NOTAS SOLTAS E RUÍDOS ESCRITOS

sábado, 20 de outubro de 2007

Incubus - Citibank Hall 13.10.07

Olhares gélidos e tensos viajavam apressados pelos corredores do Via Park Shoping. Eram corpos magros, perdidos, tomados pela ansiedade e pelo medo que explodiam de cada semblante: fãs. Pra quem aguardava o primeiro show, no Brasil, de uma banda com seis CDs nas costas, não havia jeito. Satisfazer a todos com o repertório era tarefa impossível. Não deu outra. Os fãs saíram, literalmente, "chutando latinhas" pela falta de determinado hit, daquela outra que marcou o primeiro contato com o som da banda e etc.
Em uma hora e meia de show, os californianos do Incubus compilaram seus 16 anos de carreira em 18 músicas. Como em todo empacotamento musical o resultado não foi dos melhores e talvez por isso não tenha lavado a alma das mais de duas mil pessoas que encheram boa parte do Citibank Hall.
Nice to know you foi o cartão de visitas, muito bem recebido pelo público, a canção foi sucedida pela sua irmã musical, Wish you were here. A galera, ao delírio, entoava em uníssono os pegajosos versos do refrão e identificava, aos primeiros acordes, todas as canções do repertório. Anna Molly, Dig e a urgentíssima Megalomaniac foram responsáveis por momentos catárticos, o público realmente deu um show à parte.

O problema é que o espetáculo, previsto pra estar em cima do palco, muita das vezes vinha de algum crooner inconvenientemente instalado a menos de 10 centímetros da sua orelha. Pouco se ouvia os versos proferidos pelo sujeito de pé no meio do palco, talvez pelo som mal-equalizado da casa. Olhar enviesado daqui, um tranco de ombros acolá. Centenas de Brandon Boyds infestavam o ambiente. O cantor, por sua vez, mantinha-se distante, alheio à empolgação de seus asseclas. Suas excelentes interpretações foram minimizadas pela barulheira da platéia e de sua banda, que infelizmente abafaram a clareza de seus vocais. O Citibank Hall precisa rever seu sistema de som. Problema semelhante ocorreu há alguns meses no show do Velvet Revolver, quando a voz de Scott Weiland mal era ouvida.

Boydmania
No entanto, a emoção do show foi mais do que garantida para as groupies, que suspiraram pelo strip parcial de Boyd. Já os marmanjos puderam, ao menos, se deleitar com a execução tecnicamente perfeita de todas as canções apresentadas pela banda, que não deixou de surpreender. Destaque para o baixista Ben Kenney e para o baterista José Pasillas II.
Suspirar, realmente, era a palavra de ordem. Sem bate-papo com o público a banda arremessou uma música atrás da outra: 15 sem descanso e mais três no bis. O show, no entanto, foi irregular, justamente pela mescla que a banda fez de composições de toda a carreira. As faixas dos primeiros CDs, que fizeram esfriar o meio do espetáculo, destoavam da qualidade e sofisticação das produções de A crow left to murder e Light grenades, dois últimos trabalhos. Era claro notar a evolução da banda e entender o porquê da legião de fãs que se descabelavam e imitavam o líder Boyd.

Imitações ao estilo do cantor foi o que não faltou na noite. Garotos magrelos desfilavam intocáveis, com seus indefectíveis chapeuzinhos pretos, camiseta regata, bermudas, calças largas e tatoos tribais pelo corpo. Flanavam seguros, dentro da fantasia blasé de superstars. Mítico universo Rock n’Roll. Modelo descolado, de boa forma física, trejeitos afetados e excelente voz, o líder da banda congregou em perfeita harmonia groupies histéricas, rockers esqueléticos e surfers bombadinhos, que rezavam à cartilha da persona Brandon Boyd.
Ficou um gosto de quero mais, mistura de indignação, êxtase e encantamento. Uma bandeira do Brasil permaneceu intocada a frente de um amplificador. Para o Incubus o show foi, literalmente, um rio que passou em suas vidas. N
ão há melhor definição. Justamente por isso a faixa Pardon me era a mais aguardada ao final do show. Era o grito de redenção esperado pela platéia carioca, que merece pedido de desculpas triplo: não tocaram uma das faixas mais importantes do repertório, pela demora de vir ao país e pela frieza com que foi conduzida boa parte do show. Com algumas dezenas de obrigados xoxos, o líder da banda se despediu sem se impressionar com a devoção de seus fiéis entusiastas.

Fotos: http://www.flickr.com/photos/taiarock/

sábado, 13 de outubro de 2007

The Hives - The black and white album

Disco novo dos suecos do The Hives é aquilo tudo que você espera e muito mais: explosivo, rápido e intenso. O detalhe que torna o álbum arrasador fica por conta da sofisticação dos arranjos. Os alinhados terninhos brancos, que a banda utiliza como vestimenta para suas performances, agora são devidamente adaptados para dar classe às canções.
Tick tick boom é uma das melhores já escritas pela banda. A faixa abre The black and white album e dá um tapa na orelha de jeito. Os caras não perdem tempo e não escondem o jogo. Se a primeira impressão é a que fica, Tick tick boom dá conta do recado, um single perfeito.
Pianos e teclados em abundância chamam a atenção. A faixa Puppet on a string conta apenas com palmas e singelas notas de piano. Já a instrumental (?!) A stroll through hive manor corridors utiliza apenas um órgão vintage, dos anos 60, e uma bateria eletrônica. Hives minimalista? Era só o que faltava.
A diferença entre este trabalho e os anteriores pode ser notada em menos de cinco minutos de audição. O punk inventivo e experimental do álbum é resultado de colaborações no mínimo improváveis, com os produtores Timbaland e Pharrel Willians. Cortejados pelos gangstas e softcores do R&B e hip-hop americano, eles emprestam o potencial de suas burilações musicais ao punk, cada vez mais pop, de Howlin' Pelle Almqvist e Cia.
Os suecos gravaram cerca de 30 canções para este quarto álbum de carreira. Sete faixas contaram com o toque midas de Pharrel. No entanto, apenas T.H.E.H.I.V.E.S e Well alright! entraram no álbum. Parece que a parceria não deu tão certo assim. Apesar da criatividade, as faixas não empolgam. Já as sessões comandadas por Timbaland também não entraram no disco. A faixa Throw it on me ficou pronta tarde e não pode ser incluída. A banda pretende lançá-la como lado b.
Aos fãs do rock cru e sessentista, soa um tanto quanto esquisita a opção da banda em tecer colaborações com estes medalhões do rap. No entanto, nada mais punk ou politicamente incorreto para o mundinho rocker do que trazer os mano para brincar de fazer som. André 3000, do Outkast, confirmou recentemente à Rolling Stone que só compôs o megaclássico Hey Yah depois de curtir e se esbaldar em um show do The Hives, em Nova Iorque.
Filmes publicitários da Nike e inserções promocionais no Cartoon Network provam à versatilidade punk dos suecos. Performáticos ao extremo, os caras são verdadeiros personagens, perfeitos para a exploração comercial midiática. Tadinho dos punks. Mas hoje em dia são tão previsíveis, não? É hora de aposentar as mofadas jaquetas de couro e esfolar a bunda magra de tanto dançar. Howlin' Pelle Almqvist e sua nervosa gritaria estão intactas. Confira abaixo o vídeo de Tick tick boom. Senhoras e senhores, com vocês: The Hives!


The Hives - Tick tick boom

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Radiohead - Novo álbum

Lançado hoje, pela manhã, o novo álbum do Radiohead, In Rainbows, já pode ser baixado legalmente pela net. A banda disponibiliza o álbum pelo preço que o interessado possa ou queira pagar. Talvez por este motivo a banda se nega a revelar o valor das pré-vendas e do resultado da primeira semana de lançamento. In Rainbows é uma mescla de canções inéditas, algumas do fundo do baú, além de velhas conhecidas dos fãs, por já terem sido apresentadas em shows. Quem optar pela ilegalidade também não fica na mão. Uma procurada básica em qualquer site de compartilhamento de arquivos será bem-sucedida.
As 15 faixas do novo disco são:
"15 Step"
"Bodysnatchers"
''Nude"
''Weird Fishes/Arpeggi"
''All I Need"
''Faust Arp"
''Reckoner"
''House Of Cards"
''Jigsaw Falling Into Place"
"Videotape"

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Radar

* Num post em que Killers, Enemy, Boy Kill Boy, Ian Curtis, prisioneiros e suicidas têm espaço de destaque, deve ser preservada à tentativa de equilíbrio de forças e peso das bombas musicais a serem apresentadas. Cabe, no entanto, ao lúdico, ultra-colorido e performático novo mundo do silverchair, o trabalho de fantasiar a vida como ela não é. Duas pérolas videoclípticas do maravilhoso e esquecido novo álbum do trio aussie, “Young Modern”, foram as escolhidas para a abertura do dia. Ainda sem previsão de lançamento por aqui, o disco, já comentado em extensa resenha por este blog, é um dos mais belos, senão o mais interessante, da carreira destes australianos. Assim como as surpreendentes e inesperadas melodias, os clipes, abaixo disponibilizados, espantam pela produção altamente sofisticada. Abaixo, os dois últimos singles da banda:

“If you keep losing sleep”


“Reflections of a Sound”


* Enquanto Brandom Flowers não aterrisa para o Tim, sua banda, The Killers, não pára de trabalhar em novos projetos. Esta semana, os caras anunciaram que um novo CD, recheado com raridades e lados-b, está para sair. O quinteto conta com a super colaboração de Lou Reed, líder do lendário Velvet Underground, que emprestará sua voz para uma das faixas do novo projeto, “Tranquilize”. Flowers e seus companheiros, de Las Vegas, estão gravando a participação de Reed, em Nova Iorque, com os mesmos produtores de “Sam`s Town”, Flood e Alan Moulder. Segundo Flowers, a participação de Reed é perfeita para o sentimento da canção, que ambos irão interpretar em um dueto. Descrita pelo cantor como a mais depressiva e forte já composta pela banda, ela serve como o maior atrativo ao novo disco, que deve sair até o final do ano. Ainda sem nome, o álbum segue a lógica de consumo dos EUA e promete apresentar muitas surpresas para o público americano, já que os lados b, inseridos no projeto, são canções apenas lançadas como singles na Inglaterra. Como se a distância geográfica e mercadológica impedisse, nos dias de hoje, o soulseek de trabalhar.

