NOTAS SOLTAS E RUÍDOS ESCRITOS

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Festival Indie Rock - Lucas Santtana e Hurtmold

Com um Circo Voador ainda repleto de moscas o baiano Lucas Santtana abriu em alto estilo a primeira noite do Festival Indie Rock. Com o seu dub cafundido com metais e cavaquinhos reverberisados o show abre-alas de Lucas foi realmente um festival de coloridos paetês e serpentinas musicais. Navegando entre a sonoridade jamaicana e os ritmos característicos dos morros cariocas Lucas passeou com fluência entre suas jam sessions espaciais, canções instrumentais e releituras inusitadas.

O bom clima das faixas instrumentais sempre apoiadas na intensidade percussiva do Trio Onilu (Leo Leobons, João Gabriel e Leo Saad), nos metais à cargo da dupla Leandro Joaquim (trompete e fluguelhorn) e Maurício Zacharias (trombone), junto às guitarras carregadas de reverb, wah wah e delay de Bruno Levi davam ao público uma resposta à altura da atmosfera alive captada e registrada no último Cd de Lucas “3 sessions in a greenhouse”.

Os músicos, no início do show, de fato, pareciam se divertir mais do que a platéia, e a instrumental "Awô Dub" foi o cartão de visitas da banda que acompanha o artista, Seleção Natural. Só depois o músico resolveu aparecer na linha de frente empunhando seu cavaquinho. Negro cavaquinho que, diga-se de passagem, soou baixo e foi engolido grande parte do tempo pelos outros instrumentos. Aos poucos Lucas assumiu seu posto de reverberador de ambiências, através de suas originais divisões métricas e melódicas. Acanhado, o músico foi tirando de seu chapéu as particularidades de seu rico universo verde e arrancando de seu franzino e contido gestual canções que definitivamente quebraram o gelo da pequena platéia, que pouco a pouco ganhava corpo no Circo.

“Lycra-Limão” segurou bem o baile recheado de groove proposto por Lucas. Aliás, balanço, groove e movimento eram as palavras de ordem. As tortuosas e bem conduzidas linhas de baixo de Ricardo Dias foram até o final do show os fios condutores que não deixaram em momento algum a platéia parada. Santtana apresentou ao público do Circo Voador uma banda muito bem entrosada, que atacou em diversas frentes musicais, passando pela interessante releitura do partido-alto “Faixa Amarela”, de Zeca Pagodinho, por “Ogodô ano 2000”, de Tom Zé e pelo pancadão funk, cada vez mais na moda entre os indies, da faixa “Pela Orla dos Velhos Tempos”, Nação Zumbi – que toca hoje em substituição ao Mombojó, junto com Móveis Coloniais de Acaju e os pós-Libertines, The Rakes.

Empatia com o público garantida, Lucas tratou de fechar o show com uma das canções mais interessantes de seu repertório “Tijolo a Tijolo, Dinheiro a Dinheiro”, e certamente deixou a platéia com gostinho de quero mais. Aliás o único senão da primeira noite do Festival Indie Rock, foi justamente a escalação do show de Lucas antes do puramente instrumental e quadrado grupo paulista Hurtmold.

Os paulistanos de Pinheiros apresentaram um emaranhado musical até certo ponto inventivo e bem trabalhado, com os músicos se revezando em instrumentos diversos e em total sinergia no palco. O problema é que a falta de traquejo ou balanço de suas execuções foi o que mais chamou atenção. Tal qual uma narcísica masturbação musical o sexteto paulista ao menos atingiu o gozo ao final da festa, achando o groove, a maldade ou malemolência nos últimos instantes de sua fria, mas bem recebida, apresentação.

Escalar uma banda instrumental para segurar a platéia antes dos Magic Numbers foi uma atitude arriscada da produção, mas o público, que a essa altura já enchia boa parte da casa, parecia tão inebriado com a possibilidade de assistir os gordinhos ingleses que nem chiou ao ter que esperar pelo fim do Hurtmold. Saldo positivo do primeiro dia, a seguir resenha do espetacular show dos Magic Numbers.

Para baixar "3 sessions in a greenhouse" acesse:
http://www.diginois.com.br/

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Radar Pop #01






Alô, alô! Esse é o primeiro e experimental programa do blog, agora rádio, Radar Pop. A idéia é fazer um balanço semanal do que de melhor rola na cena rock, indie, pop, soul e etc. O programa foi gravado dia 14 de julho, mas só agora foi possível colocá-lo no ar. Alguns detalhes ainda por serem acertados, como o buffer do nosso player, que rola no esquema pause and play. É só pausar no ínicio da execução e deixar o radinho amarelo ficar pilhado! Como o que importa é começar, a gente segue à risca o lema com o pé na porta conduzido em grande estilo. Sobe o som, comente e espalhe o quanto quiser!

Set List:
01 - Interpol - "The Heinrich Maneuver"
02 - Kings of Leon - "On Call"
03 - Smashing Pumpkins - "Tarantula"
04 - Black Rebel Motorcycle Club - "Weapon of Choice"
05 - The Polyphonic Spree - "[Section 23] Get up and Go"
06 - The Bravery - "Believe"

B.G:
LCD Soundsystem - "Get Innocuous"
Datarock - "I used to Dance with my Daddy"
CSS - "Let`s Make Love and Listen to Death from Above"

