NOTAS SOLTAS E RUÍDOS ESCRITOS

segunda-feira, 9 de março de 2009

Amarante canta hits dos hermanos em SP















Um mês após fazer seu último show à frente do Little Joy, no Circo Voador, e duas semanas antes de subir ao palco na Praça da Apoteose para a esperada reunião do Los Hermanos – apresentação que abre a noite do dia 20 de março para a apresentação dos alemães do Kraftwerk e dos ingleses do Radiohead – Rodrigo Amarante aproveita sua entressafra musical. Entre as atividades de “férias” está a série Rumos Convida, iniciada na última quinta-feira com a big band brasiliense Móveis Coloniais de Acaju. No sábado, Amarante se juntou à mulher Karine Carvalho e ao amigo Fernando Catatau e seu Cidadão Instigado para a apresentação mais concorrida do projeto.

Amigos desde a adolescência, época em que surfavam juntos nas praias de Fortaleza na década de 90, Amarante e Catatau promoveram um encontro musical fraterno com canções de melodias nostálgicas, melancólicas e praianas, como a parceria inédita Land of light, cantada metade em inglês e português.

– Conheci esse cara em Fortaleza, a gente era da galera do surfe. Psicodelia, style, uhu! – brincou Amarante, saudando a platéia com um hangloose. – Roubei uma fita VHS do Santana, que era do meu pai, e dei de presente para ele. Comprei a amizade assim, já que ele era mais velho, eu tinha 14 anos e tal. Acho que ele até já tocava guitarra mais ou menos, mas depois disso virou fã do cara.

Por volta das 17h, enquanto do lado de dentro do teatro Amarante aprendia os acordes de Minha imagem roubada na passagem de som, mais de 50 pessoas já ocupavam a calçada em frente à sede do Instituto Itaú Cultural para garantir as disputadíssimas senhas para o show, marcado para as 20h. Como na quinta-feira, quando o Móveis Coloniais e o trombonista Bocato levaram a produção do evento a organizar duas sessões extras, o encontro de Amarante com o Cidadão Instigado rendeu o mesmo para os fãs.

– Como é que vai ser tocar três vezes, cara? Minha energia foi quase toda aí – indagou Catatau, no camarim, logo após a primeira leva de canções.

– Cara, a gente segura a onda – animou o guitarrista Regis Damasceno.
Empunhado diversas guitarras, como uma bela Flying V e uma gatorra negra, Catatau arremessava solos distorcidos com os timbres característicos que os seguidores dos LH aprenderam a admirar. A inédita O nada abriu o espetáculo com a voz anasalada de Catatau, convocando a todos para deixar os ladrões entrarem em suas casas e levarem tudo.

– O nada, assim como Uhu e Recomeçar são canções inéditas que apresentamos e que estarão no nosso próximo álbum. São todas composições minhas e algumas coisas mudaram em relação à estética e aos temas. Começamos a gravar essa semana e devemos lançá-lo em junho, mas ainda estamos discutindo o nome do trabalho – diz o músico, referindo-se ao sucessor do álbum E o método tufo de experiências (2005).

Foi só Amarante subir ao palco, que já contava com Karine, para que a comportada plateia deixasse de lado a compostura a pedido do próprio. Canções dos Hermanos como Do sétimo andar, Evaporar e O vento despertaram os gogós das cerca de 200 pessoas que lotavam o espaço e se juntaram aos temas mais conhecidos do Cidadão Instigado, como O pobre dos dentes de ouro, O pinto de peitos e Os urubus só pensam em te comer.

– Teatro é silêncio demais. Show é para fazer barulho, galera. Muito obrigado – agradeceu Amarante, o último a deixar o palco, após ter sido acompanhado em uníssono nas canções hermânicas de sua lavra que serão novamente apresentadas no próximo dia 20, no Rio, ao lado de Marcelo Camelo, Bruno Medina e Rodrigo Barba.

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