* Divulgada a trilha sonora do filme “Control”, que trata da curta vida de Ian Curtis, líder do Joy Division, até seu suicídio. Iggy Pop, Sex Pistols, David Bowie, Kraftwerk e The Killers (novamente) aparecem na trilha. Destaque, também, para as três novíssimas faixas instrumentais do New Order, 'Exit', 'Hypnosis' e 'Get Out', compostas exclusivamente para o filme. Coube ao The Killers regravar ‘Shadowplay’, faixa que vem sendo executada durante os shows que a banda vem fazendo nos festivais de verão europeus. “Control” tem data de estréia prevista para cinco de outubro, lá fora, e enquanto não fica pronto, será precedido por um documentário, também sobre a banda, entitulado “Joy Division”, que estréia mês que vem no Toronto International Film Festival. O jeito é esperar que caia logo na rede. Abaixo o tracklist de “Control”:

New Order - 'Exit'
The Velvet Underground - 'What Goes On'
The Killers - 'Shadowplay'
Buzzcocks - 'Boredom' (live)
Joy Division - 'Dead Souls'
Supersister - 'She Was Naked'
Iggy Pop - 'Sister Midnight'
Joy Division - 'Love Will Tear Us Apart'
Sex Pistols - 'Problems' (live)
New Order - 'Hypnosis'
David Bowie - 'Drive-In Saturday'
John Cooper Clarke - 'Evidently Chickentown'
Roxy Music - '2HB'
Joy Division - 'Transmission' (cast version)
Kraftwerk - 'Autobahn'
Joy Division - 'Atmosphere'
David Bowie - 'Warszawa'
New Order - 'Get Out'

* Canções para frear suicidas. Na sua opinião, que tipo de música faria um potencial suicida desistir de sua asfixiante encruzilhada existencial? Música clássica, smooth jazz, lounge, soul? Nada disso. O presídio de Pentonville, em Londres, escolheu os moleques do indie rock e suas guitarras, para fazer pensar os tais potenciais suicidas instalados na cadeia. The Enemy e Dirty Pretty Things foram os responsáveis por animar os 180 presos, que assistiram à apresentação das duas bandas na capela da casa de detenção Pentonville, anteontem. Em suporte a um programa de caridade, que visa à diminuição de suicídios por homens abaixo de 35 anos, as duas bandas se juntaram ao hall de famosos que já se apresentaram em penitenciárias, como Billy Brag, Metallica, além do rei dos detentos norte-americanos, Johnny Cash. “Foram registrados 67 suicídios nas cadeias britânicas, no ano passado. Este ano, já contabilizamos 59. É preciso fazermos algo a mais para combater a depressão e os demônios que assolam os jovens. O suicídio é a maior causa de morte entre homens com menos de 35 anos”, disse o líder do Dirty Pretty Things e ex-Libertines, Carl Barat. A prisão de Pentonville foi o “refúgio” de Pete Doehrty, em 2006, quando respondia ao processo em que fora pego dirigindo sob influência de drogas, em dezembro de 2005. O Babyshambles, banda atual de Pete, havia sido convidada para tocar, mas foi vetada pelo departamento de serviços da prisão. Dia oito de setembro, um show no Koko club, em Londres, também visa arrecadar fundos para a criação de uma linha telefônica para ajudar na prevenção de suicídios. Os nomes, para a apresentação no Koko, não poderiam ser menos desajustados, a banda Boy Kill Boy e, os esquisitóides magricelas, The Rakes foram os escolhidos para mandar a mensagem sonora de que viver vale a pena.

* Foo Fighters na cena. The Pretender, novo single da banda, já tem clipe na rede. Echoes, Silence, Patience & Grace, novo disco de Grohl, só sai no final de setembro; o ótimo single ganha destaque com um excelente vídeo. Confira:

“The Pretender”


* Danger Mouse é o cara, ou melhor, várias caras. Metade do incrível duo Gnarls Barkley, ao lado do cantor, Cee-lo Green, integrante do Gorillaz e produtor dos mais requisitados e competentes da cena, o perigoso rato está em todas.. Enquanto prepara o sucessor de “St. Elsewhere”, em um rancho, em Atlanta, Danger encontrou tempo para produzir o novo álbum de Martina Topley-Bird, “The Blue God”, que está previsto para sair em 2008. A artista inglesa, que teve seu ótimo disco de estréia, “Quixotic” (2003), indicado como um dos finalistas do cobiçado Mercury Prize inglês é apenas um dos projetos recentes em que o cara está metido. Sem parar, para descanso, o produtor já começou a gravar o novo álbum do ótimo duo norte-americano, Balck Keys. O quarto disco de carreira da dupla de Ohio, sai, também, em 2008, pela Nonesuch.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Ben Harper e etc.




* Pra começar a semana com boas novas, nada melhor do que confirmar o lançamento do mais novo álbum de Ben Harper. O cantor que, no ano passado, deu um verdadeiro baile naquela casa de shows carioca, chega mais cedo do que o esperado com seu novo “Lifeline”. O músico que, em 2006, lançara um ótimo e surpreendente álbum duplo, “Both sides of the Gun”, apresenta um novo trabalho focado na interpretação de repertório fortemente influenciado pela Soul music norte-americana, definido pelo site oficial do artista como um cruzamento de Otis Redding com a era Beggars Banquet, dos Rolling Stones. O resultado é a compilação de 11 novas faixas de Ben Harper e sua banda, The Innocent Criminals, que gravaram o disco sob a inspiração da cidade das luzes, Paris. Em apenas sete dias, trancafiados em uma única sala, os músicos saíram com a nova pérola debaixo do braço. “In the Colors” é o novo single, e o clipe você confere abaixo:




* Duzentos gramas de narcótico, não especificado, além de três animais mortos foram encontrados pela polícia na casa de um polêmico artista da música. Não, dessa vez não se trata de Pete Doeherty. Suas peripécias mais recentes, como o caso dos gatos que continham cocaína no sangue, poderiam muito bem servir à abertura deste post. No entanto, o doido da vez é o violent-rapper norte-americano DMX. Policiais do distrito de Maricopa County, no Arizona, investigam o caso, em que foram encontrados na casa do rapper, três cães mortos, uma variedade de armas de fogo e 200 gramas de um narcótico, não especificado. A alegação sugere que o artista não estava alimentando seus pequenos pitbulls devidamente, por isso a morte dos cães. O advogado de DMX respondeu às acusações, dizendo que os cães estariam sob os cuidados de um criador e que DMX não seria o culpado. DMX é conhecido por suas performances ensandecidas, dignas de um pitbull de rinha.

* O líder do Pearl Jam, Eddie Vedder, fará uma pequena apresentação solo, mês que vem, na premiére do documentário “Body of War”, de Phil Donahue e Ellen Spiro. O filme relata o caso do soldado Thomas Young, que ficou tetraplégico depois servir ao exército americano durante uma semana no Iraque. Vedder compôs duas canções para o filme, “Long Nights” e “No More”. A palavras anti-bush que o cantor proferiu na apresentação da banda no último Lollapalooza foram cortadas pela AT&T, empresa responsável pela transmissão via web das apresentações do festival. Algo semelhante ocorrera, alguns meses antes, com a apresentação do guitarrista Tom Morello (ex-Audioslave e RATM), no Boanaroo Festival. Os episódios, tratados como “erros” pela empresa, desvelam a censura que rola na surdina da celebrada liberdade de expressão norte-americana. Polêmicas a parte, Vedder anda envolvido com a produção de material para o novo filme de Sean Penn, “Into the Wild”.

* Uma garrafada na cabeça, seqüenciada por um nocaute. Isso lhe diz alguma coisa? Talvez. Duas garrafadas na cabeça, será que isso lhe diz alguma coisa? Quem sabe. Alguma mensagem subliminar, na questão? O alvo dos ataques é o circense trio de Las Vegas, Panic! At the Disco. Mistério solucionado. Agora sim, isto nos diz muita coisa. Os integrantes da “banda” americana também estão afogados em dúvidas e, matutam, até agora, sobre o porquê de tamanho desprezo. A platéia do Reading Festival, na Inglaterra, porém, sabe muito bem quais as razões que levaram a tal efusivo ato. O trio é uma farsa digna de Las Vegas. Fachadas coloridas, imponentes e que refletem nada mais do que um árido delírio de cores e sofisticação no meio de um deserto de criatividade insossa. Las Vegas é legal, assim como o Panic! At the Disco. Dá pra entender? Ou melhor, representa a ostentação do mais ridículo ideal de desenvolvimento norte-americano. O néon como símbolo do mau gosto. Talvez por isso tudo, mas com foco na música, que no ano passado o vocalista da banda foi alvo de certeiras garrafadas. Já este ano, o objeto da ação foi o baixista Jon Walkers; devidamente atingido durante a execução da música, 'Lying Is The Most Fun A Girl Can Have Without Taking Her Clothes'. Não sou defensor de garrafadas à la Carlinhos Brown, mas como são sensatos estes ingleses!

