosso playground e, mais importante, onde podemos encontrar nossa voz, descobrir nossos interesses, compreender nossos pontos fracos e nossas limitações enquanto diretores. É importante para que possamos entender qual tipo de cinema nos interessa fazer. Vários cinemas me interessam como espectador, mas como cineasta nem poderia me interessar por todos esses cinemas, pois seria ingênuo da minha parte me sentir capaz. Acho que não seja uma questão de capacidade, mas, sim, de interesse mesmo, tesão. Descobrimos isso com os curtas. O fazer cinema é sempre um aprendizado sobre os outros sujeitos e sobre nós mesmos, em função de como nos relacionamos com os outros.

LFR: Filmar em película ou com equipamento digital? Como vê estas transformações no processo de filmagem?

FGB: Acho que o vídeo digital tem uma importância fundamental na democratizacao e dessacralização do processo. É mais barato, o que torna super possível filmar, já que você não depende mais do grande aparato, algo que acho ótimo, como disse anteriormente. Porém, o vídeo legitimou muita porcaria, pois feriu bastante a disciplina do processo. Ou seja, as pessoas filmam qualquer coisa pra encontrar o filme na sala de edição. Isso esvaziou muito o papel do diretor, em minha opinião, pois os diretores, por causa do vídeo, estão cobrindo ao invés de dirigir; filmando por todos os ângulos possíveis ao invés de fazer escolhas. No entanto, é exatamente o mesmo paradigma/problema de se fazer filme com muito dinheiro e recursos ilimitados. Você acaba não dirigindo, o filme fica com cara de que foi dirigido por um diretor qualquer, ou por todos os diretores em conjunto, ao invés de se reconhecer uma única voz. Filmar em película muitas vezes te força a fazer escolhas e, de fato, a dirigir.

LFR: No Brasil o circuito de curtas se reduz às mostras, festivais e cineclubes. Praticamente não há retorno financeiro, em premiação, para os realizadores. Fora do Brasil existe um mercado ativo para curtas? Como mudar o panorama nacional?

FGB: A coisa não funciona por aí. A quantidade de curtas produzidos aqui (Nova York) é muito maior e proporcionalmente gera muito menos retorno. Isso porque grande parte da produção nacional de curtas brasileiros é gerada pelos editais, que dão uma quantia bastante generosa para a produção. É um luxo. O cara, muitas das vezes, não precisa se pagar, ele não precisa encontrar mercado para o curta dele, pois simplesmente ele não tirou a grana do próprio bolso. Ás vezes até recebe salário para fazer o filme. Acho isso lindo, não me leve a mal. A galera não pode ficar mal-acostumada, aqui o buraco é bem embaixo. Estamos fazendo curtas com muito menos dinheiro, às vezes ninguém é pago. É guerrilha mesmo. Meu primeiro curta, La muerte es pequena, que foi para o Festival de Sundance (2005) e indicado para o Student Academy Award foi realizado em vídeo por US$ 300. É possível fazer coisas interessantes com pouco dinheiro.

LFR: Como você vê a questão da Lei do Curta e dos editais como fonte mantenedora da produção de curtas-metragens no país?

FGB: Nos cinemas, ao invés de mostrarem curtas, o público é obrigado a assistir propagandas. O problema da lei do curta é mais uma questão de programação. Saber nas mãos de quem vai ficar a responsabilidade de escolher um curta para acompanhar determinado longa. Uma escolha ruim pode ser desastrosa tanto para o curta quanto para o longa. Os curtas são feitos com o dinheiro público, ninguém está sendo consultado se quer bancar essa estória ou não. Até aí tudo bem. O problema é negligenciar completamente esse mesmo público que está bancando a manufatura da coisa, sem fazer o menor esforço pra garantir exibição. Acho que o povo tem direito de assistir ao que está pagando. Até para gerar mais responsabilidade. As pessoas têm que ter acesso e oportunidade de ver para julgar! Pois se elas tiverem insatisfeitas, têm o direito de reclamar. Acredito nisto porque no nosso sistema de financiamento e produção, muito se produz, mas quase nada é visto. Existe uma crise de responsabilidade. Queremos produzir, fazer, receber nossos salários, mas não queremos arcar com as conseqüências do fracasso. A ausência de mecanismos de exibição é a melhor maneira de nos proteger e garantir isso, ironicamente. Digo ironicamente porque é óbvio que todo cineasta quer ter seu trabalho visto, mas, insisto, ironicamente esse sistema nos protege porque não dá oportunidade ao publico de assistir a algumas bobagens que estão sendo produzidas continuamente.

LFR: Participar de festivais internacionais é o "sonho" de curta-metragistas. Você teve curtas selecionados para Sundance, Festival do Rio, Gramado, Clermont, Guadalajara, entre outros, totalizando 40 mostras. O que se tira de proveito destas seleções?

FGB: Os festivais te fazem sentir parte de um circuito, lhe dá aval par seguir adiante. Porém, o mais importante é que te possibilita assistir seu filme com audiências distintas. Cinema é comunicação e necessita de contato com o público. Não faço filmes pra mim mesmo, não acredito nisso. Faço filme pra comunicar algo, uma experiência, e acabo aprendendo mais sobre mim e compreendendo porque preciso tanto fazer. Depois de finalizado, a única forma de vê-lo é através dos olhos dos outros, já que perdemos completamente nossa objetividade durante o processo. Festivais nos dão platéias e olhos imparciais com os quais podemos e devemos assistir aos nossos filmes. Compreendemos melhor nossas limitações e acertos. Um aprendizado constante, por isso é importante ter humildade.

Cinema com sal


Entre a finalização e o lançamento de seu segundo curta-metragem, Beijo de sal(2006), e este abril de 2008, mais de 40 festivais nacionais e internacionais, além de dez prêmios – entre eles o de melhor ficção no último Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro (2007) – repousam impressos no currículo do diretor carioca Fellipe Gamarano Barbosa.

Dividindo tempo entre a pré-produção de sua estréia em longas, intitulado Cotas, e maquinando idéias para novos curtas, o cineasta, de 27 anos, não esboça ar blasé ao ver seu pequeno e belo filme de 18 minutos listado para mais uma competição, o Grande Prêmio Vivo de Cinema, cuja cerimônia de premiação será realizada hoje à noite, no Vivo Rio, no Flamengo.

– Sou fã dos curtas contra os quais estou concorrendo – afirma, modesto, o cineasta, que concluiu recentemente mestrado em cinema na Columbia University, em Nova York. – Não acredito nessa história de melhor filme.

Os seis anos de estudos acadêmicos não foram suficientes para demolir sua cor morena. Há poucos dias de volta ao Rio, aproveitou o fim de semana de praia para botar o papo, o sol e, principalmente, o sal em dia, tudo para que Beijo de sal também possa ganhar recarga de energia, logo mais.

– Não faço filmes para mim mesmo, não acredito nisso – diz. – Faço filme para comunicar algo, uma experiência.

Ao sorver influências de cineastas como John Cassavetes e os irmãos Dardenne, Barbosa aposta numa estética naturalista para traçar a história de dois amigos, que se reencontram às vésperas da virada do ano. O fascínio do mais velho e influente, Rogério, ao reencontrar Paulo se desmancha pela presença da namorada do mais moço, na casa em que ambos dividiam suas desventuras enquanto solteiros. Ao sugerir uma atração homossexual inconsciente entre os personagens, colhe os louros de sua fita em mostras competitivas voltadas para o público GLS mundo afora.

– Esse filme está tendo uma sobrevida que vai além de minhas expectativas – admite. – Um ano e meio depois de lançado, ainda segue firme e continuo a receber convites. Além deste prêmio, agora, ele está percorrendo os festivais com temática GLS da Europa, como em Istambul, Londres, Torino. Parece que o filme resolveu sair do armário – brinca o diretor.

Incluído na lista das 25 novas caras do cinema independente, pela Filmmaker Magazine, Beijo de sal foi festejado pela crítica de publicações influentes, como o jornal The New York Times e a revista New York Magazine, que o considerou o melhor curta do Festival de Sundance, em 2007, na mostra competitiva idealizada pelo produtor, diretor e ator Robert Redford. Não à toa, ao ganhar projeção no concorrido mercado independente americano, o projeto para seu primeiro longa-metragem (co-escrito com Karen Sztajnberg) foi recentemente selecionado para o laboratório de roteiros do Sundance Institute – o mesmo por onde passaram Casa de areia (Andrucha Waddington) e Central do Brasil (Walter Salles).

– Em janeiro, tive a oportunidade de conviver e aprender com alguns roteiristas e cineastas incríveis, como Thomas Vinterberg e Rodrigo Garcia – recorda o cineasta, que, após passar por mais uma seleção, se prepara para uma nova jornada no instituto de Redford. – Agora, em junho, volto para participar de uma oficina de direção para o desenvolvimento de Cotas.