Edição:
H.S. Raposo

terça-feira, 17 de julho de 2007

Radar

* Os Yeah, Yeah, Yeahs, liderados pela exótica Karen O., lançam a crua “Down Boy” como single do novo EP “Is Is”. As cinco canções que formam o EP foram gravadas em 2004, durante as turnês para a promoção do álbum “Fever to Tell”. Um dos momentos mais turbulentos e emocionalmente instáveis pelo qual a banda já passou, acabou sendo responsável por estas canções que exalam energia sexual e erótica impressionante. O trio nova-iorquino fez questão de registrar em vídeo uma apresentação ao vivo das cinco composições, no último dia 07 de maio no Glasslands Gallery, no Brooklyn. Co-dirigido por KK Barrett e Lance Bangs (diretor de vídeos de Sonic Youth e Nirvana), e filmado em efeito night-vision – conhecido por sua utilização em guerras –, a faixa “Down Boy” foi a escolhida como primeiro vídeo a ser lançado deste Ep, que contou com a produção do cada vez mais requisitado Nick Launey. "Is Is" - EP TRACKLIST: 1.Rockers to Swallow 2.Down Boy 3.Kiss Kiss 4.Isis 5.10x10


* Ao falar em Nick Launay chegamos aos, agora indie, australianos do Silverchair, que tiveram seu último e impressionante álbum “Young Modern” produzido por Launey, em seu Underbelly Studios. Daniel Johns e cia. estão nos EUA depois de um longo período afastados da mídia local, para fazer programas de televisão e para uma mini turnê, que conta com a presença do trio no festival Lollapalooza. Infelizmente os cangurus chegaram dando zebra. Acometido por uma terrível laringite Daniel quase explodiu sua garganta em recente apresentação do single “Straight Lines” no programa de Jay Leno. A infecção atrapalha as pretensões da banda em retomar espaço de destaque no universo do rock alternativo norte-americano, tanto devido a má apresentação em um programa do alcance de Leno, quanto pelo cancelamento de quatro importantes datas na Califórnia. Pra quem ainda não ouviu “Young Modern” vale o conselho: não perca tempo e baixe quando puder, já que não há sinal algum do discaço por aqui. Abaixo o vídeo da trágica e angustiante performance de Daniel. Vale ao menos para mostrar o quanto o cara da alma pela música que produz.



* O blog/site Stereogum, um dos mais influentes do mundo, prepara uma coletânea para celebrar os dez anos de lançamento do seminal “OK Computer”, do Radiohead. Uma das bandas escaladas para o projeto são os indies californianos do Cold War Kids. Os caras gravaram a faixa “Electioneering”, que segundo o vocalista Nathan Willet, não é a melhor do álbum, mas sim a mais badass de todas. Você pode fazer o download da faixa e dos outros covers que compõem o projeto através do site Stereogum ou pelo link direto: http://www.stereogum.com/okx/

* Seguindo de Radiohead. Thom Yorke e seus comparsas estão masterizando, em Nova Iorque, o super aguardado sétimo álbum de carreira da banda. A data de lançamento para o sucessor de “Hail to the Thief” (2003) ainda não está definida, mas cogita-se a possibilidade de que até o fim do ano o CD seja lançado.

* Quem também prepara um novo e aguardado CD é o Ganrls Barkley, duo capitaneado pelo cantor Cee-lo Green e pelo produtor Danger Mouse. De acordo com recentes declarações, Mouse anda cauteloso e afirma que não tem interesse em produzir um novo “Crazy” – hit-single que acabou por obscurecer o restante do álbum “St.Elsewhere”, lançado pela dupla em 2006.

* NME Hype Chart Show da semana
1. Yeah Yeah Yeahs - 'Down Boy'
2. Biffy Clyro - 'Folding Stars' (Clipe abaixo)
3. The White Stripes - 'Icky Thump'
4. Interpol - 'The Heirich Maneuver'
5. The Cribs - 'Moving Pictures'
6. Bloc Party - 'Hunting For Witches'
7. Smashing Pumpkins - 'Tarantula'
8. Dizzee Rascal - 'Old Skool'
9. Queens Of The Stone Age - 'Sick, Sick, Sick'
10. Tokyo Police Club - 'Your English Is Good'


* Saiu lista dos indicados a melhor álbum do Mercury Prize inglês. Os ganhadores do ano passado, Arctic Monkeys, com o álbum “Whatever People Say What I Am, That's What I'm Not”, estão novamente no páreo, desta vez com o segundo álbum de carreira “Favourite Worst Nightmare”. O quarteto de Sheffield pode ser o primeiro artista a faturar dois Mercurys seguidos. O rapper Dizzie Rascal, ganhador do Mercury em 2003 com o album “Boy in da Corner”, também está na jogada com o novo trabalho “Maths & English”. Álbuns de estréia de bandas como Klaxons, Maps, Jamie T e The View, também concorrem ao premio, que será realizado em setembro. Abaixo, os indicados:

Arctic Monkeys - 'Favourite Worst Nightmare'
Klaxons - 'Myths Of The Near Future'
Amy Winehouse - 'Back To Black'
Maps - 'We Can Create'
The View - 'Hats Off To The Buskers'
Jamie T - 'Panic Prevention'
Dizzee Rascal - 'Maths & English'
Bat For Lashes - 'Fur And Gold'
Young Knives - 'Voices of Animals And Men'
Fionn Regan - 'The End Of History'
New Young Pony Club - 'Fantastic Playroom'
Basquiat Strings - 'Basquiat Strings'

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Interpol - "Our Love to Admire"

How`re the tings on the west coast ?













O verso mais comentado do momento é a indagação ou deixa para o início de mais uma jornada ao sombrio universo do Interpol. A frase é o que Paul Banks, líder do quarteto nova-iorquino, vocifera na abertura do mais novo single da banda, The Heinrich Maneuver. Nova Iorque anda mesmo precisando de um grito de alerta. Junto aos Strokes, Yeah, Yeah, Yeahs e The Rapture, o Interpol fecha o “quarteto fantástico” de boas bandas surgidas a partir de 2000, numa cena que anda um tanto quanto parada ou como comentam por aí, infestada de hipsters!