* A esperada turnê norte-americana do The Cure foi adiada. As datas iniciais, previstas para setembro e outubro de 2007, foram re-agendadas para abril e maio do ano que vem. Os garotos americanos choram por uma boa razão, no entanto: Robert Smith finaliza o novo álbum de inéditas da banda, que será duplo. Vale a pena esperar.

* Gravadoras decidem rivalizar com o gigante Itunes. Encabeçado pela Sony-BMG, Universal, além de outras companhias, o projeto Gbox pretende competir com o mais famoso portal de download, pago, de música. O serviço, disponível a princípio para os EUA, conta com o apoio da Google, como anunciante, e oferece cada faixa a 0,99 cents. Enquanto grande parte das gravadoras ainda insiste em vender seus acervos digitais com o sistema anti-cópias embutido, as músicas compradas através do Gbox chegam ao ouvido do consumidor sem a ultrapassada e irritante tecnologia de proteção. O projeto pretende utilizar sites de relacionamento como MySpace e Orkut para venda música. Doug Morris, executivo do Universal Music Group, declarou à BBC que o comprometimento de sua companhia é somente o de explorar novas formas de disponibilizar o conteúdo musical de seus artistas. Segundo o executivo, o que interessa é facilitar o consumidor, fazendo com que este encontre, em cada vez mais portais, música

* Na lista pop da semana, chancelada pelo portal NME, tem o Maximo Park nas cabeças. Com o single 'Girls Who Play Guitars' Paul Smith desbancou o fraco, e super celebrado pelos indies afoitos, The Cribs, e seu single 'Moving Pictures'. A novidade da semana é a chegada do novo single do Kaiser Chiefs, a ótima “Angry Mob” (clipe abaixo), uma das melhores canções do último álbum da banda, “Yours Truly, Angry Mob”.

1. Maximo Park - 'Girls Who Play Guitars'
2. The White Stripes - 'You Don't Know What Love Is..'
3. Kaiser Chiefs - 'The Angry Mob'
4. The Cribs - 'Moving Pictures'
5. The Pigeon Detectives - 'Take Her Back'
6. Peter, Bjorn and John - 'Young Folks'
7. The Twang - 'Two Lovers'
8. The Enemy - 'You're Not Alone'
9. Hard-Fi - 'Suburban Knights'
10. The Rumble Strips- 'Girls And Boys In Love'




terça-feira, 14 de agosto de 2007

Radar















* Ansiedade zero! O filmaço dos Rolling Stones que o gênio-diretor Martin Scorsese prepara teve a data de lançamento bastante adiada. A pérola musico-cinematográfica, que registra uma apresentação de Mick Jagger e o cheirador de papai Keith Richards, só será lançada em abril de 2008, nada menos do que oito meses de atraso em relação a data anterior, que vislumbrava um possível lançamento para o próximo mês, dia 21 de setembro. De acordo com uma fonte próxima do diretor, o prazo inicial seria extremamente curto para a finalização do projeto. Uma outra hipótese para o adiamento seria a atual turnê dos Stones, que se encerra no final deste mês. O infeliz Michael Vollman, diretor da Paramount, fez ainda o favor de declarar solenemente a revista Variety que o mês de ABRIL DE 2008 seria a melhor agenda para o lançamento do projeto. “Temos um fantástico trailer e pôster. Precisamos de tempo para termos o filme lançado no melhor momento do mercado”. – disse a insuficiência.
O White Stripes Jack White participa do show (foto acima), fazendo, portanto, uma ponta de responsabilidade no filme dos Stones, que foi registrado no Madison Square Garden, Nova Iorque, em novembro de 2006. Abaixo, confira o novo clip/single da dupla "You Don`t Know What Love Is". Sensacional.

The White Stripes – “You Don`t Know What Love Is”


* Eddie Vedder e a líder dos Yeah Yeah Yeahs, Karen O, estão cotados para participar da trilha sonora de um novo filme sobre Bob Dylan. “I`m Not There” apresenta em sua trilha Karen O interpretando versão para "Highway 61 Revisited" e Vedder para "All Along The Watchtower". Estas são apenas duas colaborações das mais de 30 canções que farão parte de um álbum duplo a ser lançado no final de outubro. O filme conta com atores e atrizes de peso, como Cate Blanchett e Heath Ledger, que interpreta Bob Dylan, em diversos estágios da carreira do trovador canadense mais importante do século passado. A estréia do filme está marcada para o dia 21 de novembro nos EUA. Aqueça seu Bit Torrent! Abaixo alguns dos covers da lista de artistas selecionados para o projeto:

'All Along The Watchtower' - Eddie Vedder and the Million Dollar Bashers
'Can You Please Crawl Out Your Window' - The Hold Steady'
'Dark Eyes' - Iron & Wine and Calexico
'Fourth Time Around' - Yo La Tengo
'Highway 61 Revisited' - Karen O and the Million Dollar Bashers
'I Wanna Be Your Lover' - Yo La Tengo
'I'm Not There' - Sonic Youth
'Just Like A Woman' - Charlotte Gainsbourg and Calexico
'Knockin' On Heaven's Door' - Antony & The Johnsons
'Mama You've Been On My Mind' - Jack Johnson
'The Man In The Long Black Coat' - Mark Lanegan
'Ring Them Bells' - Sufjan Stevens
'Senor (Tales Of Yankee Power)' - Willie Nelson and Calexico
'Simple Twist Of Fate' - Jeff Tweedy
'Stuck Inside Of Mobile With The Memphis Blues Again' - Cat Power
'Wicked Messenger' - The Black Keys

* E o tenente Reznor não pára. O líder do Nine Inch Nails anda mais doido do que em seus áureos tempos de artefatos sintéticos pesados. De vento em popa com suas esquizoideas Reznor vocifera em direção a cartada final de seu "Year Zero" marketing plan. Brincadeiras a parte, o cara anda realmente empenhado em fazer de sua última obra-bruta, o apocalíptico disco “Year Zero”, um programa de TV. E já tem gente interessada na doideira. Reznor declarou a um jornal britânico que as negociações a respeito de um seriado relacionado ao conceito(?!) de "Year Zero" estão em andamento acelerado. “Temos um produtor encarregado e já nos encontramos com alguns roteiristas”, disse o líder do NIN. Abaixo o clipe de “Survivalism”, que mostra a banda enquadrada nas telas de um sistema segurança. É a sociedade de controle de Burroughs presente no ultra-realismo de alta definição de Reznor.

NIN – “Survivalism”


* John Lennon via itunes. Para quem utiliza este meio para fazer download “legal” de músicas, a boa nova é que o catálogo do beatle mais genial, John Lennon, está disponível, a partir desta semana, no Itunes. Ao todo são dezesseis discos prontos para download. Pago. Yoko declarou que Lennon, se tivesse vivo, estaria muito contente em ver sua música em um formato adequado para a nova geração de consumidores de música. Entre os álbuns estão John Lennon/Plastic Ono Band, Sometime in New York City, Walls and Bridges, Milk and Honey, e Working Class Hero.

* LCD Soundsystem e Arcade Fire se juntam para produzir um novo single, dividido entre as duas bandas em vinil. A bolachinha, que sai em edição limitada – disponível para venda durante a tour que as bandas realizam em setembro nos EUA e no website dos dois artistas –, conta com cover do LCD Soundsystem para "No Love Lost", do Joy Division, e o Arcade Fire encarnando o espírito do genial francês Serge Gainsbourg, em "Poupee de Cire". James Murphy (sistema de som LCD) prepara ainda o lançamento de um novo EP, "A Bunch of Stuff" composto por remixes do último álbum "Sound of Silver", além do famoso cover do Franz Ferdinand para "All My Friends".

* Oasis se prepara para o lançamento de mais um DVD, mas não é só isso o pacote é duplo! “Lord Don`t Slow me Down” tem data de lançamento prevista para dia 29 de Outubro, lá fora. O material é o registro da última turnê dos irmãos Gallagher em forma de um on-the-road-film. O documentário registra a passagem dos músicos por 26 países, contando com cerca de mais de dois milhões de fãs. Entrevistas com todos os integrantes da banda e filmagens de backstage também fazem parte do filme que foi rodado por Baillie Walsh, diretor que já trabalhou com Massive Attack, New Order e Kylie Minogue. O segundo DVD conta ainda com um show de dezesseis canções que a banda realizou no Eastlands Stadium, do clube de futebol Manchester City, em julho de 2005. Enquanto isso o Oasis prepara um novo trabalho, a ser lançado em 2008.

* Os suecos mais explosivos do universo, The Hives, anunciaram o nome do novo e super esperado quarto disco de carreira, “The Black And White Álbum”. O álbum será lançado no inicio de outubro na Inglaterra, isso quer dizer que no final de setembro poderemos começar as buscas internéticas por faixas devidamente vazadas. O single “Tick Tick Boom” será lançado dia 24 de setembro e as novidades dos caras já podem ser apreciadas através de um remodelado e interessantíssimo website:
http://www.thehivesbroadcastingservice.com/. Em declaração a NME, o líder da banda, Howlin' Pelle Almqvist se disse frustrado com a demora durante o processo de gravação do álbum, que acabou por ser registrado em sete estúdios diferentes. Almqvist disse ter sentido na pele o problema que leva Axl Rose a adiar infinitamente “Chinese Democracy”.