Ao explorar assuntos como medo, etnia, classe, privilégio e despertar sexual na decadente elite carioca, Cotas registra a trajetória de Jean, um adolescente que tenta se esquivar da superproteção dos pais durante o ano do vestibular. É uma história em que questões de classe estão sempre presentes, mas quase nunca são confrontadas pela família, capitaneada por uma mãe e um pai que, à beira da falência, concordam em esconder do filho de 16 anos, Jean, a bancarrota, até que ele passe no vestibular. O ano é 2004 e o exame se tornou ainda mais competitivo, devido ao polêmico sistema de cotas estabelecido em um país em que etnia não se define tão facilmente.

– Não sei se posso dizer que é biográfico, mas é bastante pessoal. Lida com temas que me interessam e que já vivi – revela Fellipe, que estudou sob o severo comando dos monges no tradicional Colégio de São Bento. – Quero fazer este filme logo. Sinto urgência no assunto.

O cineasta pernambucano Lírio Ferreira aplaude a ascensão:

– Ele trabalhou como meu assistente em O homem que engarrafava as nuvens, que ainda está em pós-produção. É atuante no set, vê tudo que o cerca, questiona tudo e propõe soluções.

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Apesar do assédio e do bom posicionamento no mercado independente dos Estados Unidos, o cineasta afirma não ser fácil conseguir captar verbas para sua primeira incursão no universo do longa-metragem.

– Lá fora é difícil captar apoio, já que o filme será rodado no Brasil e conta com elenco de atores brasileiros. No Brasil, no entanto, não é fácil conseguir apoio de uma produtora, pois existem muitos projetos na fila e eu estou há um bom tempo fora. Meu filme está inscrito em alguns editais e espero que seja aprovado – diz Fellipe, que bancou Beijo de sal, rodado em 16 mm, sem nenhum centavo público, apenas dinheiro recebido em premiação por uma disciplina da faculdade, o New Line Award.

A limitação financeira, aliás, forçou o diretor a fazer escolhas que até certo ponto simplificaram a concepção estética e definiram características cruciais do premiado curta. Ao escolher um não-ator, Rogério Trindade, para o papel principal, apostando em seu carisma, Fellipe optou por estar rodeado de pessoas amigas, com quem tem intimidade, ao invés de profissionais.

– Tudo começa e termina na personalidade do Rogério. É alguém que de fato tem tudo e todos, mas que no fundo é muito triste e vazio. Não chamo nem um pouco atenção para mim e para a câmera; é o que menos importa. O filme foi um exercício onde conscientemente procuro não me mostrar – pontua o diretor, justificando sua direção um tanto quanto discreta.

Além da premissa estilística, Fellipe faz questão de frisar o conflito existente entre a intrusão de grandes aparatos de filmagem e a tentativa de capturar realidade. Atrito ideológico que, na opinião do diretor, se acentua em um país desigual como o Brasil.

– Tinha 10 mil dólares e limitei ao máximo o aparato, pois se o grande objetivo é capturar realidade, isto ajuda muito os atores. Mais do que isso, no entanto, não me sentiria confortável em utilizar orçamentos milionários, um aparato imenso, caminhões de luz, pra filmar num país pobre e tão desigual como o nosso. Neste ponto, eu gosto de olhar pra Cassavettes, ou Maurice Pialat, para ter certeza de que o melhor cinema não necessita de muito dinheiro. Deveríamos olhar um pouco mais para o legado de Glauber, e como seu cinema foi consistente com o que ele escreveu. Uma câmera na mão e uma idéia na cabeça – destaca Fellipe.

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Histórico:Ganhador do Grande Prêmio Vivo de Cinema, na última terça-feira, como melhor curta na categoria ficção. Exibido no maior festival de curtas do mundo, o francês Clermont-Ferrand (2007), Gramado (2006), New York Short Short Cuts Film Festival (2007), além de Sundance, "Beijo de Sal" ganhou os prêmios de melhor filme e melhor direção pelo júri do Festival de Cinema da Columbia University, melhor ficção no Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro - Curta Cinema, melhor filme no Festival Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira, além do prêmio máximo de melhor curta-metragem ibero-americano no Festival Internacional de Cine, em Guadalajara, México (2007).

TOC - Vitor Araujo


Se Mallu Magalhães, aos 15 anos, se apóia em poucos acordes para tocar timidamente seu violãozinho tosco (como diz MM), o recifense Vitor Araújo, aos 18, faz o inverso, e aterrissa freneticamente seus dedos nas teclas de um piano meia-cauda. Apesar das diferenças estilísticas, estéticas e, por que não, de talento, ambos são responsáveis pela corrida mais instigante da música pop dos últimos segundos. Sim, vivemos uma época em que a disputa entre os dois prodígios alimenta as esperanças de um mercado fonográfico acossado.

No último domingo, a menina paulistana de voz doce, óculos de aro grosso e sem lentes, atraiu presidentes e diretores artísticos da Universal, EMI, Warner e DeckDisc para sua performance na pequena, mas charmosa, Cinemathèque Jam Club, em Botafogo. Ontem à noite, foi a vez do Allegro Bistrô da loja Modern Sound, em Copacabana, se tornar o palco perfeito para João Augusto, presidente da DeckDisc, pavonear-se à frente das 150 atentas pessoas que foram ao local conferir o lançamento de sua mais nova aposta, o pianista mezzo-auto-ditada, Vitor Araújo – apresentado pelo B em setembro de 2007.

– Apesar da situação crítica e de todas as especulações que circundam o mercado de discos do Brasil, estamos aqui hoje para mostrar que esta plataforma e este formato de apresentar música ainda não se esgotou. Aliás, se tudo estivesse acabado nem estaríamos aqui comemorando, em pleno Dia da Mentira, 10 anos de Deckdisc. Foi exatamente em um primeiro de abril que iniciamos nosso trabalho e continuamos até hoje mentindo por aí – brinca João, talvez sem notar o quanto sua própria piada o fulminava de verdades.

Sem dar bola para o mercado, Mallu e seu empresário parecem nada preocupados com o assédio desorientado das outrora grandes corporações de música e cogitam seguir na independência. Vitor segue o caminho contrário. Com papel assinado, lança pelas mãos de João Augusto o seu primeiro dualdisc – CD e DVD estampados em ambos os lados do disquinho metálico – ou como prefere João: “uma plataforma que o mercado ainda vai perceber o valor.” No entanto, pouco preocupado se CDs, DVDs e dualdiscs ainda preenchem o bolso do patrão e nem aí para as respostas que o mercado procura, Vitor aguardava, entediado, na escada da loja de discos o fim do discurso de João Augusto – que anunciava o seu mini festival de música, a ser realizado ao longo do mês de abril – para iniciar sua apresentação.

Finalmente chamado ao palco, após mais de meia-hora de atraso, o menino fez questão de mostrar sua satisfação em tocar pela primeira vez na cidade. Acanhado, mas sem embaraço, o rapaz expressava seu estranhamento em apresentar-se para uma platéia composta por pessoas de meia-idade que, sentadas, bebericavam e comiam antepastos diversos.

– É esquisito isso aqui, mas minha música é repleta de silêncios e os ruídos de vocês ajudam a compor. Afinal, tudo é música – opina.

Apesar de cansado, pelas inúmeras viagens, shows e entrevistas promocionais para a divulgação de seu “Toc – Ao vivo no Teatro Santa Isabel”, Vitor não perdeu o bom-humor e atacou o piano em uma performance carregada de energia adolescente, para as canções “Toc” e “Comptine d’un Autre Été” – composta por Yan Tiersen para a trilha sonora do premiado filme francês “O fabuloso destino de Amélie Poulain”.

– Olha, ainda estou meio atordoado com esta batida violenta. Acabei de chegar de São Paulo e não pude descansar. Fiz entrevista para caralho e comecei a ficar confuso. O pessoal me perguntava com quantos anos havia começado a tocar e eu respondia que desde os dez anos, depois falava que a partir dos 18. Citavam Radiohead como minha maior influência, ao invés disso dizia que eram os Beatles. Enfim, estou atordoado, mas o que sempre espero é poder entreter e prender a atenção do público. Gosto de passar leveza ao coração das pessoas. Afinal música também é amparo e a arte serve para isso – disse o músico, antes de iniciar sua interpretação para “Samba e amor”, tema de Chico Buarque, que assim como o Radiohead, é apontado como uma de suas maiores influências.

Aliás, um dos pontos altos de sua performance está na releitura de “Paranoid Android”, do Radiohead. Mesclando a essência melancólica do quinteto inglês e a estética erudita, o músico divide o arranjo da peça em quatro partes. Inicia com Beethoven, passa por invencionices próprias, valsas de Chopin até chegar aos prelúdios de Bach.

Apesar de seu trabalho ser calcado na música erudita, Vitor passeia musicalmente pelo jazz e pela música popular brasileira executando simbólica ou literalmente diversos e distintos temas. Polêmico, o moleque não se esconde atrás de sua música. Ao longo da apresentação, cada nota é previamente denunciada por uma série de espasmos, contrações musculares, trejeitos e maneirismos faciais acrobáticos que acompanham, na mesma sintonia, alguns de seus exageros interpretativos. A intensidade, o descanso e o respiro são registrados em seu corpo, basicamente coreografado por dedos e teclas hipnóticas e precisas. Seja flutuando em notas espaçadas, ou em momentos de maior agressividade, quando se debruça ao piano, suas mãos, apesar de ágeis, soam um tanto quanto pesadas e fazem de tudo para evidenciar emoção e dor.