Por enquanto a pergunta de Paul Banks serve de alento, pra dizer que a banda ainda está na área. Sofrendo na costa-leste por frustrações amorosas ancoradas no lado do Pacífico, o cantor flerta com o trágico, seja através de suas letras romântico-niilistas, quanto pelas guitarras e vocais cortantes e cada vez mais elétricos. O vozeirão monotônico e encorpado de Banks ainda é responsável por cerca de 70 por cento da aura soturna que envolve a banda, que, analisando friamente, fez até hoje um rock simples, cru em boa parte das canções, mas sempre desenvolvido sob uma atmosfera climática e de grandes ambiências.

Ao unir os solos espaciais da guitarra de Daniel Kessler às levadas e ritmos dançantes criados pelo baterista Sam Fogarino e pelo baixista Carlos D, o Interpol se conecta a um universo caótico, ainda mais urgente e apocalíptico em seu terceiro álbum, “Our Love to Admire”. Diferente dos trabalhos anteriores, as novas composições foram desenvolvidas a partir de bases de teclado, como se o Interpol tivesse incorporado um quinto membro oficial a seu line-up. A utilização expressiva das teclas pode ser notada desde a primeira e ótima faixa, Pioneer to the Falls, e pluraliza a sonoridade de uma banda, que sempre vislumbrou em seus obscuros arranjos uma grandiosidade paradoxal às sensações de clausura e introspecção geradas por suas canções.

Produzido por Rich Costey – mentor dos dois últimos álbuns do Muse, “Absolution” e “Black Holes and Revelations”, e também do último do Franz Ferdinand –, “Our Love to Admire” é repleto de novas e orquestrais texturas, que garantem, através dos sintetizadores, ainda mais peso e sofisticação ao som da banda. Não que o resultado supere em definitivo o clássico álbum de estréia “Turn on the Bright Lights” (2002) ou hits como Evil, do também aclamado “Antics” (2004), segundo álbum de carreira. Suas novas e densas onze canções, atravessam o ouvinte com a rapidez e o impacto de um raio, que ilumina o caminho nebuloso em que perpassam com cada vez mais freqüência superficiais bandas do cenário rock-camisa- pólo inglês ou dos emos norte americanos.

Como um pregador sinistro e altamente convincente Paul Banks rege com segurança o som de sua banda, influenciada pelo pós-punk inglês de The Cure, Echo and the Bunnyman e Joy Division, mas sem emular seus lideres, Robert Smith, Ian McCulloch e Ian Curtis respectivamente. O que os diferencia de sua imediata linhagem musical é a América, mas precisamente o caos nova-iorquino proferido pelas notas tortuosas, distorcidas e pesadas dos riffs desenvolvidos por Banks e principalmente por Kessler. A melancolia inglesa é transformada em catárticas intervenções de Paul Banks e cia, que têm nas faixas No I In Threesome, Mammoth e Rest My Chemistry grandes momentos de “Our Love to Admire”.


O novo trabalho marca muito bem a diferença entre o Interpol e aquilo que seria a resposta inglesa ao sucesso da banda, os ingleses do Editors, que acabam de lançar seu segundo álbum, o irregular “An End has a Start”. O quarteto de Birminghan ainda não conseguiu exorcizar os perturbadores fantasmas de Ian Curtis, e seu líder, Tom Smith, parece viver no limite entre esquizofrenia, dupla personalidade e idolatria desmesurada. “Our Love to Admire” posiciona o Interpol como uma das forças mais intensas do cenário atual. Passionais do início ao fim, eles são a prova de que carga emocional sincera, longe do melodrama emo, ainda é possível e extremamente necessária ao rock moderno.

Confira:
www.myspace.com/interpol

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Radar

* Sean Penn + Eddie Vedder = Coisa boa! O líder do Pearl Jam assina novíssimas canções para o filme "Into the Wild", dirigido por Sean Penn e com estréia prevista para o final do ano nos EUA. Além de Vedder, que escreveu praticamente um álbum inteiro para o filme, o premiado compositor Gustavo Santaolla (Brokeback Mountain, Babel) também está na jogada. Acho que esse filme vai ser duca!

* Conversa mole. Quinto e novo álbum dos White Stripes, “Icky Thump”, sai semana que vem via Warner. Depois de afirmar que os disquinhos haviam sido quebrados, devido a uma normativa da WMG(sede)... Surpresa! (rs) Os álbuns estão intactos e vão pra rua. A Warner confirma também data de lançamento para “Zeitgeist”, novo álbum dos Smashing Pumpkins, dia 22 de julho. Abaixo o clipe do single “Tarantula”:


* Macacos muito conscientes! Os rapazolas de Sheffield, Arctic Monkeys, decidiram não participar do Live Earth 2007, projeto musical do ecologicamente esperto e chato Al Gore. Em entrevista a agência francesa AFP o baterista Matt Helders disse que só em iluminação para o show gastariam a energia necessária para o funcionamento de dez casas(?!?!) e que seria hipocrisia participar de um festival deste porte(?!?!). Hummm

* A juíza pé-no-saco carioca liberou, enfim, a realização do Live Earth no Rio. Será o único evento do projeto que será de graça. Mas aturar Xuxa, O Rappa e alguns mais para assistir Leny Kravitz não vale a pena. Se Pharrel viesse com sua banda N.E.R.D talvez seria mais interessante, já que seu disco solo é um tanto quanto decepcionante. E aí, você vai?!