* Por falar em Axl, Slash & Cia., segue preciosidades do mundo Rolling Stone via web. Abaixo dossiê Guns and Roses com entrevistas das antigas com Axl Rose, Slash e banda. Confira!
http://www.rollingstone.com/news/story/15808548/axl_rose_the_rolling_stone_interview
http://www.rollingstone.com/news/story/15808331/slash_the_rolling_stone_interview
http://www.rollingstone.com/news/story/15808339/guns_n_roses_outta_control_the_rolling_stone_cover_story
Seguindo na RS web... Pergunte a David Fricke, editor sênior da Rolling Stone gringa, o que você quiser. Ou, se preferir, confira as respostas do colunista no link abaixo. Vale a pena, Fricke conta interessantes passagens desua carreira e alguns hábitos particulares. http://www.rollingstone.com/news/story/15857960/ask_david_fricke_frickes_picks_columnist_and_rolling_stone_senior_editor_answers_your_questions



* Agora é hora de novidade. Discos e singles lançados na Inglaterra e EUA esta semana: entre os destaques, novo e nono álbum de carreira dos rappers americanos do Public Enemy, lançado ontem, além do novo single dos reis do subúrbio Hard-Fi, “Suburbian Knights”. Quem lança single também é o pentelho Kanye West, que vem com sample de “Stronger”, do Daft Punk. Aliás torçamos para que o novo disco de Kanye venda muito bem, se possível e com estranha sinceridade faço votos para que comprem o CD do cara. É que rola uma disputa entre ele e 50Cent. A Coisa, 50Cent, declarou que se o seu novo trabalho "Curtis" vender menos que o de West ele abandona a carreira de rapper. Deus te ouça meu filho.

Seguindo a onda de lançamentos e singles, segue abaixo o verdadeiro chart show, o mais hype de todos, e por que não o mais obtuso deles. NME Chart Show apresenta os indies da semana, com o The Pigeon Detectives liderando a parada e desbancando o Maximo Park. Isso enquanto os novos singles do White Stripes, Hard-Fi e o novíssimo “Mammoth”, do Interpol, não ganham fôlego.

1. The Pigeon Detectives - 'Take Her Back'
2. Maximo Park - 'Girls Who Play Guitars'
3. The Cribs - 'Moving Pictures'
4. Hard-Fi - 'Suburban Knights'
5. Interpol- 'The Heirich Maneuver'
6. The White Stripes - 'You Don't Know What Love IT (You Just Do What You're Told)
7. Biffy Clyro - 'Folding Stars'
8. The Twang - 'Two Lovers'
9. The Rumble Strips - 'Girls And Boys In Love'
10. The Enemy - 'You're Not Along'
Abaixo, clipe da excelente “Suburbian Knights”, Hard-Fi rumo ao topo.


Hard-Fi – “Suburbian Knights”



Álbuns lançados:
Architecture In Helsinki - 'Places Like These'
Public Enemy - 'How You See To A Souless People Who Sold Their Souls'
Andre 3000 - 'Class of 3000'
You Say Party! We Say Die - 'Lose All Time'
The Coral - 'Roots & Echoes'
White Rabbits - 'Fort Nightly'

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Nação Zumbi - Festival Indie Rock

A segunda noite do Festival Indie Rock já nascia com clima de dúvida no ar. Afinal superar a catarse promovida pelos Magic Numbers, no dia anterior, era, no mínimo, tarefa ingrata. No entanto, coube a uma banda literalmente de peso iniciar os trabalhos no Circo. Em substituição ao Mombojó, o Nação Zumbi, por exigência de sua empresária, fez o primeiro show da noite para uma platéia quase-ninguém composta por cerca de 200 pessoas, que apressadas e surpresas correram para assistir o começo do show da Nação. Na real muita gente ainda pensava que os zumbis seriam a segunda banda da noite, justamente pela sua posição há muito tempo pós-indie, artistas sacramentados há mais de anos no cenário nacional.

Mas como não teve jeito, quem pode assistir saiu extasiado com a já conhecida e inesgotável simbiose do maracatu atômico. Resgatando clássicos de sua trajetória como “Mangue Town”, “Macô”, “Maractu Atômico”, entre outras pérolas dos mais recentes trabalhos como “Meu maracatu pesa uma tonelada”, “Blunt of Judah” e "Vai Buscar", os cabras liderados pelo registro grave e mesclado por efeitos e reverbs de Jorge du Peixe foram como sempre inspiradíssimos até o final da apresentação, com “Quando a maré encher”.

Destaque, como não poderia deixar de ser, para o guitar-hero Lúcio Maia, mentor de sonoridades altamente voláteis e climáticas. O guitarrista que lançou recentemente o ótimo "Homem Binário" agia como uma elétrica centopéia em meio as suas dezenas de pedais de efeito. Empunhando e revezando suas clássicas armas, SG e Stratocaster de cor creme, Lúcio roubou a cena e fez o show, que começou com um climão esquisito, pegar fogo.

No entanto, por causa do fiasco em termos de público, o que se viu foi um show aquém do que o Nação Zumbi costuma proporcionar às suas platéias. Curto, com duração de apenas uma hora e com muito espaço vazio na tenda era notável a diferença em relação ao recente show da banda, no mesmo Circo Voador, cerca de um mês e meio atrás, onde com preço acessível, os pernambucanos sozinhos puxaram mais de três mil pagantes. Jorge Du Peixe agradeceu a platéia e anunciou sem qualquer embaraço ter esquecido o nome das bandas que viriam em seqüência. Normal, o Nação anda trancafiado em estúdio para produzir seu sétimo álbum de carreira, que sai pela Deckdisc em setembro. A seguir resenhas de Móveis Coloniais de Acajú e os londrinos do The Rakes.

Foto: L. Felipe Reis

quinta-feira, 26 de julho de 2007

The Magic Numbers - Festival Indie Rock

Sinal de tempestade, vento forte e nuvens carregadas ameaçavam estragar a festa do primeiro dia do Festival Indie Rock. Graças ao sorriso de quatro números mágicos a sorte dos cariocas estava traçada e não precisava de estrela alguma no céu para entender que nada disso iria atrapalhar a festa. Depois da apresentação do sexteto paulista Hurtmold, foi a vez dos ingleses mais simpáticos do mundo subirem ao palco.

Romeo Stodart não precisou entoar sequer uma frase melódica de suas cordas vocais ou de sua guitarra para ganhar a platéia.Bastou o músico entrar em cena que o circo definitivamente já estava armado, o picadeiro mais que arregimentado à espera de seus artistas e o espetáculo definitivamente ganho. “This is a Song” deveria ser o título padrão de toda e qualquer música produzida pelos Magic Numbers. Mais do que apropriadamente, a pérola de doces nuances fez o trabalho de enfeitiçar de vez o público presente no Circo.

Romeo Sodart e seus sorrisos, a baixista Michele e toda a sua presença mostraram que ao vivo eles são muito mais elétricos do que o simples ouvir de seus discos pode suscitar em nosso imaginário.Michele é de fato uma baixista que entende do riscado, suas linhas são de uma precisão impressionante. A moça, irmã de Stodart, e sua vasta cabeleira negra não pararam por um segundo de se movimentar no palco.

A interação dos integrantes com a platéia e as rasgações de seda ao Rio de Janeiro, onde a banda pode curtir nos três dias em que estiveram por aqui maravilhas como o corcovado e escolas de samba, mostravam que os encantos da cidade maravilhosa ainda estavam intactos e cristalizados no brilho dos olhares até certo ponto ingênuos do afinadíssimo vocalista Romeo. A introspecção dos arranjos e a intimidade que a banda dividia com o público levou seus ardorosos fãs ao delírio. “Take a Chance”, também do segundo álbum de carreira do quarteto, “Those the Brokes”, deixou claro que a noite era de muitas palmas e dancinhas suaves pra direita e esquerda.

O som dos Magic Numbers nunca se atropela e o batera Sean Gannon conduz com o maior nível de seriedade reservada a um magic-number os clássicos indies do repertório, “Forever Lost”, “Love`s Game”, “I see you, You see me”, entre outras. Cada instrumento tem o seu espaço na canção e com enorme clareza é possível notar toda e qualquer ação, seja das guitarras, maravilhosamente dedilhadas por Stodart, os pulsantes e aveludados graves do contra-baixo de Michele ou dos teclados e escaletas da tímida e encantadora Angela Gannon.

Se o início da apresentação teve a dupla de irmãos Stodart como figuras principais, no segundo tempo quem assustou pela competência e beleza vocal foi justamente a outra gordinha da banda, Angela. Não estou falando aqui dos coros e backing vocals impressionantemente afinados e bem modulados, que tanto ela quanto Michele assobiaram durante todo o show, inclusive na supreendente releitura de "Crazy in Love", da musa Beyonce. Coube a representante feminina dos Gannon ir para o centro do palco e mostrar ao público o próximo single da banda, a deliciosa “Undecided”. Aos gritos de gostosa e aplausos mais que calorosos, a platéia literalmente babava enquanto a moça, um tanto quanto encabulada, voltava para o seu refúgio, ambiente seguro e repleto de seus brinquedinhos de teclas.