– É legal perceber como os sentimentos perduram por séculos. Você pode sentir hoje a angústia que Villa-Lobos experimentava ao compor suas obras. O sentimento fica imortalizado, no ar o tempo que for necessário. Quando toco suas peças, interpreto o momento da angústia que Villa-Lobos sentia. Em uma época em que a racionalidade é evidente e somos racionalistas demais, prefiro agir duas vezes antes de pensar – disparou o menino antes de apresentar sua versão para a “Valsa da Dor”. – Para mim, a música é uma junção de sentimentos e sensações. Elas têm cores, cheiros, tatos, são lisas, ásperas, enfim, posso dizer que a “Valsa da dor” é bem nublada. Gosto de captar a sinestesia de Villa-Lobos.

Vitor utiliza muito bem o silêncio. Gera expectativa e apreensão em boa medida. Aliás, uma das coisas que mais o incomodam é a distância que os palcos impõem entre o artista e seu público.

– Gosto desta energia metafísica, como se todo mundo estivesse fazendo amor, mas não como uma orgia. Minha mãe se perguntava a quem eu teria puxado, pois não há nenhum artista na família. Disse-lhe que eu apenas faço música e ela cria dois filhos, uma arte muito mais complexa. Afinal, arte é aquilo que a gente faz com amor. Como dar um beijo na testa da namorada. Isso também é arte – afirma.

Tão bom quanto ao piano, com o microfone em mãos, Vitor arrancou boa resposta da platéia. Só faltam ao nosso Jamie Cullum curumim os dotes vocais que sua versão inglesa apresenta.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

sÁnormal


Entre o lançamento de seu disco de estréia, "Anormal" (Som Livre Apresenta), lançado em janeiro, e este começo de outono muitas idéias passaram a pulular no imaginário colorido e pop de Jonas Sá. Aos 28 anos, ele se prepara para recuperar a carreira do pai, o músico Rô Tapajós; se atulha no estúdio para gravações com o poeta Mariano Marovatto; compila suas músicas em inglês para futuro lançamento e ainda arruma tempo para dirigir os videoclipes de seu trabalho.

Tachado de novo menino do Rio, Jonas chamou a atenção desde que Caetano Veloso decidiu roubar boa parte de sua banda para a gravação e turnê de "Cê", disco de pegada e levada mais roqueira, produzido por seu irmão Pedro Sá e que teve participação do próprio na faixa "Herói". Instigado pelo trabalho em família, está debruçado na obra do pai, cria do tropicalismo e que nos idos de 60/70 formava o duo Rô e Carlinhos. Desiludido com o mercado fonográfico, Rô largou a carreira, mas não a música, e agora, pelas mãos do filho, grava suas novas composições no estúdio que Jonas pilota no Leblon.
A relação com a indústria da música também faz Jonas coçar a cabeça. Em tempos de milhares de perfis musicais no myspace e novas bandas surgindo a cada dia, o cantor segue tateando a melhor forma de tratar do mutante e desorientado mercado fonográfico atual. A fim de tomar proveito de todas as possibilidades virtuais (ou não) que o mundo da música aponta, Jonas trabalha para compilar suas muitas e originais composições em inglês. Anuncia três CDs prontos à espera de uma plataforma que valha a pena.

* Abaixo, entrevista na íntegra que resultou em matéria publicada no B do último domingo.

LFR: Você começou a gravar "Anormal" em 2002. Por que seis anos para lançá-lo?

JS: Já vinha gravando composições minhas desde os 16 anos. Fazia poucos shows, mas a produção em estúdio se tornou cada vez mais intensa. Todo mundo que gravou o disco é meu amigo de infância, que conheço desde os 14 anos. O Moreno Veloso é amigo do meu irmão (guitarrista Pedro Sá, produtor do álbum "Cê", de Caetano Veloso). Foi o primeiro cara a gravar algumas canções minhas. O Bartolo é meu amigo e estava sempre comigo no estúdio, então foi algo natural. Juntei essa galera que nunca parou de tocar junto em várias bandas e passamos a ensaiar, junto com o Ricardo Dias Gomes (baixo) e o Marcelo Callado (bateria). Aí comecei a pensar em um disco. Nesta época rolou uma sociedade e o pessoal montou um estúdio no Leblon, o King Dub, e gravamos uma porção de gente, inclusive umas canções com o Jorge Mautner. Foi durante esse processo que aprendi realmente a gravar e a tirar som do estúdio. Levei esses anos para conseguir tirar os sons que imaginava. Aprendi a fazer arranjos de cordas e metais durante esse tempo, lidar com essa coisa de produção e gravação. Gravamos num computador jurássico, um G3 166 que dava pau toda hora. Perdi duas vezes o disco, mas consegui recuperar.

LFR: Como fazer para que algo registrado em diferentes épocas da tua vida não se transformasse em uma salada musical desconexa? Seu álbum tem uma série de diferentes distintos arranjos e instrumentos, mas soa coeso.

JS: Produzimos 22 faixas, mas em todas elas basicamente são as mesmas pessoas tocando. Sabia desde o início o que eu queria para o Anormal. O conceito do álbum estava traçado, em termos de sonoridade e temas.

LFR: E o que você queria atingir? Como "Anormal" deveria soar?

JS: Conheço de longa data as pessoas que estão me acompanhando no disco. Além disso, não queria nada de midi, plugins ou ferramentas digitais. Ao longo desses anos fui tendo acesso a muitos sintetizadores vintages, distintos e maravilhosos. Curto mais o som analógico, mas ao mesmo tempo queria que soasse moderno. Queria muitos metais e menos cordas. Mas como produzi um show de cordas durante o percurso uma coisa foi levando à outra. Eu e Ricardo Dias Gomes (baixo) aprendemos a fazer arranjos para cordas e metais enquanto fazíamos o disco. Levei esta experiência de palco, com cordas, para o estúdio. Minha intenção era montar harmonias e temas antagônicos. Intercalar uma série de instrumentos e suas intervenções pontuando-as com momentos de silêncio, espaciais. Misturei instrumentos acústicos, eletroacústicos e elétricos.

LFR: Mas em relação aos teus temas, como letrista e compositor. "Anormal" fala sobre o quê?

JS: Tudo parte de uma temática principal. São as relações antagônicas que temos com nós mesmos e tentei explicitar isto musicalmente, através dos arranjos, como também nas letras. É daí, também, que parte minha ligação com o cinema.

LFR: O que esta relação traz para tua musicalidade? Você gostaria de trabalhar com cinema, certo?

JS: Passei minha vida toda fazendo música pensando na maneira como faria cinema. Queria algo com apelo visual. Utilizo muitas metáforas visuais para chegar onde eu quero, ou seja, falar sobre os diferentes tipos de pessoas, sobre nossos vários e antagônicos "eus" e a forma como acabamos lidando com o mundo.

LFR: Como é teu processo de composição? O Bartolo era teu companheiro full time em estúdio, assim como o Moreno, mas a maioria das composições são exclusivamente de sua autoria.

JS: No disco existem duas parcerias com o Mariano Marovatto, que é poeta. Fizemos juntos as canções “Apenas um” e “Tenha um bom dia”. Mas componho muito sozinho.

LFR: Quem te inspira?

JS: Sou muito ligado nas obras do Serge Gainsbourg. É um artista que sempre trabalhou muito com conceitos e temas muito específicos. Cada álbum foi gravado de modo muito peculiar. Assim como o experimentalismo dos discos do Beck.

LFR: Em relação às comparações com o Lulu Santos... Como lida com isso?

JS: Acho natural ser comparado a ele. Mas isso para mim é curioso, pois só percebi depois que uma amiga falou. Ela disse que em determinadas passagens de “Anormal” e “Sayonara” nossos timbres se pareciam. É verdade. O engraçado é que a única faixa que compus e suguei do Lulu ninguém percebe. “Versus” é a música mais Lulu Santos, mas passa despercebida, apesar de os arranjos evocarem sua música. A parte de guitarra é uma citação de “Aquilo”. Adoro o Lulu Santos, mas ele não é uma referência direta, assim como os filmes de Almodóvar o são, ele busca nas cores o que eu busco na música. Filmes de Fellini e as trilhas sonoras de John Williams. Enfim, fica um papo meio cult isso...

LFR: Mas se são referências, qual o problema? Enfim, no seu myspace está cravado Rock / Pop / Folk...

JS: São fragmentos de todas essas coisas que me alimentam, mas não me determinam. Ouço muita música folk dos anos 30, mas não sou um cara ROCK, no sentido de ser ROCK! Rs

LFR: Suas canções, independentemente de rótulos soam como perfeitos hits FM...

JS: Isso também foi surpresa para mim. Essa pegada FM. Os editores das minhas músicas falavam que minhas canções não tocariam nas rádios. Achavam que eram muito barulhentas.

