NOTAS SOLTAS E RUÍDOS ESCRITOS

quarta-feira, 17 de março de 2010

Free Energy - Guitarras à moda antiga

Enquanto queimava os tímpanos para finalizar o último álbum do LCD Soundsystem, James Murphy dividia as atenções no estúdio com uma sonoridade bem distante do que costuma produzir. Fora da trepidante atmosfera de beats eletrônicos, o produtor esmiuçava amplificadores valvulados para extrair riffs crus e as levadas rítmicas simplórias que emolduram o álbum de estreia do Free Energy. A fórmula sintética do minimalismo – menos é mais – servia a intenções nada modestas: reinventar o tão fora de moda classic rock americano que serve de base ao quarteto. Atravessados pela filosofia “faça você mesmo”, o grupo vinha batendo cabeça há alguns anos em sessões caseiras pouco satisfatórias. Em vez de frustração, o resultado deixava clara a necessidade de um produtor – e de peso.

– Eu amei fazer esse disco. Foi tão bom gravar guitarras novamente. Eu havia realmente esquecido que fazia isso tão bem – disse Murphy, numa entrevista recente.

Lapidado à exaustão, Stuck on nothing chegou às lojas há duas semanas e carrega nos versos “We're gonna start a new life, and see how it goes”, que embala o single Free energy, a centelha que moveu o grupo da acinzentada Minnesota aos estúdios da DFA Records, em Nova York.

– O disco é resultado de anos e anos de gravações. Algumas músicas são novas, mas há outras que eu e Paul (Spranger, vocalista) compusemos para bandas antigas. Foi um processo realmente longo, e eu nem me lembro quando realmente começamos a fazer as versões finais com James – lembra o guitarrista Scott Wells.

Ele encara as idas e vindas ao estúdio, assim como as mudanças na formação do grupo como um processo de aprendizado.

– Tocar com caras com quem nunca havia dividido um estúdio antes e conseguir construir uma massa sonora com o mínimo de coesão é algo realmente mágico – diz. – E agora perceber que tudo deu certo e que as pessoas estejam curtindo o nosso som é melhor ainda.

De Thin Lizzy a Cheap Trick

Respaldado pela crítica, o grupo, que é a atração de quarta-feira do talkshow de David Letterman, confere boas doses de ironia e diversão à seriedade do rock produzido atualmente. Lançando mão de distorções setentistas, sinalizam influências como Thin Lizzy, Fleetwood Mac, Tom Petty & the Heartbreakers e Cheap Trick, em canções como Drak trance e Hope child. No entanto, deixam a agressividade de lado em favor de uma combustão eufórica, desprendida e relaxada, que serve a refrões ganchudos muito mais afeitos ao power pop que ao rock de arena.

– James é um dos maiores responsáveis pelo clima descolado do disco. Ele reduz a estrutura do que tocamos aos movimentos mais básicos. Isso faz com que um movimento qualquer de slide ganhe uma potência enorme. Ele sabe como valorizar cada elemento, é muito meticuloso.

Canções ensolaradas como Dream city avalizam a ideia de uma sonoridade um tanto quanto “libertadora e para cima”, como diz Wells; sob medida para aturar a “rotina entediante dos escritórios, momentos difíceis num relacionamento amoroso ou as horas perdidas em meio ao trânsito caótico” das grandes cidades. Como se vê, Stuck on nothing é mais que um bom título, e, sim, perfeitamente adequado às intenções libertárias de versos como “We are young and still alive / And now the time is on our side”.

– Cantamos sobre o nosso crescimento, descobertas, amores, inspirações e toda a energia e desprendimento necessários para viver as belezas que encontramos por aí – diz. – Mas são as melodias, as linhas de guitarra e as dinâmicas que instruem o que devemos dizer. Os temas nascem do que os sons nos levam a pensar. As letras precisam estar perfeitamente conectadas com os arranjos.

A sintonia fina do Free Energy você ouve aqui:

Dark trance



Bang pop



E mais aqui: http://www.myspace.com/freeenergymusic

2 comentários:

■N■L■B■N■ disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
■N■L■B■N■ disse...

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