A sonoridade dos Magic Numbers é repleta da inocência perdida das décadas de 50 e 60. Mamas and the Papas e Beach Boys são referências óbvias às nostálgicas melodias da banda, que estampa na cara do público um espaço-tempo poético que anda pra lá de distante de nossa esquisita e super-dotada modernidade. É curioso notar que a mágica deste quarteto londrino reside em produzir pureza e simplicidade em um mundo difuso, complexo e fragmentado. Aqui não há espaço para multiplicidades egocêntricas, labirintos angustiantes e paranóicas realidades. Sem ataque ou defesa o universo dos Magic Numbers, como não poderia deixar de ser, é extremamente onírico e cada vez mais utópico aos olhos de hoje.

Foto: L. Felipe Reis

Festival Indie Rock - Lucas Santtana e Hurtmold

Com um Circo Voador ainda repleto de moscas o baiano Lucas Santtana abriu em alto estilo a primeira noite do Festival Indie Rock. Com o seu dub cafundido com metais e cavaquinhos reverberisados o show abre-alas de Lucas foi realmente um festival de coloridos paetês e serpentinas musicais. Navegando entre a sonoridade jamaicana e os ritmos característicos dos morros cariocas Lucas passeou com fluência entre suas jam sessions espaciais, canções instrumentais e releituras inusitadas.

O bom clima das faixas instrumentais sempre apoiadas na intensidade percussiva do Trio Onilu (Leo Leobons, João Gabriel e Leo Saad), nos metais à cargo da dupla Leandro Joaquim (trompete e fluguelhorn) e Maurício Zacharias (trombone), junto às guitarras carregadas de reverb, wah wah e delay de Bruno Levi davam ao público uma resposta à altura da atmosfera alive captada e registrada no último Cd de Lucas “3 sessions in a greenhouse”.

Os músicos, no início do show, de fato, pareciam se divertir mais do que a platéia, e a instrumental "Awô Dub" foi o cartão de visitas da banda que acompanha o artista, Seleção Natural. Só depois o músico resolveu aparecer na linha de frente empunhando seu cavaquinho. Negro cavaquinho que, diga-se de passagem, soou baixo e foi engolido grande parte do tempo pelos outros instrumentos. Aos poucos Lucas assumiu seu posto de reverberador de ambiências, através de suas originais divisões métricas e melódicas. Acanhado, o músico foi tirando de seu chapéu as particularidades de seu rico universo verde e arrancando de seu franzino e contido gestual canções que definitivamente quebraram o gelo da pequena platéia, que pouco a pouco ganhava corpo no Circo.

“Lycra-Limão” segurou bem o baile recheado de groove proposto por Lucas. Aliás, balanço, groove e movimento eram as palavras de ordem. As tortuosas e bem conduzidas linhas de baixo de Ricardo Dias foram até o final do show os fios condutores que não deixaram em momento algum a platéia parada. Santtana apresentou ao público do Circo Voador uma banda muito bem entrosada, que atacou em diversas frentes musicais, passando pela interessante releitura do partido-alto “Faixa Amarela”, de Zeca Pagodinho, por “Ogodô ano 2000”, de Tom Zé e pelo pancadão funk, cada vez mais na moda entre os indies, da faixa “Pela Orla dos Velhos Tempos”, Nação Zumbi – que toca hoje em substituição ao Mombojó, junto com Móveis Coloniais de Acaju e os pós-Libertines, The Rakes.

Empatia com o público garantida, Lucas tratou de fechar o show com uma das canções mais interessantes de seu repertório “Tijolo a Tijolo, Dinheiro a Dinheiro”, e certamente deixou a platéia com gostinho de quero mais. Aliás o único senão da primeira noite do Festival Indie Rock, foi justamente a escalação do show de Lucas antes do puramente instrumental e quadrado grupo paulista Hurtmold.

Os paulistanos de Pinheiros apresentaram um emaranhado musical até certo ponto inventivo e bem trabalhado, com os músicos se revezando em instrumentos diversos e em total sinergia no palco. O problema é que a falta de traquejo ou balanço de suas execuções foi o que mais chamou atenção. Tal qual uma narcísica masturbação musical o sexteto paulista ao menos atingiu o gozo ao final da festa, achando o groove, a maldade ou malemolência nos últimos instantes de sua fria, mas bem recebida, apresentação.

Escalar uma banda instrumental para segurar a platéia antes dos Magic Numbers foi uma atitude arriscada da produção, mas o público, que a essa altura já enchia boa parte da casa, parecia tão inebriado com a possibilidade de assistir os gordinhos ingleses que nem chiou ao ter que esperar pelo fim do Hurtmold. Saldo positivo do primeiro dia, a seguir resenha do espetacular show dos Magic Numbers.

Para baixar "3 sessions in a greenhouse" acesse:
http://www.diginois.com.br/

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Radar Pop #01






Alô, alô! Esse é o primeiro e experimental programa do blog, agora rádio, Radar Pop. A idéia é fazer um balanço semanal do que de melhor rola na cena rock, indie, pop, soul e etc. O programa foi gravado dia 14 de julho, mas só agora foi possível colocá-lo no ar. Alguns detalhes ainda por serem acertados, como o buffer do nosso player, que rola no esquema pause and play. É só pausar no ínicio da execução e deixar o radinho amarelo ficar pilhado! Como o que importa é começar, a gente segue à risca o lema com o pé na porta conduzido em grande estilo. Sobe o som, comente e espalhe o quanto quiser!

Set List:
01 - Interpol - "The Heinrich Maneuver"
02 - Kings of Leon - "On Call"
03 - Smashing Pumpkins - "Tarantula"
04 - Black Rebel Motorcycle Club - "Weapon of Choice"
05 - The Polyphonic Spree - "[Section 23] Get up and Go"
06 - The Bravery - "Believe"

B.G:
LCD Soundsystem - "Get Innocuous"
Datarock - "I used to Dance with my Daddy"
CSS - "Let`s Make Love and Listen to Death from Above"

Edição:
H.S. Raposo

terça-feira, 17 de julho de 2007

Radar

* Os Yeah, Yeah, Yeahs, liderados pela exótica Karen O., lançam a crua “Down Boy” como single do novo EP “Is Is”. As cinco canções que formam o EP foram gravadas em 2004, durante as turnês para a promoção do álbum “Fever to Tell”. Um dos momentos mais turbulentos e emocionalmente instáveis pelo qual a banda já passou, acabou sendo responsável por estas canções que exalam energia sexual e erótica impressionante. O trio nova-iorquino fez questão de registrar em vídeo uma apresentação ao vivo das cinco composições, no último dia 07 de maio no Glasslands Gallery, no Brooklyn. Co-dirigido por KK Barrett e Lance Bangs (diretor de vídeos de Sonic Youth e Nirvana), e filmado em efeito night-vision – conhecido por sua utilização em guerras –, a faixa “Down Boy” foi a escolhida como primeiro vídeo a ser lançado deste Ep, que contou com a produção do cada vez mais requisitado Nick Launey. "Is Is" - EP TRACKLIST: 1.Rockers to Swallow 2.Down Boy 3.Kiss Kiss 4.Isis 5.10x10


* Ao falar em Nick Launay chegamos aos, agora indie, australianos do Silverchair, que tiveram seu último e impressionante álbum “Young Modern” produzido por Launey, em seu Underbelly Studios. Daniel Johns e cia. estão nos EUA depois de um longo período afastados da mídia local, para fazer programas de televisão e para uma mini turnê, que conta com a presença do trio no festival Lollapalooza. Infelizmente os cangurus chegaram dando zebra. Acometido por uma terrível laringite Daniel quase explodiu sua garganta em recente apresentação do single “Straight Lines” no programa de Jay Leno. A infecção atrapalha as pretensões da banda em retomar espaço de destaque no universo do rock alternativo norte-americano, tanto devido a má apresentação em um programa do alcance de Leno, quanto pelo cancelamento de quatro importantes datas na Califórnia. Pra quem ainda não ouviu “Young Modern” vale o conselho: não perca tempo e baixe quando puder, já que não há sinal algum do discaço por aqui. Abaixo o vídeo da trágica e angustiante performance de Daniel. Vale ao menos para mostrar o quanto o cara da alma pela música que produz.



* O blog/site Stereogum, um dos mais influentes do mundo, prepara uma coletânea para celebrar os dez anos de lançamento do seminal “OK Computer”, do Radiohead. Uma das bandas escaladas para o projeto são os indies californianos do Cold War Kids. Os caras gravaram a faixa “Electioneering”, que segundo o vocalista Nathan Willet, não é a melhor do álbum, mas sim a mais badass de todas. Você pode fazer o download da faixa e dos outros covers que compõem o projeto através do site Stereogum ou pelo link direto: http://www.stereogum.com/okx/

* Seguindo de Radiohead. Thom Yorke e seus comparsas estão masterizando, em Nova Iorque, o super aguardado sétimo álbum de carreira da banda. A data de lançamento para o sucessor de “Hail to the Thief” (2003) ainda não está definida, mas cogita-se a possibilidade de que até o fim do ano o CD seja lançado.

* Quem também prepara um novo e aguardado CD é o Ganrls Barkley, duo capitaneado pelo cantor Cee-lo Green e pelo produtor Danger Mouse. De acordo com recentes declarações, Mouse anda cauteloso e afirma que não tem interesse em produzir um novo “Crazy” – hit-single que acabou por obscurecer o restante do álbum “St.Elsewhere”, lançado pela dupla em 2006.