LFR: E estão tocando nas rádios?

JS: Está tocando. O Nelson Mota colocou "Anormal" no programa dele, o Sintonia Fina. Foi super carinhoso com o meu trabalho.

LFR: Como estão as vendas de "Anormal"? Como você lida com as mudanças que o mercado atravessa?

JS: Vejo o mercado como uma cara que descobriu que era gay aos 40 anos. Um garanhão que passou a vida a caça de mulheres, mas que até agora não conseguiu sair do armário e ser totalmente feliz ou livre para se aproximar de homens. Da mesma forma, ele está super animado pela quantidade de coisas que terá para experimentar e descobrir. Desde que pintou o Napster e com o aumento da pirataria todo mundo está confuso, batendo cabeça. O mercado foi perdendo espaço por uma cilada armada por si. Afinal quem desenvolveu a mídia e os gravadores de CDs e DVDs são os mesmos conglomerados que comandam as gravadoras. Por outro lado, nunca se consumiu e se produziu tanta música, no sentido de acesso à música isto é ótimo para as pessoas e para os artistas que conseguem encontrar com mais facilidade e precisão o seu público. Acho que há uma queda de braço entre muitas bandas que soam parecidas e o gosto ou discernimento musical das pessoas que começa a ficar mais complexo e apurado. As pessoas passaram a buscar o som que tem mais a ver com elas. Não é como antigamente. Você tinha os Beatles e os Rolling Stones, apesar de serem o que são. No entanto, a grana do mercado ainda não entendeu isso e procura às escuras o próximo Los Hermanos. Ninguém vai encontrar o próximo e quem quiser imitar nunca o será. Substitui o espaço aquele que não imitar, este será original o bastante para ser o novo hermano.

LFR: Além da divulgação de “Anormal”, o que mais você planeja para este ano?

JS: Tenho trabalhado no disco de estréia do Mariano Marovatto. Estamos ainda estudando como lançá-lo. Agora, começo a retomar a carreira artística do meu pai, Ro Tapajós, que nos anos 60 e 70 formava a dupla Ro e Carlinhos. Ele havia perdido o tesão. E durante todos esses anos passou compondo e tocando em casa. Abandonou a carreira artística, mas a música esteve sempre ao seu lado. Por isso, quero registrar, não posso deixar passar batido. Já começamos a gravar as bases.

LFR: E o cinema, os filmes... sente falta?

JS: Quero me reaproximar dos filmes e do cinema. Estou dirigindo o clipe de "Anormal" e visualmente tem muito a ver com a capa do disco. Milhares de cabos coloridos e apertados me enlaçando com força. É o que o disco apresenta, são muitos instrumentos, texturas, temperaturas e cores para apenas um cara cantando.

LFR: É verdade. E como foi para que o álbum soasse tão limpo e claro?

JS: O Arnaldo Antunes escreveu sobre isso para o release e é verdade. Afirmo isso com orgulho. Apesar dos muitos instrumentos a minha voz pode ser ouvida graças ao trabalho do Daniel Carvalho. A mixagem dele é excelente.

LFR: Você fez uma participação especial em "Cê". Como rolou o convite e como é o seu relacionamento com o Caetano Veloso?

JS: Tanto o meu trabalho quanto a participação no álbum de Caetano são resultado de um contexto familiar. Meu irmão é amigo de infância do Moreno e desde os 14 anos tocamos juntos, foi ele quem gravou minhas primeiras canções. Fiquei mais próximo do Caetano nos últimos anos. Quando o meu irmão foi produzir "Cê" chamou a minha cozinha, o Ricardo no baixo e o Marcelo Callado para a bateria. O disco tem a ver com o meu som. Caetano é uma influência muito forte na minha vida musical, existem muitas semelhanças entre a gente. Eu estava sempre no estúdio AR acompanhando as gravações. Um dia o Marcelo levou um EP meu, cantado em inglês, que era muito engraçado. O pessoal ficou se divertindo. Aí durante um ensaio sugeriram que participasse no coro em “Herói”. Acabei cantando na música.

LFR: Você compõe muita coisa em inglês? Facilita o teu trabalho?

JS: Gosto da poética em inglês. Frases como Behind my mind – título de faixa incluída em "Anormal" – perdem todo o sentido em português. É uma língua repleta de monossílabos e dissílabos que facilitam o encaixe das palavras na música. Como também te possibilita a criação de termos. Tenho escrito muita coisa em inglês, ouvindo muito folk. Lancei um EP de forma independente e no meu disco incluí algumas faixas em inglês.

LFR: Pretende lançar este material?

JS: Estou compilando as melhores destes três supostos álbuns: "Demênça", "Latênça" e "Clemênça". A primeira parte narra o resdescobrir de um homem e toda sua sexualidade, "Latênça" o carrega para devaneios e experimentações mil, já "Clemênça" é o irônico e jocoso retrato de todo o seu arrependimento. É aquela ressaca moral, mas que também é gostosa e muito rica.

LFR: Jonas Sá ao vivo quando?

JS: Dia 11 de abril. Vou tocar no Cinemathèque Jam Club. Presença confirmada no festival Bananada, que rola no meio do ano em Goiânia.


Eu e da Mata



















Desde o lançamento de seu terceiro álbum, "Sim", em maio de 2007, Vanessa da Mata corre o país apresentando seu novo show. Neste sábado, a cantora aporta no Citibank Hall, na Barra, para única apresentação. No espetáculo, novos sucessos como “Boa sorte/Good luck”, “Vermelho” e “Baú” dividirão espaço no repertório com seus pegajosos hits FM, pescados de seus dois primeiros trabalhos, “Vanessa da Mata” (2002) e “Essa boneca tem manual” (2004), caso da desgastada “Ai ai ai” – destacada como a música mais tocada de 2006 –, além de “Nossa canção” e “Não me deixe só”.

Segundo Vanessa, “Sim” foi seu primeiro trabalho a ser gravado coletivamente. Alçada ao primeiro time da nova geração MPB, ela pôde trabalhar com dois dos produtores mais requisitados do momento: Kassin (“Pela parte harmônica”, diz ela) e Mário Caldato (“Pela bagagem técnica”, completa). O trabalho contou, ainda, com a participação de grandes nomes, como João Donato e Wilson das Neves, além dos jamaicanos Sly & Robbie e o americano Ben Harper.

Para o show deste sábado, Vanessa fez questão de montar um time à altura de seu trabalho em estúdio. A cantora será acompanhada pelos músicos Davi Moraes (guitarra), André Rodrigues (baixo), Cesinha (bateria), Marco Lobo (percussão), Donatinho (teclados) e T Bless (vocais). O resultado de um bate-papo rápido, por telefone, segue na íntegra, abaixo:

LFR: Você esteve nas principais capitais brasileiras e sempre com lotação esgotada. O que mudou desde o início da turnê até o momento?

VM: Estamos basicamente com o mesmo show, acrescentamos apenas mais um backing vocal, além da canção Manguetown, do Nação Zumbi. Depois de todas essas apresentações o show está muito mais redondo e seguro nos arranjos.

LFR: Sobre o álbum, por que decidiu gravar com Kassin e Caldato? O que esperava atingir em termos de sonoridade com eles?

VM: Este foi o primeiro trabalho a ser gravado coletivamente. Optei pelo Kassin pela parte harmônica e o Caldato pela bagagem técnica.

LFR: Como foi o processo criativo?

VM: Conhecia os músicos que trabalham com o Kassin. Eles iam aparecendo no estúdio e a gente começava a bolar em conjunto os arranjos. Nessas horas, o estúdio se transforma em um parque repleto de brinquedos e ficávamos lá nos divertindo. Foi algo muito fresco, diferente dos outros trabalhos. Aquele negócio frio e chato: chega um músico, toca a parte dele e vai embora. Falta coração e alma, falta música naquilo. É estranho...

LFR: Foi a primeira vez que você trabalhou com eles?

VM: Já havia produzido uma canção com Kassin há muito tempo, para o primeiro disco, e foi gostoso esse reencontro. O Kassin tem uma sensibilidade que encaixa com as minhas harmonias e me senti em casa. Em relação ao Caldato, gostava da sonoridade e dos trabalhos que ele havia produzido para o Jack Johnson. Ele foi fundamental para o contato com o Ben Harper. O disco já estava praticamente pronto e ele foi para Los Angeles. Como os dois são amigos, ele apresentou “Boa sorte” ao Ben Harper que ficou encantado com a melodia e perguntou se poderia participar, colocar alguma guitarra, ou colaborar de alguma forma.

LFR: Aí você deve ter dito que iria pensar no caso...

VM: Hehe Não nos conhecíamos e tecemos uma parceria virtual. A música não iria ser incluída no álbum. Só havia escrito a minha parte e sentia que faltava algo à canção. Quando ouvi o resultado, percebi: era ele.

LFR: Você assistiu aos shows dele no Brasil? O que achou?

VM: Sou fã! Já havia assistido a um show em Portugal e pude assistir ao show dele aqui no Brasil. Sensacional!