* Produtores do álbum de estréia dos new-reavers, Klaxons, "Myths of the Near Future", e do segundo dos Arctic Monkeys, "Favourite Worst Nightmare”, o duo inglês de electro-pop Simian Mobile Disco chega aos EUA com o lançamento do "Simian Móbile Disco EP", que conta com o hit "Tits & Acid", além de mais três faixas, dentre elas a inédita “3 Pin Din”. Ainda na praia eletro-pop... O Hot Chip prepara novo CD e já conta com seis faixas praticamente prontas. As novas canções, para o sucessor do aclamado, mas não tão interessante assim (podem tacar pedras), “The Warning”, devem soar um tanto quanto diferentes, já que foram gravadas ao vivo, como uma banda. Segundo Joe Goddard, o novo som é mais cru, distorcido e mais alto! Esperar pra ouvir...

* Os moleques do The Enemy assinaram contrato com a Warner UK e lançam seu disco de estréia "We`ll leave and die in theses towns". Abaixo o clipe de "Had Enough":



* Paul Weller e Grahan Coxon realizam parceria e lançam Ep com três canções inéditas. Lançado digitalmente dia 02 de julho, o single do pequeno e interessante projeto é a faixa 'This Old Town,' parceria de Coxon/Weller. 'Each New Morning' é composição de Coxon e 'Black River' de Paul Weller. Rasgações de seda a parte, quem sabe um CD não vem em seguida. Isso interessa!

* Um novo Ep do Placebo está para sair este mês. Brina Molko e Cia. Anunciaram novidades de seu “Extended Play 07”, que será lançado nos EUA dia 31 de julho e contará com oito faixas, cinco clássicos mais três canções ao vivo. O novo ep serve como suporte a entrada do Placebo na Projekt Revolution Tour. Turnê idealizada pelo Linkin Park que cruza os EUA neste verão (lá) e que conta com My Chemical Romance e Taking Back Sunday.

'Extended Play '07' tracklist:
'Nancy Boy'
'Every You Every Me'
'Taste In Men''Bitter End'
'Meds'
'Pure Morning' (live from Arras)
'Infra-Red' (live from Nimes)
'Running Up That Hill' (live from Santiago)

* No post abaixo resenha de Regina Spektor e o delicioso "Begin to Hope".

terça-feira, 3 de julho de 2007

Regina Spektor - "Begin to Hope"

Moscovita, radicada no barra-pesada Bronx desde os nove anos, Regina Spektor graduou-se em piano clássico e, hoje, sem o menor embaraço adiciona batidas de hip-hop, instrumentos de sopro e singelos riffs de guitarra às suas composições. Spektor já causa burburinho na cena do Lower East Side nova-iorquino há mais de cinco anos. Seus primeiros e hipnotizantes shows ocorridos em centenas de pequenos clubes locais ganharam proporções inimagináveis para a moça tímida de cabelos castanhos ondulados, olhos azuis e lábios generosamente avermelhados.

Filha de judeus russos que imigraram durante o regime da Perestroika, a cantora, de 27 anos, transmite candura; seu estereotipo alude a um fetichismo recatado. Sapatos bicolores, vestido sobre os joelhos, olhar melancólico, como o de uma boneca – não pela beleza, mas sim pelo desajeitado de seu gestual, vide o clipe "Fidelity". Dona de uma voz cristalina e precisa, Regina Spektor é, hoje, uma das mais inventivas compositoras e intérpretes da música pop norte-americana. Apesar de ser comparada, no início de sua carreira, a outras cantoras e pianistas como Fiona Apple e Tori Amos, Spektor bebe de fontes distintas e mais louváveis, que vão de Beatles a Frédéric Chopin.

Contratada pela Sire, ela distribui via Warner seu quarto disco de carreira “Begin to Hope” – “11:11” e “Songs”, foram os dois primeiros, produzidos e distribuídos de forma independente. “Soviet Kitsch”, de 2003 já trazia o espectro, apesar de menos instrumentação, do que viria a ser este novo e excelente trabalho. O álbum anterior, gravado em apenas dez dias, serviu de passaporte para o contrato com a Sire, além de catapultar Spektor definitivamente para o mainstream, em colaborações e turnês ao lado de artistas como os Strokes.

De quase-vendedora ambulante a objeto cult de apreciação e, porque não, rasgação de seda por parte da mídia especializada, um espaço-tempo de cinco anos foi o bastante para que o encanto de seu acanhado despojamento fosse notado. De mera coadjuvante em festivais ao redor do mundo Regina se estabeleceu, de um ano para o outro, como nome respeitado. Sua música saía, assim, da intimidade de seu quarto e de apresentações para platéias de 200 pessoas para públicos mais generosos. De londres a Nova Iorque, Spektor passou a lotar grandes casas como o Irving Plaza e o Shephard Bush Empire.

Begin to Hope
Begin to Hope” conta com produção sofisticada e altamente detalhista. A enganosa simplicidade que estampa o álbum é reflexo de uma artista que sabe muito bem que o potencial de sua criação não está na profusão indiscriminada de elementos sonoros, mas sim na justa posição de suas diversas influencias, que passam pelo jazz, pela música clássica até chegar em leves beats eletrônicos e melodias pop construídas com excelência.


Seu novo projeto é experimental. No entanto, isto não reflete na estética de sua sonoridade e no resultado final das composições do disco. Coeso do início ao fim, o álbum é o retrato de uma multi-instrumentista de enorme talento, que pôde brincar, durante dois meses, com todos os recursos de estúdio possíveis, além de idéias inimagináveis movidas por seus sinceros devaneios melódicos. É a arte de alguém que tem a exata noção de que grandiosos arranjos não são necessariamente sinônimos de apreciação por parte de ouvinte. O intuito aqui é fazer com que o disco seja tão divertido para quem o fez quanto para quem o ouve.