* NME Hype Chart Show da semana
1. Yeah Yeah Yeahs - 'Down Boy'
2. Biffy Clyro - 'Folding Stars' (Clipe abaixo)
3. The White Stripes - 'Icky Thump'
4. Interpol - 'The Heirich Maneuver'
5. The Cribs - 'Moving Pictures'
6. Bloc Party - 'Hunting For Witches'
7. Smashing Pumpkins - 'Tarantula'
8. Dizzee Rascal - 'Old Skool'
9. Queens Of The Stone Age - 'Sick, Sick, Sick'
10. Tokyo Police Club - 'Your English Is Good'


* Saiu lista dos indicados a melhor álbum do Mercury Prize inglês. Os ganhadores do ano passado, Arctic Monkeys, com o álbum “Whatever People Say What I Am, That's What I'm Not”, estão novamente no páreo, desta vez com o segundo álbum de carreira “Favourite Worst Nightmare”. O quarteto de Sheffield pode ser o primeiro artista a faturar dois Mercurys seguidos. O rapper Dizzie Rascal, ganhador do Mercury em 2003 com o album “Boy in da Corner”, também está na jogada com o novo trabalho “Maths & English”. Álbuns de estréia de bandas como Klaxons, Maps, Jamie T e The View, também concorrem ao premio, que será realizado em setembro. Abaixo, os indicados:

Arctic Monkeys - 'Favourite Worst Nightmare'
Klaxons - 'Myths Of The Near Future'
Amy Winehouse - 'Back To Black'
Maps - 'We Can Create'
The View - 'Hats Off To The Buskers'
Jamie T - 'Panic Prevention'
Dizzee Rascal - 'Maths & English'
Bat For Lashes - 'Fur And Gold'
Young Knives - 'Voices of Animals And Men'
Fionn Regan - 'The End Of History'
New Young Pony Club - 'Fantastic Playroom'
Basquiat Strings - 'Basquiat Strings'

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Interpol - "Our Love to Admire"

How`re the tings on the west coast ?













O verso mais comentado do momento é a indagação ou deixa para o início de mais uma jornada ao sombrio universo do Interpol. A frase é o que Paul Banks, líder do quarteto nova-iorquino, vocifera na abertura do mais novo single da banda, The Heinrich Maneuver. Nova Iorque anda mesmo precisando de um grito de alerta. Junto aos Strokes, Yeah, Yeah, Yeahs e The Rapture, o Interpol fecha o “quarteto fantástico” de boas bandas surgidas a partir de 2000, numa cena que anda um tanto quanto parada ou como comentam por aí, infestada de hipsters!

Por enquanto a pergunta de Paul Banks serve de alento, pra dizer que a banda ainda está na área. Sofrendo na costa-leste por frustrações amorosas ancoradas no lado do Pacífico, o cantor flerta com o trágico, seja através de suas letras romântico-niilistas, quanto pelas guitarras e vocais cortantes e cada vez mais elétricos. O vozeirão monotônico e encorpado de Banks ainda é responsável por cerca de 70 por cento da aura soturna que envolve a banda, que, analisando friamente, fez até hoje um rock simples, cru em boa parte das canções, mas sempre desenvolvido sob uma atmosfera climática e de grandes ambiências.

Ao unir os solos espaciais da guitarra de Daniel Kessler às levadas e ritmos dançantes criados pelo baterista Sam Fogarino e pelo baixista Carlos D, o Interpol se conecta a um universo caótico, ainda mais urgente e apocalíptico em seu terceiro álbum, “Our Love to Admire”. Diferente dos trabalhos anteriores, as novas composições foram desenvolvidas a partir de bases de teclado, como se o Interpol tivesse incorporado um quinto membro oficial a seu line-up. A utilização expressiva das teclas pode ser notada desde a primeira e ótima faixa, Pioneer to the Falls, e pluraliza a sonoridade de uma banda, que sempre vislumbrou em seus obscuros arranjos uma grandiosidade paradoxal às sensações de clausura e introspecção geradas por suas canções.

Produzido por Rich Costey – mentor dos dois últimos álbuns do Muse, “Absolution” e “Black Holes and Revelations”, e também do último do Franz Ferdinand –, “Our Love to Admire” é repleto de novas e orquestrais texturas, que garantem, através dos sintetizadores, ainda mais peso e sofisticação ao som da banda. Não que o resultado supere em definitivo o clássico álbum de estréia “Turn on the Bright Lights” (2002) ou hits como Evil, do também aclamado “Antics” (2004), segundo álbum de carreira. Suas novas e densas onze canções, atravessam o ouvinte com a rapidez e o impacto de um raio, que ilumina o caminho nebuloso em que perpassam com cada vez mais freqüência superficiais bandas do cenário rock-camisa- pólo inglês ou dos emos norte americanos.

Como um pregador sinistro e altamente convincente Paul Banks rege com segurança o som de sua banda, influenciada pelo pós-punk inglês de The Cure, Echo and the Bunnyman e Joy Division, mas sem emular seus lideres, Robert Smith, Ian McCulloch e Ian Curtis respectivamente. O que os diferencia de sua imediata linhagem musical é a América, mas precisamente o caos nova-iorquino proferido pelas notas tortuosas, distorcidas e pesadas dos riffs desenvolvidos por Banks e principalmente por Kessler. A melancolia inglesa é transformada em catárticas intervenções de Paul Banks e cia, que têm nas faixas No I In Threesome, Mammoth e Rest My Chemistry grandes momentos de “Our Love to Admire”.


O novo trabalho marca muito bem a diferença entre o Interpol e aquilo que seria a resposta inglesa ao sucesso da banda, os ingleses do Editors, que acabam de lançar seu segundo álbum, o irregular “An End has a Start”. O quarteto de Birminghan ainda não conseguiu exorcizar os perturbadores fantasmas de Ian Curtis, e seu líder, Tom Smith, parece viver no limite entre esquizofrenia, dupla personalidade e idolatria desmesurada. “Our Love to Admire” posiciona o Interpol como uma das forças mais intensas do cenário atual. Passionais do início ao fim, eles são a prova de que carga emocional sincera, longe do melodrama emo, ainda é possível e extremamente necessária ao rock moderno.

Confira:
www.myspace.com/interpol

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Radar

* Sean Penn + Eddie Vedder = Coisa boa! O líder do Pearl Jam assina novíssimas canções para o filme "Into the Wild", dirigido por Sean Penn e com estréia prevista para o final do ano nos EUA. Além de Vedder, que escreveu praticamente um álbum inteiro para o filme, o premiado compositor Gustavo Santaolla (Brokeback Mountain, Babel) também está na jogada. Acho que esse filme vai ser duca!

* Conversa mole. Quinto e novo álbum dos White Stripes, “Icky Thump”, sai semana que vem via Warner. Depois de afirmar que os disquinhos haviam sido quebrados, devido a uma normativa da WMG(sede)... Surpresa! (rs) Os álbuns estão intactos e vão pra rua. A Warner confirma também data de lançamento para “Zeitgeist”, novo álbum dos Smashing Pumpkins, dia 22 de julho. Abaixo o clipe do single “Tarantula”:


* Macacos muito conscientes! Os rapazolas de Sheffield, Arctic Monkeys, decidiram não participar do Live Earth 2007, projeto musical do ecologicamente esperto e chato Al Gore. Em entrevista a agência francesa AFP o baterista Matt Helders disse que só em iluminação para o show gastariam a energia necessária para o funcionamento de dez casas(?!?!) e que seria hipocrisia participar de um festival deste porte(?!?!). Hummm

* A juíza pé-no-saco carioca liberou, enfim, a realização do Live Earth no Rio. Será o único evento do projeto que será de graça. Mas aturar Xuxa, O Rappa e alguns mais para assistir Leny Kravitz não vale a pena. Se Pharrel viesse com sua banda N.E.R.D talvez seria mais interessante, já que seu disco solo é um tanto quanto decepcionante. E aí, você vai?!

* Produtores do álbum de estréia dos new-reavers, Klaxons, "Myths of the Near Future", e do segundo dos Arctic Monkeys, "Favourite Worst Nightmare”, o duo inglês de electro-pop Simian Mobile Disco chega aos EUA com o lançamento do "Simian Móbile Disco EP", que conta com o hit "Tits & Acid", além de mais três faixas, dentre elas a inédita “3 Pin Din”. Ainda na praia eletro-pop... O Hot Chip prepara novo CD e já conta com seis faixas praticamente prontas. As novas canções, para o sucessor do aclamado, mas não tão interessante assim (podem tacar pedras), “The Warning”, devem soar um tanto quanto diferentes, já que foram gravadas ao vivo, como uma banda. Segundo Joe Goddard, o novo som é mais cru, distorcido e mais alto! Esperar pra ouvir...

* Os moleques do The Enemy assinaram contrato com a Warner UK e lançam seu disco de estréia "We`ll leave and die in theses towns". Abaixo o clipe de "Had Enough":



* Paul Weller e Grahan Coxon realizam parceria e lançam Ep com três canções inéditas. Lançado digitalmente dia 02 de julho, o single do pequeno e interessante projeto é a faixa 'This Old Town,' parceria de Coxon/Weller. 'Each New Morning' é composição de Coxon e 'Black River' de Paul Weller. Rasgações de seda a parte, quem sabe um CD não vem em seguida. Isso interessa!

* Um novo Ep do Placebo está para sair este mês. Brina Molko e Cia. Anunciaram novidades de seu “Extended Play 07”, que será lançado nos EUA dia 31 de julho e contará com oito faixas, cinco clássicos mais três canções ao vivo. O novo ep serve como suporte a entrada do Placebo na Projekt Revolution Tour. Turnê idealizada pelo Linkin Park que cruza os EUA neste verão (lá) e que conta com My Chemical Romance e Taking Back Sunday.