LFR: Todas as composições de "Sim" são de sua autoria, certo? Por quê?

VM: Sim. Mas existem parcerias, como Ben Harper e Fernando Catatau. Foi o primeiro disco em que utilizei apenas composições minhas. Senti que era o meu momento. Precisava disso e percebi que elas me representavam muito bem. Resolvi arriscar e curti o resultado, acho que o álbum se completou bem.

LFR: Como lida com o fato de ser uma artista surgida em uma década de "eterna" crise fonográfica? Como caminham as vendas do novo disco?

VM: Olha, é complicado. Mas em Portugal conseguimos disco de ouro. No Brasil, após três meses de lançamento também conseguimos um disco de ouro. Acompanho sempre estes portais de venda on-line. Desde que "Sim" foi lançado estou sempre entre o Top 10 do Uol. Acho que no Brasil este é o mais confiável, mas não sei. Estes números virtuais são todos muito esquisitos. É difícil saber com precisão ou confiar. Não é?

É...

domingo, 4 de maio de 2008

Parque

A fim de atiçar a curiosidade da alma, após um dia repleto de tecladas, resolvi caminhar sem compromisso pela Fnac. Percorri prateleiras durante cerca de uma hora até chegar à seção de pocket books, ou melhor, livros para bolsos vazios, ou talvez, livros para jornalistas – profissional da comunicação que gosta de ler, mas ganha mal para escrever.

Não conhecia a obra de Lawerence Ferlinghetti, apenas sua referência histórica dentro do movimento beat. Comprei o livreto a R$ 11 e me pus a ler ainda no ônibus 175, Barra–Central. Oportunamente, o ritmo frenético e louco com que o motorista contornava, em alta velocidade, as sombrias curvas do elevado do Joá e ultrapassava motoristas prudentes era perfeito para o acompanhar desorientado das tortas linhas de Ferlinghetti e seu "(um) parque de diversões da cabeça".

Considerado por muitos o melhor trabalho do autor, este é o segundo livro do fundador da editora e livraria City Lights (em funcionamento até hoje), que lançou grande parte dos autores beat e mudou os rumos da literatura americana da década de 50.

Apresentada em edição bilíngüe, traduzida por Eduardo Bueno e Leonardo Fróes, a obra poética de Ferlinghetti celebra os elementos triviais do cotidiano, a gíria das ruas, a vida simples e também seu amor pela arte. É um emaranhado de memórias, impressões e fragmentos líricos que pintam um quadro em borrões de uma América há muito perdida. O olhar de pintor realça o cenário americano da época, a espiritualidade e a beleza intrínseca a tudo. Como pontua a contracapa, Ferlinghetti evoca Dante, Goya, Chagall, Kafka, Yeats, Hemingway para compor sua principal obra. O título, extraído do livro "Into the Night Life", de Henry Miller, segundo o próprio, é usado fora do contexto original, mas expressa o que ele sentia ao escrever os poemas, algo como um “circo da alma”.

Se na primeira parte, Ferlinghetti grita para o mundo os absurdos da cultura americana e denuncia a sociedade de massas, na segunda, “Mensagens Orais”, o autor registra o clima dos encontros de jazz e poesia que regavam as mentes alucinadas dos beatnicks. São discursos espontâneos concebidos para acompanhamento jazzístico.

– Estes sete poemas devem ser considerados mais como discursos espontâneos, mensagens orais, do que como poemas redigidos para a página impressa. Como resultado de uma experiência contínua de leitura acompanhada de jazz. Permanecem ainda em forma mutante – destaca o autor.

Ao invés de jazz e da oralidade poética de um recital, conformei-me, enfim, com o grunhido estridente dos motores em alta rotação. Compactuavam, ainda, fortes trancos de incessantes trocas de marchas e o uivo lancinante da ventania gelada que preenchia o vazio do coletivo fantasma. Tracei seus primeiros poemas, passei olho na segunda parte e planejei para a madrugada o fechamento, ou terceira parte, que se dá com “Retratos do mundo que se foi”, grupo de poemas selecionado do primeiro livro do autor, Pictures of the Gone World, publicado em 1955 pela City Lights.Trecho de poema “Autobiografia” que definiu a aquisição:

"Sou um lago na planície.
Uma palavranuma árvore.
Sou uma montanha de poesia.
Uma blitz no inarticulado.
Sonheique todos os meus dentes caíram
mas a língua sobreviveu
para contar a história.
Porque sou um silêncio
poético."

sábado, 20 de outubro de 2007

Incubus - Citibank Hall 13.10.07

Olhares gélidos e tensos viajavam apressados pelos corredores do Via Park Shoping. Eram corpos magros, perdidos, tomados pela ansiedade e pelo medo que explodiam de cada semblante: fãs. Pra quem aguardava o primeiro show, no Brasil, de uma banda com seis CDs nas costas, não havia jeito. Satisfazer a todos com o repertório era tarefa impossível. Não deu outra. Os fãs saíram, literalmente, "chutando latinhas" pela falta de determinado hit, daquela outra que marcou o primeiro contato com o som da banda e etc.
Em uma hora e meia de show, os californianos do Incubus compilaram seus 16 anos de carreira em 18 músicas. Como em todo empacotamento musical o resultado não foi dos melhores e talvez por isso não tenha lavado a alma das mais de duas mil pessoas que encheram boa parte do Citibank Hall.
Nice to know you foi o cartão de visitas, muito bem recebido pelo público, a canção foi sucedida pela sua irmã musical, Wish you were here. A galera, ao delírio, entoava em uníssono os pegajosos versos do refrão e identificava, aos primeiros acordes, todas as canções do repertório. Anna Molly, Dig e a urgentíssima Megalomaniac foram responsáveis por momentos catárticos, o público realmente deu um show à parte.

O problema é que o espetáculo, previsto pra estar em cima do palco, muita das vezes vinha de algum crooner inconvenientemente instalado a menos de 10 centímetros da sua orelha. Pouco se ouvia os versos proferidos pelo sujeito de pé no meio do palco, talvez pelo som mal-equalizado da casa. Olhar enviesado daqui, um tranco de ombros acolá. Centenas de Brandon Boyds infestavam o ambiente. O cantor, por sua vez, mantinha-se distante, alheio à empolgação de seus asseclas. Suas excelentes interpretações foram minimizadas pela barulheira da platéia e de sua banda, que infelizmente abafaram a clareza de seus vocais. O Citibank Hall precisa rever seu sistema de som. Problema semelhante ocorreu há alguns meses no show do Velvet Revolver, quando a voz de Scott Weiland mal era ouvida.

Boydmania
No entanto, a emoção do show foi mais do que garantida para as groupies, que suspiraram pelo strip parcial de Boyd. Já os marmanjos puderam, ao menos, se deleitar com a execução tecnicamente perfeita de todas as canções apresentadas pela banda, que não deixou de surpreender. Destaque para o baixista Ben Kenney e para o baterista José Pasillas II.
Suspirar, realmente, era a palavra de ordem. Sem bate-papo com o público a banda arremessou uma música atrás da outra: 15 sem descanso e mais três no bis. O show, no entanto, foi irregular, justamente pela mescla que a banda fez de composições de toda a carreira. As faixas dos primeiros CDs, que fizeram esfriar o meio do espetáculo, destoavam da qualidade e sofisticação das produções de A crow left to murder e Light grenades, dois últimos trabalhos. Era claro notar a evolução da banda e entender o porquê da legião de fãs que se descabelavam e imitavam o líder Boyd.

Imitações ao estilo do cantor foi o que não faltou na noite. Garotos magrelos desfilavam intocáveis, com seus indefectíveis chapeuzinhos pretos, camiseta regata, bermudas, calças largas e tatoos tribais pelo corpo. Flanavam seguros, dentro da fantasia blasé de superstars. Mítico universo Rock n’Roll. Modelo descolado, de boa forma física, trejeitos afetados e excelente voz, o líder da banda congregou em perfeita harmonia groupies histéricas, rockers esqueléticos e surfers bombadinhos, que rezavam à cartilha da persona Brandon Boyd.
Ficou um gosto de quero mais, mistura de indignação, êxtase e encantamento. Uma bandeira do Brasil permaneceu intocada a frente de um amplificador. Para o Incubus o show foi, literalmente, um rio que passou em suas vidas. N
ão há melhor definição. Justamente por isso a faixa Pardon me era a mais aguardada ao final do show. Era o grito de redenção esperado pela platéia carioca, que merece pedido de desculpas triplo: não tocaram uma das faixas mais importantes do repertório, pela demora de vir ao país e pela frieza com que foi conduzida boa parte do show. Com algumas dezenas de obrigados xoxos, o líder da banda se despediu sem se impressionar com a devoção de seus fiéis entusiastas.