Objetivo alcançado com êxito através de um incessante desfilar de clássicos, que começa com a faixa Fidelity e passa por tantas outras de igual categoria e beleza como Better, Samson e On the Radio. Lady serve de palco para uma homenagem blues/jazzística a lenda Billie Holiday, uma de suas grandes influências. A faixa, assim, como todas as outras, revela a expertise de uma voz que se destaca frente às novas divas que felizmente não param de aparecer no cenário da música pop.

Spektor alia com propriedade o timbre límpido e agudo de sua voz à sensualidade de sussurros e maliciosas divisões métricas; garantias de certa vantagem sobre suas contemporâneas Feist e Charlotte Gainsbourg, por exemplo. Chega, por vezes, a lembrar uma focada Björk em Apres Moi – canção em que expõe com maestria sua habilidade ao piano, enquanto sua voz inebriante navega entre frases melódicas proferidas em inglês, francês e russo.

Como a própria cantora afirma “você nunca sabe a verdadeira linhagem de suas canções”. Confessionais ou não, suas letras, agora em primeira pessoa, despistam os fãs mais ansiosos, que buscam saber se o registro de suas linhas é reflexo de suas experiências pessoais. Realidade poética é o que Spektor transmite como resposta. Habilmente ela faz prevalecer o lirismo de sua obra frente a opacidade de nossa fugaz existência.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Chris Cornell - "Carry On"


















Uma das maiores dificuldades para um cantor solo que tenta repetir o sucesso de sua carreira em bandas anteriores é a busca por uma sonoridade que o identifique. O desafio se torna dez vezes maior quando os nomes das bandas pelas quais o cantor foi líder respondem por Soundgarden e Audioslave. É esse o dilema e a barreira que Chris Cornell não ultrapassa em seu segundo disco solo “Carry On”. Desentendimentos pessoais e em relação aos negócios impediram que o Audioslave continuasse unido; Chris Cornell na época teria afirmado que não tem mais idade para liderar uma banda e que gostaria de focar em sua carreira solo.

A perda de uma ótima banda não oferece aos fãs, órfãos, uma resposta à altura por Cornell. Não que o novo álbum não apresente boas canções. Cornell e sua voz poderosa ainda estão em cima, ao menos em estúdio. O problema do álbum são os arranjos um tanto quanto previsíveis, No such thing – canção que abre o disco e primeiro single – navega entre o rock pesado de guitarras imponentes e momentos acústicos que transmitem apenas uma tentativa frustrada de conectar seus fãs mais headbangers às groupies que ainda suspiram com o seu terrível bigode. Poison eye soa datada, já que remete à sonoridade dos anos 90 e ao Temple of the Dog, banda colaboração entre Cornell, Eddie Vedder e integrantes do Pearl Jam.

Carry On” é um álbum de pop/rock sem a atmosfera poética de “Euphoria Morning” e que perpassa perigosamente ao lado da tênue linha que separa baladas sinceras e o rock baba, onde as canções são apenas amontoados de clichês melódicos. As novas composições acabam soando apenas como vazios devaneios de uma alma artística que sempre passou longe do limbo, mas que está perdida momentaneamente. Salvam-se, com êxito, Safe and sound, que apresenta uma leve pegada de Soul Music e R&B em meio a intervenções sinceras de sopros e um refrão redentor, e She`ll never be your man. Na maioria das canções que se seguem, como em Ghosts, é impossível deixar de notar a presença dos fantasmas de Kim Thayil, guitarrista do extinto Soundgarden, e de Tom Morello, ex-Audioslave – que perturbam.

O disco é um atestado narcísico de Cornell que grita: “Eu sou um puta cantor” em todas as faixas. Não que ele não tenha razão, a dificílima e ousada cover de Billie Jean, do rei do pop Michael Jackson, fala por si própria, com Cornell vociferando assustadoramente. Há de se entender, no entanto, que música não é só voz e por isso é preciso construir sonoridades igualmente interessantes e que garantam identidade e credibilidade às boas intenções musicais.

Your soul today e Finally forever são as mais próximas de um já gasto estereótipo Bruce Sprigsteen, que Cornell poderia muito bem se afastar, baladas quase country perfeitas apenas para serem executadas em finais de filmes b norte-americanos. Cafonas, datadas e sem um pingo de inventividade. Resultado de uma produção bem cuidada, mas incrivelmente vazia de sentidos, o álbum esbarra em uma pseudo-diversidade de estilos, mas que na verdade foca apenas na exposição da voz de Cornell e revela um lapso de criatividade e um gigantesco abismo entre este “Carry On” e seus trabalhos precedentes.

Frustrante em boa parte do tempo, “Carry On” se despede com You know my name, canção-tema da trilha sonora do último “007 – Casino Royale”. Ilustra-se, assim, um quadro final desanimador. Esta que é uma das piores canções compostas por Cornell e que foi, diga-se de passagem, apropriadamente emprestada a um dos mais equivocados filmes da linhagem do fantástico agente secreto, erraticamente representado pelo Bond(e) paraguaio Daniel Craig.

Confira:
www.myspace.com/chriscornell

terça-feira, 26 de junho de 2007

Bjork "Volta" ao Brasil


















Mais uma peça confirmada para o quebra-cabeça do Tim Festival 2007. A islandesa Bjork se apresentará no Rio, na Marina da Glória, mas a data ainda não foi revelada. Para os fãs do novo disco da cantora, o fantástico “Volta”, lançado em maio, resta torcer para que os americanos melancólicos e esquisitóides do Antony and the Johnsons confirmem presença no TIM. O vocalista da banda Antony Hegarty participou das faixas "The Dull Flame of Desire" e "My Juvenile" – ambas gravadas em uma sessão na Jamaica. Resta saber se vai rolar o dueto ao vivo por aqui.