'Extended Play '07' tracklist:
'Nancy Boy'
'Every You Every Me'
'Taste In Men''Bitter End'
'Meds'
'Pure Morning' (live from Arras)
'Infra-Red' (live from Nimes)
'Running Up That Hill' (live from Santiago)

* No post abaixo resenha de Regina Spektor e o delicioso "Begin to Hope".

terça-feira, 3 de julho de 2007

Regina Spektor - "Begin to Hope"

Moscovita, radicada no barra-pesada Bronx desde os nove anos, Regina Spektor graduou-se em piano clássico e, hoje, sem o menor embaraço adiciona batidas de hip-hop, instrumentos de sopro e singelos riffs de guitarra às suas composições. Spektor já causa burburinho na cena do Lower East Side nova-iorquino há mais de cinco anos. Seus primeiros e hipnotizantes shows ocorridos em centenas de pequenos clubes locais ganharam proporções inimagináveis para a moça tímida de cabelos castanhos ondulados, olhos azuis e lábios generosamente avermelhados.

Filha de judeus russos que imigraram durante o regime da Perestroika, a cantora, de 27 anos, transmite candura; seu estereotipo alude a um fetichismo recatado. Sapatos bicolores, vestido sobre os joelhos, olhar melancólico, como o de uma boneca – não pela beleza, mas sim pelo desajeitado de seu gestual, vide o clipe "Fidelity". Dona de uma voz cristalina e precisa, Regina Spektor é, hoje, uma das mais inventivas compositoras e intérpretes da música pop norte-americana. Apesar de ser comparada, no início de sua carreira, a outras cantoras e pianistas como Fiona Apple e Tori Amos, Spektor bebe de fontes distintas e mais louváveis, que vão de Beatles a Frédéric Chopin.

Contratada pela Sire, ela distribui via Warner seu quarto disco de carreira “Begin to Hope” – “11:11” e “Songs”, foram os dois primeiros, produzidos e distribuídos de forma independente. “Soviet Kitsch”, de 2003 já trazia o espectro, apesar de menos instrumentação, do que viria a ser este novo e excelente trabalho. O álbum anterior, gravado em apenas dez dias, serviu de passaporte para o contrato com a Sire, além de catapultar Spektor definitivamente para o mainstream, em colaborações e turnês ao lado de artistas como os Strokes.

De quase-vendedora ambulante a objeto cult de apreciação e, porque não, rasgação de seda por parte da mídia especializada, um espaço-tempo de cinco anos foi o bastante para que o encanto de seu acanhado despojamento fosse notado. De mera coadjuvante em festivais ao redor do mundo Regina se estabeleceu, de um ano para o outro, como nome respeitado. Sua música saía, assim, da intimidade de seu quarto e de apresentações para platéias de 200 pessoas para públicos mais generosos. De londres a Nova Iorque, Spektor passou a lotar grandes casas como o Irving Plaza e o Shephard Bush Empire.

Begin to Hope
Begin to Hope” conta com produção sofisticada e altamente detalhista. A enganosa simplicidade que estampa o álbum é reflexo de uma artista que sabe muito bem que o potencial de sua criação não está na profusão indiscriminada de elementos sonoros, mas sim na justa posição de suas diversas influencias, que passam pelo jazz, pela música clássica até chegar em leves beats eletrônicos e melodias pop construídas com excelência.


Seu novo projeto é experimental. No entanto, isto não reflete na estética de sua sonoridade e no resultado final das composições do disco. Coeso do início ao fim, o álbum é o retrato de uma multi-instrumentista de enorme talento, que pôde brincar, durante dois meses, com todos os recursos de estúdio possíveis, além de idéias inimagináveis movidas por seus sinceros devaneios melódicos. É a arte de alguém que tem a exata noção de que grandiosos arranjos não são necessariamente sinônimos de apreciação por parte de ouvinte. O intuito aqui é fazer com que o disco seja tão divertido para quem o fez quanto para quem o ouve.

Objetivo alcançado com êxito através de um incessante desfilar de clássicos, que começa com a faixa Fidelity e passa por tantas outras de igual categoria e beleza como Better, Samson e On the Radio. Lady serve de palco para uma homenagem blues/jazzística a lenda Billie Holiday, uma de suas grandes influências. A faixa, assim, como todas as outras, revela a expertise de uma voz que se destaca frente às novas divas que felizmente não param de aparecer no cenário da música pop.

Spektor alia com propriedade o timbre límpido e agudo de sua voz à sensualidade de sussurros e maliciosas divisões métricas; garantias de certa vantagem sobre suas contemporâneas Feist e Charlotte Gainsbourg, por exemplo. Chega, por vezes, a lembrar uma focada Björk em Apres Moi – canção em que expõe com maestria sua habilidade ao piano, enquanto sua voz inebriante navega entre frases melódicas proferidas em inglês, francês e russo.

Como a própria cantora afirma “você nunca sabe a verdadeira linhagem de suas canções”. Confessionais ou não, suas letras, agora em primeira pessoa, despistam os fãs mais ansiosos, que buscam saber se o registro de suas linhas é reflexo de suas experiências pessoais. Realidade poética é o que Spektor transmite como resposta. Habilmente ela faz prevalecer o lirismo de sua obra frente a opacidade de nossa fugaz existência.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Chris Cornell - "Carry On"


















Uma das maiores dificuldades para um cantor solo que tenta repetir o sucesso de sua carreira em bandas anteriores é a busca por uma sonoridade que o identifique. O desafio se torna dez vezes maior quando os nomes das bandas pelas quais o cantor foi líder respondem por Soundgarden e Audioslave. É esse o dilema e a barreira que Chris Cornell não ultrapassa em seu segundo disco solo “Carry On”. Desentendimentos pessoais e em relação aos negócios impediram que o Audioslave continuasse unido; Chris Cornell na época teria afirmado que não tem mais idade para liderar uma banda e que gostaria de focar em sua carreira solo.

A perda de uma ótima banda não oferece aos fãs, órfãos, uma resposta à altura por Cornell. Não que o novo álbum não apresente boas canções. Cornell e sua voz poderosa ainda estão em cima, ao menos em estúdio. O problema do álbum são os arranjos um tanto quanto previsíveis, No such thing – canção que abre o disco e primeiro single – navega entre o rock pesado de guitarras imponentes e momentos acústicos que transmitem apenas uma tentativa frustrada de conectar seus fãs mais headbangers às groupies que ainda suspiram com o seu terrível bigode. Poison eye soa datada, já que remete à sonoridade dos anos 90 e ao Temple of the Dog, banda colaboração entre Cornell, Eddie Vedder e integrantes do Pearl Jam.

Carry On” é um álbum de pop/rock sem a atmosfera poética de “Euphoria Morning” e que perpassa perigosamente ao lado da tênue linha que separa baladas sinceras e o rock baba, onde as canções são apenas amontoados de clichês melódicos. As novas composições acabam soando apenas como vazios devaneios de uma alma artística que sempre passou longe do limbo, mas que está perdida momentaneamente. Salvam-se, com êxito, Safe and sound, que apresenta uma leve pegada de Soul Music e R&B em meio a intervenções sinceras de sopros e um refrão redentor, e She`ll never be your man. Na maioria das canções que se seguem, como em Ghosts, é impossível deixar de notar a presença dos fantasmas de Kim Thayil, guitarrista do extinto Soundgarden, e de Tom Morello, ex-Audioslave – que perturbam.

O disco é um atestado narcísico de Cornell que grita: “Eu sou um puta cantor” em todas as faixas. Não que ele não tenha razão, a dificílima e ousada cover de Billie Jean, do rei do pop Michael Jackson, fala por si própria, com Cornell vociferando assustadoramente. Há de se entender, no entanto, que música não é só voz e por isso é preciso construir sonoridades igualmente interessantes e que garantam identidade e credibilidade às boas intenções musicais.

Your soul today e Finally forever são as mais próximas de um já gasto estereótipo Bruce Sprigsteen, que Cornell poderia muito bem se afastar, baladas quase country perfeitas apenas para serem executadas em finais de filmes b norte-americanos. Cafonas, datadas e sem um pingo de inventividade. Resultado de uma produção bem cuidada, mas incrivelmente vazia de sentidos, o álbum esbarra em uma pseudo-diversidade de estilos, mas que na verdade foca apenas na exposição da voz de Cornell e revela um lapso de criatividade e um gigantesco abismo entre este “Carry On” e seus trabalhos precedentes.

Frustrante em boa parte do tempo, “Carry On” se despede com You know my name, canção-tema da trilha sonora do último “007 – Casino Royale”. Ilustra-se, assim, um quadro final desanimador. Esta que é uma das piores canções compostas por Cornell e que foi, diga-se de passagem, apropriadamente emprestada a um dos mais equivocados filmes da linhagem do fantástico agente secreto, erraticamente representado pelo Bond(e) paraguaio Daniel Craig.

Confira:
www.myspace.com/chriscornell

terça-feira, 26 de junho de 2007

Bjork "Volta" ao Brasil


















Mais uma peça confirmada para o quebra-cabeça do Tim Festival 2007. A islandesa Bjork se apresentará no Rio, na Marina da Glória, mas a data ainda não foi revelada. Para os fãs do novo disco da cantora, o fantástico “Volta”, lançado em maio, resta torcer para que os americanos melancólicos e esquisitóides do Antony and the Johnsons confirmem presença no TIM. O vocalista da banda Antony Hegarty participou das faixas "The Dull Flame of Desire" e "My Juvenile" – ambas gravadas em uma sessão na Jamaica. Resta saber se vai rolar o dueto ao vivo por aqui.