Fotos: http://www.flickr.com/photos/taiarock/

sábado, 13 de outubro de 2007

The Hives - The black and white album

Disco novo dos suecos do The Hives é aquilo tudo que você espera e muito mais: explosivo, rápido e intenso. O detalhe que torna o álbum arrasador fica por conta da sofisticação dos arranjos. Os alinhados terninhos brancos, que a banda utiliza como vestimenta para suas performances, agora são devidamente adaptados para dar classe às canções.
Tick tick boom é uma das melhores já escritas pela banda. A faixa abre The black and white album e dá um tapa na orelha de jeito. Os caras não perdem tempo e não escondem o jogo. Se a primeira impressão é a que fica, Tick tick boom dá conta do recado, um single perfeito.
Pianos e teclados em abundância chamam a atenção. A faixa Puppet on a string conta apenas com palmas e singelas notas de piano. Já a instrumental (?!) A stroll through hive manor corridors utiliza apenas um órgão vintage, dos anos 60, e uma bateria eletrônica. Hives minimalista? Era só o que faltava.
A diferença entre este trabalho e os anteriores pode ser notada em menos de cinco minutos de audição. O punk inventivo e experimental do álbum é resultado de colaborações no mínimo improváveis, com os produtores Timbaland e Pharrel Willians. Cortejados pelos gangstas e softcores do R&B e hip-hop americano, eles emprestam o potencial de suas burilações musicais ao punk, cada vez mais pop, de Howlin' Pelle Almqvist e Cia.
Os suecos gravaram cerca de 30 canções para este quarto álbum de carreira. Sete faixas contaram com o toque midas de Pharrel. No entanto, apenas T.H.E.H.I.V.E.S e Well alright! entraram no álbum. Parece que a parceria não deu tão certo assim. Apesar da criatividade, as faixas não empolgam. Já as sessões comandadas por Timbaland também não entraram no disco. A faixa Throw it on me ficou pronta tarde e não pode ser incluída. A banda pretende lançá-la como lado b.
Aos fãs do rock cru e sessentista, soa um tanto quanto esquisita a opção da banda em tecer colaborações com estes medalhões do rap. No entanto, nada mais punk ou politicamente incorreto para o mundinho rocker do que trazer os mano para brincar de fazer som. André 3000, do Outkast, confirmou recentemente à Rolling Stone que só compôs o megaclássico Hey Yah depois de curtir e se esbaldar em um show do The Hives, em Nova Iorque.
Filmes publicitários da Nike e inserções promocionais no Cartoon Network provam à versatilidade punk dos suecos. Performáticos ao extremo, os caras são verdadeiros personagens, perfeitos para a exploração comercial midiática. Tadinho dos punks. Mas hoje em dia são tão previsíveis, não? É hora de aposentar as mofadas jaquetas de couro e esfolar a bunda magra de tanto dançar. Howlin' Pelle Almqvist e sua nervosa gritaria estão intactas. Confira abaixo o vídeo de Tick tick boom. Senhoras e senhores, com vocês: The Hives!


The Hives - Tick tick boom

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Radiohead - Novo álbum

Lançado hoje, pela manhã, o novo álbum do Radiohead, In Rainbows, já pode ser baixado legalmente pela net. A banda disponibiliza o álbum pelo preço que o interessado possa ou queira pagar. Talvez por este motivo a banda se nega a revelar o valor das pré-vendas e do resultado da primeira semana de lançamento. In Rainbows é uma mescla de canções inéditas, algumas do fundo do baú, além de velhas conhecidas dos fãs, por já terem sido apresentadas em shows. Quem optar pela ilegalidade também não fica na mão. Uma procurada básica em qualquer site de compartilhamento de arquivos será bem-sucedida.
As 15 faixas do novo disco são:
"15 Step"
"Bodysnatchers"
''Nude"
''Weird Fishes/Arpeggi"
''All I Need"
''Faust Arp"
''Reckoner"
''House Of Cards"
''Jigsaw Falling Into Place"
"Videotape"

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Radar

* Num post em que Killers, Enemy, Boy Kill Boy, Ian Curtis, prisioneiros e suicidas têm espaço de destaque, deve ser preservada à tentativa de equilíbrio de forças e peso das bombas musicais a serem apresentadas. Cabe, no entanto, ao lúdico, ultra-colorido e performático novo mundo do silverchair, o trabalho de fantasiar a vida como ela não é. Duas pérolas videoclípticas do maravilhoso e esquecido novo álbum do trio aussie, “Young Modern”, foram as escolhidas para a abertura do dia. Ainda sem previsão de lançamento por aqui, o disco, já comentado em extensa resenha por este blog, é um dos mais belos, senão o mais interessante, da carreira destes australianos. Assim como as surpreendentes e inesperadas melodias, os clipes, abaixo disponibilizados, espantam pela produção altamente sofisticada. Abaixo, os dois últimos singles da banda:

“If you keep losing sleep”


“Reflections of a Sound”


* Enquanto Brandom Flowers não aterrisa para o Tim, sua banda, The Killers, não pára de trabalhar em novos projetos. Esta semana, os caras anunciaram que um novo CD, recheado com raridades e lados-b, está para sair. O quinteto conta com a super colaboração de Lou Reed, líder do lendário Velvet Underground, que emprestará sua voz para uma das faixas do novo projeto, “Tranquilize”. Flowers e seus companheiros, de Las Vegas, estão gravando a participação de Reed, em Nova Iorque, com os mesmos produtores de “Sam`s Town”, Flood e Alan Moulder. Segundo Flowers, a participação de Reed é perfeita para o sentimento da canção, que ambos irão interpretar em um dueto. Descrita pelo cantor como a mais depressiva e forte já composta pela banda, ela serve como o maior atrativo ao novo disco, que deve sair até o final do ano. Ainda sem nome, o álbum segue a lógica de consumo dos EUA e promete apresentar muitas surpresas para o público americano, já que os lados b, inseridos no projeto, são canções apenas lançadas como singles na Inglaterra. Como se a distância geográfica e mercadológica impedisse, nos dias de hoje, o soulseek de trabalhar.

* Divulgada a trilha sonora do filme “Control”, que trata da curta vida de Ian Curtis, líder do Joy Division, até seu suicídio. Iggy Pop, Sex Pistols, David Bowie, Kraftwerk e The Killers (novamente) aparecem na trilha. Destaque, também, para as três novíssimas faixas instrumentais do New Order, 'Exit', 'Hypnosis' e 'Get Out', compostas exclusivamente para o filme. Coube ao The Killers regravar ‘Shadowplay’, faixa que vem sendo executada durante os shows que a banda vem fazendo nos festivais de verão europeus. “Control” tem data de estréia prevista para cinco de outubro, lá fora, e enquanto não fica pronto, será precedido por um documentário, também sobre a banda, entitulado “Joy Division”, que estréia mês que vem no Toronto International Film Festival. O jeito é esperar que caia logo na rede. Abaixo o tracklist de “Control”:

New Order - 'Exit'
The Velvet Underground - 'What Goes On'
The Killers - 'Shadowplay'
Buzzcocks - 'Boredom' (live)
Joy Division - 'Dead Souls'
Supersister - 'She Was Naked'
Iggy Pop - 'Sister Midnight'
Joy Division - 'Love Will Tear Us Apart'
Sex Pistols - 'Problems' (live)
New Order - 'Hypnosis'
David Bowie - 'Drive-In Saturday'
John Cooper Clarke - 'Evidently Chickentown'
Roxy Music - '2HB'
Joy Division - 'Transmission' (cast version)
Kraftwerk - 'Autobahn'
Joy Division - 'Atmosphere'
David Bowie - 'Warszawa'
New Order - 'Get Out'

* Canções para frear suicidas. Na sua opinião, que tipo de música faria um potencial suicida desistir de sua asfixiante encruzilhada existencial? Música clássica, smooth jazz, lounge, soul? Nada disso. O presídio de Pentonville, em Londres, escolheu os moleques do indie rock e suas guitarras, para fazer pensar os tais potenciais suicidas instalados na cadeia. The Enemy e Dirty Pretty Things foram os responsáveis por animar os 180 presos, que assistiram à apresentação das duas bandas na capela da casa de detenção Pentonville, anteontem. Em suporte a um programa de caridade, que visa à diminuição de suicídios por homens abaixo de 35 anos, as duas bandas se juntaram ao hall de famosos que já se apresentaram em penitenciárias, como Billy Brag, Metallica, além do rei dos detentos norte-americanos, Johnny Cash. “Foram registrados 67 suicídios nas cadeias britânicas, no ano passado. Este ano, já contabilizamos 59. É preciso fazermos algo a mais para combater a depressão e os demônios que assolam os jovens. O suicídio é a maior causa de morte entre homens com menos de 35 anos”, disse o líder do Dirty Pretty Things e ex-Libertines, Carl Barat. A prisão de Pentonville foi o “refúgio” de Pete Doehrty, em 2006, quando respondia ao processo em que fora pego dirigindo sob influência de drogas, em dezembro de 2005. O Babyshambles, banda atual de Pete, havia sido convidada para tocar, mas foi vetada pelo departamento de serviços da prisão. Dia oito de setembro, um show no Koko club, em Londres, também visa arrecadar fundos para a criação de uma linha telefônica para ajudar na prevenção de suicídios. Os nomes, para a apresentação no Koko, não poderiam ser menos desajustados, a banda Boy Kill Boy e, os esquisitóides magricelas, The Rakes foram os escolhidos para mandar a mensagem sonora de que viver vale a pena.