“Volta”, sexto álbum de carreira e um dos mais aclamados de Bjork – cotação 4 estrelas pra cima em todas as principais publicações musicais do mundo – conta também com os beats do midas Timbaland, que empresta seus graves e grooves às canções “Innocence”, “Hope” e ao ótimo single “Earth Intruders”. Vanguardista, afetada, onírica ou bizarra, não resta a menor dúvida de que não se deve perder a apresentação do pequeno duende islandês em outubro. Clipasso de “Earth Intruders” abaixo:

Björk - "Earth Intruders"

segunda-feira, 25 de junho de 2007

The Police in Rio

* No início do ano boatos de que o The Police estaria de volta circulavam por todo o canto. Sting e companhia, separados oficialmente desde 1986 decidiram voltar aos palcos para comemorar os 30 anos de lançamento do primeiro single da banda, o épico “Roxanne”, que eles entoaram na festa de premiação do Grammy 2007 – video abaixo.
A “The Police Reunion Tour” inaugurada no final de maio em Vancouver, Canadá, pretende percorrer palcos dos quatro cantos do planeta. A boa nova é que os ingleses vão tocar dia primeiro de dezembro no Maraca. Estão confirmadíssimos! O show que talvez seria realizado em São Paulo foi “roubado” pelo governo do RJ e sua secretaria de Esportes e Turismo. Agora é só esperar e juntar a graninha.

* Giro pela ilha. Glastonbury encerrado com show do The Who e com o público reclamando do baixo volume do sistema de som no Pyramid Stage, nos shows dos headliners Arctic Monkeys – video de "Fluorescent Adolescent" abaixo –, e The Killers, que chega esta semana com single novo, o mais ou menos “For Reasons Unknown”. É, o nosso TIM festival reunindo dois carros-chefes do maior festival de rock do mundo, não é pouca m... não.

* Novos lançamentos chegam à net essa semana. Novo álbum do The Editors – “An End Has a Start”, apontado pela NME da semana como um “sub-editors”. Os garotos incendiários do The Enemy lançam o primeiro single “Had enough” do álbum “We`ll leave and die in these towns” a ser lançado via Warner. Beastie Boys atacam de “The Mix Up” e o The Automatic desembala novamente o seu "Not Accepted Anywhere" digitalmente via myspace para o mercado americano, já que a banda se prepara para a Warped Tour 2007.

* Por aqui, retratos da prosperidade: Enquanto o novo do White Stripes, “Icky Thump”, que sairia via Warner foi abortado pela sede mundial na última hora, chega com um ano de atraso o belíssimo disco “Begin to Hope” da moscovita radicada no Bronx, Regina Spektor, também pela Warner – resenha em breve e vídeo do primeiro single “Fidelity”.

Regina Spektor - "Fidelity"


The Arctic Monkeys - "Fluorescent Adolescent"



Confira:
www.myspace.com/reginaspektor
www.myspace.com/theenemycoventry
www.myspace.com/theautomatic

terça-feira, 19 de junho de 2007

Festivais Indie

Foi dada a largada para a correria em bilheterias, economias de porquinho e etc. TIM Festival, Indie Rock Festival e shows internacionais avulsos. Se há dois anos atrás com o dólar em alta os shows internacionais eram escassos 2007 está sendo um ano dos mais bacanas e generosos para os amantes do rock "moderno". É chegada a hora dos preparativos para a festa de shows indies que ocorrerão a partir do segundo semestre.

A primeira versão do Indie Rock Festival, a ser realizado nos dias 25 e 26 de julho no Circo Voador e também em São Paulo está confirmada. O festival, que é um misto de duas bandas internacionais e quatro nacionais, vai contar na primeira noite, quarta-feira a partir de 21h30, com Lucas Santtana & Seleção Natural, os paulistas do Hurtmold e os gordinhos e fofos do The Magic Numbers; já na quinta-feira no mesmo horário, a festa fica por conta dos ótimos Mombojó, da big band brasiliense Móveis Coloniais de Acaju e dos londrinos do The Rakes.

Entre o Indie Rock e o super especulado Tim Festival, calma ainda chego lá, rola show de Marilyn Manson na Fundição Progresso dia 25 de setembro, em turnê de lançamento de seu pop/gótico cd "Eat Me Drink Me", tem Incubus, em turnê de "Light Grenades", um dia após o dia das crianças, em 13 de outubro no Citybank Hall do Rio e dias 14 e 15 em SP.

Agora sim, confirmadas as primeiras três apresentações do TIM Festival 2007, a ser realizado entre os dias 25 e 31 de outubro: Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Vitória. São elas The Killers, Arctic Monkeys and Juliette and the Licks, que tocarão na Marina da Glória. Além destes corre na boca pequena, agora cada vez mais larga, que Atony and the Johnsons, Cat Power e talvez Bjork e Kaiser Chiefs apareçam no festival. É só esperar a bilheteria abrir, segundo o site do Arctic Monkeys, Tickets a partir de 27 de agosto!
Segue abaixo sessão myspace dedicada a quem quiser conhecer ou apenas sacar o som das bandas citadas acima.

Internacionais:

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Franz Ferdinand - All my friends

Enquanto o novo álbum dos escoceses/ingleses mais simpáticos do mundo não chega, o Franz Ferdinand ataca de cover e clipe novo. Versão para o já clássico hit "All My Friends", de James Murphy, o cara por detrás do super hypado LCD Soundsystem.

sábado, 16 de junho de 2007

QOTSA - "Era Vulgaris"

"Era Vulgaris" soa menos explosivo ou fantasmagórico do que o clássico "Songs for the Deaf", mais inventivo e menos cativante do que seu precedente "Lullabies to Paralyse", um dos álbuns mais controversos da banda.