“Volta”, sexto álbum de carreira e um dos mais aclamados de Bjork – cotação 4 estrelas pra cima em todas as principais publicações musicais do mundo – conta também com os beats do midas Timbaland, que empresta seus graves e grooves às canções “Innocence”, “Hope” e ao ótimo single “Earth Intruders”. Vanguardista, afetada, onírica ou bizarra, não resta a menor dúvida de que não se deve perder a apresentação do pequeno duende islandês em outubro. Clipasso de “Earth Intruders” abaixo:

Björk - "Earth Intruders"

segunda-feira, 25 de junho de 2007

The Police in Rio

* No início do ano boatos de que o The Police estaria de volta circulavam por todo o canto. Sting e companhia, separados oficialmente desde 1986 decidiram voltar aos palcos para comemorar os 30 anos de lançamento do primeiro single da banda, o épico “Roxanne”, que eles entoaram na festa de premiação do Grammy 2007 – video abaixo.
A “The Police Reunion Tour” inaugurada no final de maio em Vancouver, Canadá, pretende percorrer palcos dos quatro cantos do planeta. A boa nova é que os ingleses vão tocar dia primeiro de dezembro no Maraca. Estão confirmadíssimos! O show que talvez seria realizado em São Paulo foi “roubado” pelo governo do RJ e sua secretaria de Esportes e Turismo. Agora é só esperar e juntar a graninha.

* Giro pela ilha. Glastonbury encerrado com show do The Who e com o público reclamando do baixo volume do sistema de som no Pyramid Stage, nos shows dos headliners Arctic Monkeys – video de "Fluorescent Adolescent" abaixo –, e The Killers, que chega esta semana com single novo, o mais ou menos “For Reasons Unknown”. É, o nosso TIM festival reunindo dois carros-chefes do maior festival de rock do mundo, não é pouca m... não.

* Novos lançamentos chegam à net essa semana. Novo álbum do The Editors – “An End Has a Start”, apontado pela NME da semana como um “sub-editors”. Os garotos incendiários do The Enemy lançam o primeiro single “Had enough” do álbum “We`ll leave and die in these towns” a ser lançado via Warner. Beastie Boys atacam de “The Mix Up” e o The Automatic desembala novamente o seu "Not Accepted Anywhere" digitalmente via myspace para o mercado americano, já que a banda se prepara para a Warped Tour 2007.

* Por aqui, retratos da prosperidade: Enquanto o novo do White Stripes, “Icky Thump”, que sairia via Warner foi abortado pela sede mundial na última hora, chega com um ano de atraso o belíssimo disco “Begin to Hope” da moscovita radicada no Bronx, Regina Spektor, também pela Warner – resenha em breve e vídeo do primeiro single “Fidelity”.

Regina Spektor - "Fidelity"


The Arctic Monkeys - "Fluorescent Adolescent"



Confira:
www.myspace.com/reginaspektor
www.myspace.com/theenemycoventry
www.myspace.com/theautomatic

terça-feira, 19 de junho de 2007

Festivais Indie

Foi dada a largada para a correria em bilheterias, economias de porquinho e etc. TIM Festival, Indie Rock Festival e shows internacionais avulsos. Se há dois anos atrás com o dólar em alta os shows internacionais eram escassos 2007 está sendo um ano dos mais bacanas e generosos para os amantes do rock "moderno". É chegada a hora dos preparativos para a festa de shows indies que ocorrerão a partir do segundo semestre.

A primeira versão do Indie Rock Festival, a ser realizado nos dias 25 e 26 de julho no Circo Voador e também em São Paulo está confirmada. O festival, que é um misto de duas bandas internacionais e quatro nacionais, vai contar na primeira noite, quarta-feira a partir de 21h30, com Lucas Santtana & Seleção Natural, os paulistas do Hurtmold e os gordinhos e fofos do The Magic Numbers; já na quinta-feira no mesmo horário, a festa fica por conta dos ótimos Mombojó, da big band brasiliense Móveis Coloniais de Acaju e dos londrinos do The Rakes.

Entre o Indie Rock e o super especulado Tim Festival, calma ainda chego lá, rola show de Marilyn Manson na Fundição Progresso dia 25 de setembro, em turnê de lançamento de seu pop/gótico cd "Eat Me Drink Me", tem Incubus, em turnê de "Light Grenades", um dia após o dia das crianças, em 13 de outubro no Citybank Hall do Rio e dias 14 e 15 em SP.

Agora sim, confirmadas as primeiras três apresentações do TIM Festival 2007, a ser realizado entre os dias 25 e 31 de outubro: Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Vitória. São elas The Killers, Arctic Monkeys and Juliette and the Licks, que tocarão na Marina da Glória. Além destes corre na boca pequena, agora cada vez mais larga, que Atony and the Johnsons, Cat Power e talvez Bjork e Kaiser Chiefs apareçam no festival. É só esperar a bilheteria abrir, segundo o site do Arctic Monkeys, Tickets a partir de 27 de agosto!
Segue abaixo sessão myspace dedicada a quem quiser conhecer ou apenas sacar o som das bandas citadas acima.

Internacionais:

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Franz Ferdinand - All my friends

Enquanto o novo álbum dos escoceses/ingleses mais simpáticos do mundo não chega, o Franz Ferdinand ataca de cover e clipe novo. Versão para o já clássico hit "All My Friends", de James Murphy, o cara por detrás do super hypado LCD Soundsystem.

sábado, 16 de junho de 2007

QOTSA - "Era Vulgaris"

"Era Vulgaris" soa menos explosivo ou fantasmagórico do que o clássico "Songs for the Deaf", mais inventivo e menos cativante do que seu precedente "Lullabies to Paralyse", um dos álbuns mais controversos da banda.

As guitarras de Josh Homme mais econômicas do que nos discos anteriores pontuam as melodias com menos distorção e mais ênfase rítmica. Já as letras de "Era Vulgaris" também apontam um novo ambiente e versam sobre o vazio existencial do mundo hollywoodiano e, muitas vezes, por si só caem no vazio, numa metalinguagem auto imposta criada involuntariamente por Homme.

Como não poderia deixar de ser, “Era Vulgaris” é um ótimo álbum e mais uma vez posiciona a banda em um patamar muito acima da média da produção roqueira atual. O problema é que se "Lullabies to Paralyse" não contetou a maioria dos fãs após o clássico álbum vermelho, o que frustra em Vulgaris é que este também não leva a crer que o fará. Apesar da inteligência e inquietude de Josh Homme, que nunca se repete e procura sempre novos caminhos sonoros a traçar, o novo disco é irregular e faixas como Misfit Love dão vontade de desligar o som no meio do caminho.

Apesar das questões acima, o álbum começa com uma dupla arrasadora. Turning on the Screw e uma jam session atípica abrem os trabalhos, enquanto o espírito ensandecido que leva o ouvinte a queimar combustível em alta velocidade por estradas a fora é alimentado por Sick, Sick, Sick. Esta que conta com a participação especial de Julian Casablancas do Strokes, nos backing vocals.

A esquizo-rítmica I`m a Designer abre com os versos "Minha geração está a venda" e segue a crítica com irônicas passagens, "A coisa que é real para nós é fortuna e fama, Todo o resto é como um trabalho, Isso é como diamantes na merda". A canção prepara o terreno para Into the Holow, quarta faixa do álbum; psicodelia pura pronunciada por doces notas de guitarra. Battery Acid acelera na mesma linha orgânica e enxuta, porém se arrasta em uma pseudo complexidade difícil de aturar.

O QOTSA, porém ainda é uma das maiores, mais originais e menos hypadas bandas da atualidade, os caras de fato não circulam de mãos atadas com tendências pops e nem precisam disso. A sonoridade mais etérea e alternativa aliada à psicodélicas transposições harmônicas e linhas vocais de Josh levam a crer que "Era Vulgaris" é o trabalho em que o QOTSA mais se aproxima das idéias de Chris Goss – líder do Másters of Reality, produtor de "Rated R" e colaborador fulltime na maioria dos álbuns da banda.

O toque de sensualidade que a banda sempre trouxe em álbuns anteriores também está mais leve, mas é garantida por mais uma fuck-rock song, Make It Wit Chu, numa versão menos empolgante do que a já registrada nas Desert Sessions, que contava com voz regada a álccol e cigarro de Mark Lanegan. Este, por sua vez, só aparece timidamente nos coros de River in the Road, faixa que poderia ser inteiramente interpretada por sua voz cavernosa.

O que se percebe é que a maravilhosa capacidade de Homme em organizar partes musicais a principio impossíveis de serem casadas e transformá-las em canções memoráveis se dissipou, ao menos em "Era Vulgaris". O intuito de Homme em colocar todo mundo pra dançar com seu novo trabalho se diluí na medida em que se flagra uma falta de coesão entre as canções. O que falta ao disco não é inventividade rítmica, exploração de geniais sonoridades e timbres, ou dinâmicas surpreendentes, como em 3`s & 7`s, o que deixa a desejar é a formulação final das canções.

"Era Vulgaris" é pesado, escuro e elétrico como mencionou à impressa Homme. E de fato é um álbum mais pesado que os anteriores, não pela força de seus instrumentos, mas sim pela atmosfera mezzo garageira e experimental eletrônica. Boas idéias nunca irão faltar ao líder da mais nova one man band do pedaço, mas é preciso tomar cuidado para que tamanha profusão criativa não atrapalhe a construção de hits poderosos como foram The Lost Art of Keeping a Secret em "Rated R", No One Knows em "Songs for the Deaf" e In My Head em "Lullabies to Paralyse".

Confira: www.myspace.com/queensofthestoneage