* Foo Fighters na cena. The Pretender, novo single da banda, já tem clipe na rede. Echoes, Silence, Patience & Grace, novo disco de Grohl, só sai no final de setembro; o ótimo single ganha destaque com um excelente vídeo. Confira:

“The Pretender”


* Danger Mouse é o cara, ou melhor, várias caras. Metade do incrível duo Gnarls Barkley, ao lado do cantor, Cee-lo Green, integrante do Gorillaz e produtor dos mais requisitados e competentes da cena, o perigoso rato está em todas.. Enquanto prepara o sucessor de “St. Elsewhere”, em um rancho, em Atlanta, Danger encontrou tempo para produzir o novo álbum de Martina Topley-Bird, “The Blue God”, que está previsto para sair em 2008. A artista inglesa, que teve seu ótimo disco de estréia, “Quixotic” (2003), indicado como um dos finalistas do cobiçado Mercury Prize inglês é apenas um dos projetos recentes em que o cara está metido. Sem parar, para descanso, o produtor já começou a gravar o novo álbum do ótimo duo norte-americano, Balck Keys. O quarto disco de carreira da dupla de Ohio, sai, também, em 2008, pela Nonesuch.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Ben Harper e etc.




* Pra começar a semana com boas novas, nada melhor do que confirmar o lançamento do mais novo álbum de Ben Harper. O cantor que, no ano passado, deu um verdadeiro baile naquela casa de shows carioca, chega mais cedo do que o esperado com seu novo “Lifeline”. O músico que, em 2006, lançara um ótimo e surpreendente álbum duplo, “Both sides of the Gun”, apresenta um novo trabalho focado na interpretação de repertório fortemente influenciado pela Soul music norte-americana, definido pelo site oficial do artista como um cruzamento de Otis Redding com a era Beggars Banquet, dos Rolling Stones. O resultado é a compilação de 11 novas faixas de Ben Harper e sua banda, The Innocent Criminals, que gravaram o disco sob a inspiração da cidade das luzes, Paris. Em apenas sete dias, trancafiados em uma única sala, os músicos saíram com a nova pérola debaixo do braço. “In the Colors” é o novo single, e o clipe você confere abaixo:




* Duzentos gramas de narcótico, não especificado, além de três animais mortos foram encontrados pela polícia na casa de um polêmico artista da música. Não, dessa vez não se trata de Pete Doeherty. Suas peripécias mais recentes, como o caso dos gatos que continham cocaína no sangue, poderiam muito bem servir à abertura deste post. No entanto, o doido da vez é o violent-rapper norte-americano DMX. Policiais do distrito de Maricopa County, no Arizona, investigam o caso, em que foram encontrados na casa do rapper, três cães mortos, uma variedade de armas de fogo e 200 gramas de um narcótico, não especificado. A alegação sugere que o artista não estava alimentando seus pequenos pitbulls devidamente, por isso a morte dos cães. O advogado de DMX respondeu às acusações, dizendo que os cães estariam sob os cuidados de um criador e que DMX não seria o culpado. DMX é conhecido por suas performances ensandecidas, dignas de um pitbull de rinha.

* O líder do Pearl Jam, Eddie Vedder, fará uma pequena apresentação solo, mês que vem, na premiére do documentário “Body of War”, de Phil Donahue e Ellen Spiro. O filme relata o caso do soldado Thomas Young, que ficou tetraplégico depois servir ao exército americano durante uma semana no Iraque. Vedder compôs duas canções para o filme, “Long Nights” e “No More”. A palavras anti-bush que o cantor proferiu na apresentação da banda no último Lollapalooza foram cortadas pela AT&T, empresa responsável pela transmissão via web das apresentações do festival. Algo semelhante ocorrera, alguns meses antes, com a apresentação do guitarrista Tom Morello (ex-Audioslave e RATM), no Boanaroo Festival. Os episódios, tratados como “erros” pela empresa, desvelam a censura que rola na surdina da celebrada liberdade de expressão norte-americana. Polêmicas a parte, Vedder anda envolvido com a produção de material para o novo filme de Sean Penn, “Into the Wild”.

* Uma garrafada na cabeça, seqüenciada por um nocaute. Isso lhe diz alguma coisa? Talvez. Duas garrafadas na cabeça, será que isso lhe diz alguma coisa? Quem sabe. Alguma mensagem subliminar, na questão? O alvo dos ataques é o circense trio de Las Vegas, Panic! At the Disco. Mistério solucionado. Agora sim, isto nos diz muita coisa. Os integrantes da “banda” americana também estão afogados em dúvidas e, matutam, até agora, sobre o porquê de tamanho desprezo. A platéia do Reading Festival, na Inglaterra, porém, sabe muito bem quais as razões que levaram a tal efusivo ato. O trio é uma farsa digna de Las Vegas. Fachadas coloridas, imponentes e que refletem nada mais do que um árido delírio de cores e sofisticação no meio de um deserto de criatividade insossa. Las Vegas é legal, assim como o Panic! At the Disco. Dá pra entender? Ou melhor, representa a ostentação do mais ridículo ideal de desenvolvimento norte-americano. O néon como símbolo do mau gosto. Talvez por isso tudo, mas com foco na música, que no ano passado o vocalista da banda foi alvo de certeiras garrafadas. Já este ano, o objeto da ação foi o baixista Jon Walkers; devidamente atingido durante a execução da música, 'Lying Is The Most Fun A Girl Can Have Without Taking Her Clothes'. Não sou defensor de garrafadas à la Carlinhos Brown, mas como são sensatos estes ingleses!

* A esperada turnê norte-americana do The Cure foi adiada. As datas iniciais, previstas para setembro e outubro de 2007, foram re-agendadas para abril e maio do ano que vem. Os garotos americanos choram por uma boa razão, no entanto: Robert Smith finaliza o novo álbum de inéditas da banda, que será duplo. Vale a pena esperar.

* Gravadoras decidem rivalizar com o gigante Itunes. Encabeçado pela Sony-BMG, Universal, além de outras companhias, o projeto Gbox pretende competir com o mais famoso portal de download, pago, de música. O serviço, disponível a princípio para os EUA, conta com o apoio da Google, como anunciante, e oferece cada faixa a 0,99 cents. Enquanto grande parte das gravadoras ainda insiste em vender seus acervos digitais com o sistema anti-cópias embutido, as músicas compradas através do Gbox chegam ao ouvido do consumidor sem a ultrapassada e irritante tecnologia de proteção. O projeto pretende utilizar sites de relacionamento como MySpace e Orkut para venda música. Doug Morris, executivo do Universal Music Group, declarou à BBC que o comprometimento de sua companhia é somente o de explorar novas formas de disponibilizar o conteúdo musical de seus artistas. Segundo o executivo, o que interessa é facilitar o consumidor, fazendo com que este encontre, em cada vez mais portais, música

* Na lista pop da semana, chancelada pelo portal NME, tem o Maximo Park nas cabeças. Com o single 'Girls Who Play Guitars' Paul Smith desbancou o fraco, e super celebrado pelos indies afoitos, The Cribs, e seu single 'Moving Pictures'. A novidade da semana é a chegada do novo single do Kaiser Chiefs, a ótima “Angry Mob” (clipe abaixo), uma das melhores canções do último álbum da banda, “Yours Truly, Angry Mob”.

1. Maximo Park - 'Girls Who Play Guitars'
2. The White Stripes - 'You Don't Know What Love Is..'
3. Kaiser Chiefs - 'The Angry Mob'
4. The Cribs - 'Moving Pictures'
5. The Pigeon Detectives - 'Take Her Back'
6. Peter, Bjorn and John - 'Young Folks'
7. The Twang - 'Two Lovers'
8. The Enemy - 'You're Not Alone'
9. Hard-Fi - 'Suburban Knights'
10. The Rumble Strips- 'Girls And Boys In Love'




terça-feira, 14 de agosto de 2007

Radar















* Ansiedade zero! O filmaço dos Rolling Stones que o gênio-diretor Martin Scorsese prepara teve a data de lançamento bastante adiada. A pérola musico-cinematográfica, que registra uma apresentação de Mick Jagger e o cheirador de papai Keith Richards, só será lançada em abril de 2008, nada menos do que oito meses de atraso em relação a data anterior, que vislumbrava um possível lançamento para o próximo mês, dia 21 de setembro. De acordo com uma fonte próxima do diretor, o prazo inicial seria extremamente curto para a finalização do projeto. Uma outra hipótese para o adiamento seria a atual turnê dos Stones, que se encerra no final deste mês. O infeliz Michael Vollman, diretor da Paramount, fez ainda o favor de declarar solenemente a revista Variety que o mês de ABRIL DE 2008 seria a melhor agenda para o lançamento do projeto. “Temos um fantástico trailer e pôster. Precisamos de tempo para termos o filme lançado no melhor momento do mercado”. – disse a insuficiência.
O White Stripes Jack White participa do show (foto acima), fazendo, portanto, uma ponta de responsabilidade no filme dos Stones, que foi registrado no Madison Square Garden, Nova Iorque, em novembro de 2006. Abaixo, confira o novo clip/single da dupla "You Don`t Know What Love Is". Sensacional.