As guitarras de Josh Homme mais econômicas do que nos discos anteriores pontuam as melodias com menos distorção e mais ênfase rítmica. Já as letras de "Era Vulgaris" também apontam um novo ambiente e versam sobre o vazio existencial do mundo hollywoodiano e, muitas vezes, por si só caem no vazio, numa metalinguagem auto imposta criada involuntariamente por Homme.

Como não poderia deixar de ser, “Era Vulgaris” é um ótimo álbum e mais uma vez posiciona a banda em um patamar muito acima da média da produção roqueira atual. O problema é que se "Lullabies to Paralyse" não contetou a maioria dos fãs após o clássico álbum vermelho, o que frustra em Vulgaris é que este também não leva a crer que o fará. Apesar da inteligência e inquietude de Josh Homme, que nunca se repete e procura sempre novos caminhos sonoros a traçar, o novo disco é irregular e faixas como Misfit Love dão vontade de desligar o som no meio do caminho.

Apesar das questões acima, o álbum começa com uma dupla arrasadora. Turning on the Screw e uma jam session atípica abrem os trabalhos, enquanto o espírito ensandecido que leva o ouvinte a queimar combustível em alta velocidade por estradas a fora é alimentado por Sick, Sick, Sick. Esta que conta com a participação especial de Julian Casablancas do Strokes, nos backing vocals.

A esquizo-rítmica I`m a Designer abre com os versos "Minha geração está a venda" e segue a crítica com irônicas passagens, "A coisa que é real para nós é fortuna e fama, Todo o resto é como um trabalho, Isso é como diamantes na merda". A canção prepara o terreno para Into the Holow, quarta faixa do álbum; psicodelia pura pronunciada por doces notas de guitarra. Battery Acid acelera na mesma linha orgânica e enxuta, porém se arrasta em uma pseudo complexidade difícil de aturar.

O QOTSA, porém ainda é uma das maiores, mais originais e menos hypadas bandas da atualidade, os caras de fato não circulam de mãos atadas com tendências pops e nem precisam disso. A sonoridade mais etérea e alternativa aliada à psicodélicas transposições harmônicas e linhas vocais de Josh levam a crer que "Era Vulgaris" é o trabalho em que o QOTSA mais se aproxima das idéias de Chris Goss – líder do Másters of Reality, produtor de "Rated R" e colaborador fulltime na maioria dos álbuns da banda.

O toque de sensualidade que a banda sempre trouxe em álbuns anteriores também está mais leve, mas é garantida por mais uma fuck-rock song, Make It Wit Chu, numa versão menos empolgante do que a já registrada nas Desert Sessions, que contava com voz regada a álccol e cigarro de Mark Lanegan. Este, por sua vez, só aparece timidamente nos coros de River in the Road, faixa que poderia ser inteiramente interpretada por sua voz cavernosa.

O que se percebe é que a maravilhosa capacidade de Homme em organizar partes musicais a principio impossíveis de serem casadas e transformá-las em canções memoráveis se dissipou, ao menos em "Era Vulgaris". O intuito de Homme em colocar todo mundo pra dançar com seu novo trabalho se diluí na medida em que se flagra uma falta de coesão entre as canções. O que falta ao disco não é inventividade rítmica, exploração de geniais sonoridades e timbres, ou dinâmicas surpreendentes, como em 3`s & 7`s, o que deixa a desejar é a formulação final das canções.

"Era Vulgaris" é pesado, escuro e elétrico como mencionou à impressa Homme. E de fato é um álbum mais pesado que os anteriores, não pela força de seus instrumentos, mas sim pela atmosfera mezzo garageira e experimental eletrônica. Boas idéias nunca irão faltar ao líder da mais nova one man band do pedaço, mas é preciso tomar cuidado para que tamanha profusão criativa não atrapalhe a construção de hits poderosos como foram The Lost Art of Keeping a Secret em "Rated R", No One Knows em "Songs for the Deaf" e In My Head em "Lullabies to Paralyse".

Confira: www.myspace.com/queensofthestoneage

terça-feira, 12 de junho de 2007

Arcade Fire - Neon Bible

Depois do sucesso de seu disco de estréia, “Funeral” (2004), o Arcade Fire volta a promover suas pregações messiânicas em forma de música. "Neon Bible" é a continuação da saga do septeto canadense, que em seus três anos de peregrinação sonora arrebanhou fãs ilustres, como David Byrne, David Bowie e Bono Vox.

Pianos, violinos, violas, violoncelos, xilofones, acordeões, harpas e caixas continuam sendo elementos essências para a ecumênica simbiose de indie rock, coros gregorianos e gigantismos melódicos. Alguns “novos” e exóticos instrumentos como, órgãos de sopro e um secular hurdy gurdy – não faço a mínima idéia do que seja –, foram algumas das peças executadas por uma orquestra húngara completa, em arranjos teocentricamente orquestrados.

Decididos a dispensar produtores para o novo álbum, Win Butler e companhia registraram os acordes de seus muitos instrumentos sob a iluminação dos vitrais de uma igreja canadense, comprada pela banda e transformada em estúdio. A ambiência da pequena capela emoldura apropriadamente a aura religiosa contida nas letras de Butler e no instrumental de seus asseclas.

Black mirror abre o álbum e, de cara, convida o ouvinte para uma forte experiência sinestésica. Escuridão, clausura, coragem e preces assumem uma atmosfera menos de medo e mais de desbravo. Guerra, religião e família são os pontos culminantes em que as letras de Butler se transformam em interpretações emocionadas e clamam por redenção.