The White Stripes – “You Don`t Know What Love Is”


* Eddie Vedder e a líder dos Yeah Yeah Yeahs, Karen O, estão cotados para participar da trilha sonora de um novo filme sobre Bob Dylan. “I`m Not There” apresenta em sua trilha Karen O interpretando versão para "Highway 61 Revisited" e Vedder para "All Along The Watchtower". Estas são apenas duas colaborações das mais de 30 canções que farão parte de um álbum duplo a ser lançado no final de outubro. O filme conta com atores e atrizes de peso, como Cate Blanchett e Heath Ledger, que interpreta Bob Dylan, em diversos estágios da carreira do trovador canadense mais importante do século passado. A estréia do filme está marcada para o dia 21 de novembro nos EUA. Aqueça seu Bit Torrent! Abaixo alguns dos covers da lista de artistas selecionados para o projeto:

'All Along The Watchtower' - Eddie Vedder and the Million Dollar Bashers
'Can You Please Crawl Out Your Window' - The Hold Steady'
'Dark Eyes' - Iron & Wine and Calexico
'Fourth Time Around' - Yo La Tengo
'Highway 61 Revisited' - Karen O and the Million Dollar Bashers
'I Wanna Be Your Lover' - Yo La Tengo
'I'm Not There' - Sonic Youth
'Just Like A Woman' - Charlotte Gainsbourg and Calexico
'Knockin' On Heaven's Door' - Antony & The Johnsons
'Mama You've Been On My Mind' - Jack Johnson
'The Man In The Long Black Coat' - Mark Lanegan
'Ring Them Bells' - Sufjan Stevens
'Senor (Tales Of Yankee Power)' - Willie Nelson and Calexico
'Simple Twist Of Fate' - Jeff Tweedy
'Stuck Inside Of Mobile With The Memphis Blues Again' - Cat Power
'Wicked Messenger' - The Black Keys

* E o tenente Reznor não pára. O líder do Nine Inch Nails anda mais doido do que em seus áureos tempos de artefatos sintéticos pesados. De vento em popa com suas esquizoideas Reznor vocifera em direção a cartada final de seu "Year Zero" marketing plan. Brincadeiras a parte, o cara anda realmente empenhado em fazer de sua última obra-bruta, o apocalíptico disco “Year Zero”, um programa de TV. E já tem gente interessada na doideira. Reznor declarou a um jornal britânico que as negociações a respeito de um seriado relacionado ao conceito(?!) de "Year Zero" estão em andamento acelerado. “Temos um produtor encarregado e já nos encontramos com alguns roteiristas”, disse o líder do NIN. Abaixo o clipe de “Survivalism”, que mostra a banda enquadrada nas telas de um sistema segurança. É a sociedade de controle de Burroughs presente no ultra-realismo de alta definição de Reznor.

NIN – “Survivalism”


* John Lennon via itunes. Para quem utiliza este meio para fazer download “legal” de músicas, a boa nova é que o catálogo do beatle mais genial, John Lennon, está disponível, a partir desta semana, no Itunes. Ao todo são dezesseis discos prontos para download. Pago. Yoko declarou que Lennon, se tivesse vivo, estaria muito contente em ver sua música em um formato adequado para a nova geração de consumidores de música. Entre os álbuns estão John Lennon/Plastic Ono Band, Sometime in New York City, Walls and Bridges, Milk and Honey, e Working Class Hero.

* LCD Soundsystem e Arcade Fire se juntam para produzir um novo single, dividido entre as duas bandas em vinil. A bolachinha, que sai em edição limitada – disponível para venda durante a tour que as bandas realizam em setembro nos EUA e no website dos dois artistas –, conta com cover do LCD Soundsystem para "No Love Lost", do Joy Division, e o Arcade Fire encarnando o espírito do genial francês Serge Gainsbourg, em "Poupee de Cire". James Murphy (sistema de som LCD) prepara ainda o lançamento de um novo EP, "A Bunch of Stuff" composto por remixes do último álbum "Sound of Silver", além do famoso cover do Franz Ferdinand para "All My Friends".

* Oasis se prepara para o lançamento de mais um DVD, mas não é só isso o pacote é duplo! “Lord Don`t Slow me Down” tem data de lançamento prevista para dia 29 de Outubro, lá fora. O material é o registro da última turnê dos irmãos Gallagher em forma de um on-the-road-film. O documentário registra a passagem dos músicos por 26 países, contando com cerca de mais de dois milhões de fãs. Entrevistas com todos os integrantes da banda e filmagens de backstage também fazem parte do filme que foi rodado por Baillie Walsh, diretor que já trabalhou com Massive Attack, New Order e Kylie Minogue. O segundo DVD conta ainda com um show de dezesseis canções que a banda realizou no Eastlands Stadium, do clube de futebol Manchester City, em julho de 2005. Enquanto isso o Oasis prepara um novo trabalho, a ser lançado em 2008.

* Os suecos mais explosivos do universo, The Hives, anunciaram o nome do novo e super esperado quarto disco de carreira, “The Black And White Álbum”. O álbum será lançado no inicio de outubro na Inglaterra, isso quer dizer que no final de setembro poderemos começar as buscas internéticas por faixas devidamente vazadas. O single “Tick Tick Boom” será lançado dia 24 de setembro e as novidades dos caras já podem ser apreciadas através de um remodelado e interessantíssimo website:
http://www.thehivesbroadcastingservice.com/. Em declaração a NME, o líder da banda, Howlin' Pelle Almqvist se disse frustrado com a demora durante o processo de gravação do álbum, que acabou por ser registrado em sete estúdios diferentes. Almqvist disse ter sentido na pele o problema que leva Axl Rose a adiar infinitamente “Chinese Democracy”.

* Por falar em Axl, Slash & Cia., segue preciosidades do mundo Rolling Stone via web. Abaixo dossiê Guns and Roses com entrevistas das antigas com Axl Rose, Slash e banda. Confira!
http://www.rollingstone.com/news/story/15808548/axl_rose_the_rolling_stone_interview
http://www.rollingstone.com/news/story/15808331/slash_the_rolling_stone_interview
http://www.rollingstone.com/news/story/15808339/guns_n_roses_outta_control_the_rolling_stone_cover_story
Seguindo na RS web... Pergunte a David Fricke, editor sênior da Rolling Stone gringa, o que você quiser. Ou, se preferir, confira as respostas do colunista no link abaixo. Vale a pena, Fricke conta interessantes passagens desua carreira e alguns hábitos particulares. http://www.rollingstone.com/news/story/15857960/ask_david_fricke_frickes_picks_columnist_and_rolling_stone_senior_editor_answers_your_questions



* Agora é hora de novidade. Discos e singles lançados na Inglaterra e EUA esta semana: entre os destaques, novo e nono álbum de carreira dos rappers americanos do Public Enemy, lançado ontem, além do novo single dos reis do subúrbio Hard-Fi, “Suburbian Knights”. Quem lança single também é o pentelho Kanye West, que vem com sample de “Stronger”, do Daft Punk. Aliás torçamos para que o novo disco de Kanye venda muito bem, se possível e com estranha sinceridade faço votos para que comprem o CD do cara. É que rola uma disputa entre ele e 50Cent. A Coisa, 50Cent, declarou que se o seu novo trabalho "Curtis" vender menos que o de West ele abandona a carreira de rapper. Deus te ouça meu filho.

Seguindo a onda de lançamentos e singles, segue abaixo o verdadeiro chart show, o mais hype de todos, e por que não o mais obtuso deles. NME Chart Show apresenta os indies da semana, com o The Pigeon Detectives liderando a parada e desbancando o Maximo Park. Isso enquanto os novos singles do White Stripes, Hard-Fi e o novíssimo “Mammoth”, do Interpol, não ganham fôlego.

1. The Pigeon Detectives - 'Take Her Back'
2. Maximo Park - 'Girls Who Play Guitars'
3. The Cribs - 'Moving Pictures'
4. Hard-Fi - 'Suburban Knights'
5. Interpol- 'The Heirich Maneuver'
6. The White Stripes - 'You Don't Know What Love IT (You Just Do What You're Told)
7. Biffy Clyro - 'Folding Stars'
8. The Twang - 'Two Lovers'
9. The Rumble Strips - 'Girls And Boys In Love'
10. The Enemy - 'You're Not Along'
Abaixo, clipe da excelente “Suburbian Knights”, Hard-Fi rumo ao topo.


Hard-Fi – “Suburbian Knights”



Álbuns lançados:
Architecture In Helsinki - 'Places Like These'
Public Enemy - 'How You See To A Souless People Who Sold Their Souls'
Andre 3000 - 'Class of 3000'
You Say Party! We Say Die - 'Lose All Time'
The Coral - 'Roots & Echoes'
White Rabbits - 'Fort Nightly'