Esta mini-opereta indie repleta de emocionantes transições líricas e melódicas povoa o imaginário do ouvinte de maneira forte, como há muito não se via ou ouvia. Keep the car running é catártica, como só uma canção do Arcade Fire poderia soar. “Neon Bible” nos faz assistir o despertar e afirmação de uma grande banda, e tem na faixa Intervetion o destaque central da obra – a canção lançada via Itunes, em dezembro de 2006, teve sua arrecadação redirecionada a instituição de caridade haitiana Partners from Health.

Nenhuma das múltiplas citações elogiosas, acima, impedem uma realista análise do álbum, que talvez seja menos espetacular que “Funeral”. Com 750.000 cópias vendidas, “Neon Bible”, por sua vez, foi ainda melhor recebido pelas prateleiras físicas e digitais que seu antecessor. Puxado pelo single Black mirror, nos EUA, e Keep the car running, no Reino Unido, o álbum estreou em primeiro lugar nas paradas canadenses e irlandesas e em segundo lugar na parada Billboard Top 200.

Segundo o líder da banda e mais novo poeta da música pop, Win Butler, o novo álbum soa como estar à deriva no oceano à noite. É este o sentimento que depois de dezenas de profundas submersões auditivas pude compreender. Mesmo inebriado pela atmosfera sombria e, ao mesmo tempo, religiosa de seus arranjos, prossigo, no entanto, como um cético, fiel apenas à arte que esta banda singular produz mais uma vez.


Arcade Fire - "Intervention" ao Vivo


Arcade Fire & David Bowie - Wake Up



Confira: www.myspace.com/arcadefireofficial

segunda-feira, 11 de junho de 2007

The Bravery - The Sun and the Moon

Produzido por Brendan O`Brien – mentor de álbuns do Rage Against the Machine, STP, Audioslave e Velvet Revolver – o novo disco do The Bravery abre com uma das canções mais chicletes das últimas semanas, “Believe”. Mostra, de cara, o quanto a banda evolui neste novo “The Sun and the Moon”. Como assinala um dos versos do refrão, “give me something to believe”, este que vos escreve precisava de uma canção deste naipe para dar o crédito que publicações como a Rolling Stone e Village Voice anunciavam dois anos atrás.

O quinteto, que se apresentou no Circo Voador no final do ano passado para testar algumas das novas canções, segura a boa onda na faixa seguinte, “This is not the end”. Canção pop-rock bem conduzida e uma das melhores do disco, é o bastante para distrair minhas já sonolentas estações auriculares – são duas horas da manhã de uma segunda-feira pós feriadão. O sugestivo título, no entanto, é prenúncio contraditório do que o álbum nos reserva. Parece que não estamos tão distantes do fim, já que a banda a partir da metade do álbum revela falta de munição para sustentar a pegada.

Enquanto a derrocada não chega, ainda há tempo para que notas espaciais de guitarras perfurem delicadamente meus tímpanos, enquanto que um coro de “Ôooo Ôooo Ôooo Ôoos” faz o balançar de cabeças digno de boa música ser iniciado. “Every word is a knife in my ear” conduz, assim, minhas cansadas articulações ósseas a esquisitos movimentos performáticos. A faixa é responsável pelos momentos mais divertidos que uma banda de visual punk moderno ou pós-gótico poderia nos oferecer.

Quando é chegada à hora de escolher o single do novo trabalho é que os caras patinam. Escolhem uma das mais insossas baladas do disco, “Time won`t let you go”, como se ela fosse garantia de que as rádios americanas de rock moderno, infectadas pela onda emo de bandas farsantes como Fall Out Boy e Panic! At the disco, os desse atenção.

Perdem a oportunidade de mostrar ao público o que de melhor têm a oferecer, a combinação da esfumaçada aura indie nova-iorquina, rocks dançantes conduzidos por sintetizadores e influências de levadas eletrônicas. Se o The Bravery apostasse com mais força no mercado europeu, ou se fossem filhos legítimos do cenário inglês, talvez não precisassem se dobrar tanto às regras mercadológicas da insípida cena norte-americana.

O problema de “The Sun and the moon” é a irregularidade de suas canções. Melancolia, solitude e perturbação exalam da intimista “Tragedy Bound”, assim como mediocridade sonora estampa faixas como “Angelina”. Ora soam como uma banda profundamente inspirada, com melodias encantadoras, mesmo que soturnas, e, segundos depois parecem se lembrar do business que os cerca e a esperança se esvai.

Managers neuróticos esmurrando a porta dos estúdios de gravação devem ser a causa de um álbum que se divide em duas propostas: o que a banda poderia ser se tivesse coragem e aquilo que o mercado gostaria que eles representassem. A&Rs da Island Records, ansiosos em saber o que o quinteto aprontava ao lado de O`Brien, devem ter forçado a memória dos rapazes a lembrar que hits radiofônicos são imprescindíveis para uma economia fonográfica saudável. O perigo disto é que algumas tentativas afoitas acabaram em resultados catastróficos. Se o disco sugere a união do astro-rei com a lua, a impressão que fica é que o esperado eclipse sonoro não ocorre. Uma pena.

The Bravery - Time won`t let you go


Confira: www.myspace.com/thebravery

QOTSA & White Stripes

Enquanto as resenhas não saem do forno segue o aperitivo. Clipe novo do Queens of the Stone Age, "Sick, Sick, Sick" – com participação especial de Julian Casablancas, do Strokes, nos vocais –, e o novo do White Stripes, "Icky Thump", versão oficial. Quem vence a batalha? Sou mais o vídeo dos Stripes.