NOTAS SOLTAS E RUÍDOS ESCRITOS

sábado, 8 de maio de 2010

Lissie empresta fôlego renovado à música folk, country e gospel

Empunhando uma inseparável Fender Telecaster como escudo, aos 26 anos Elizabeth Maurus mergulha fundo nas raízes musicais da América e volta à tona para emprestar fôlego renovado à música folk, country e gospel. Melodista aguçada, e dona de timbre ao mesmo tempo áspero e cristalino, extrai peças harmônicas que já fazem a cabeça de gente graúda do mercado fonográfico assim como de músicos destacados do cenário alternativo americano. De apelo pop instantâneo, mas nada superficial em seus versos, leva uma vida tranquila na fazenda de Ojai, no interior da Califórnia. E é de lá que acaba de soltar o EP Why you running e se prepara para lançar em junho seu álbum de estreia, Catching a tiger (Sony), coproduzido por Jacquire King (Kings of Leon) e pelo líder da Band of Horses, Bill Reynolds.

– Gosto das coisas simples da vida. Acabei de voltar de bicicleta do mercado dos fazendeiros aqui perto... Comprei um monte de frutas e verduras. Estou tentando ser saudável essa semana e me afastar dos cheeseburguers. As coisas voltam a ficar malucas daqui a poucos dias. Tenho que aproveitar – brinca a cantora, que embarca no dia 14 para uma turnê europeia. – O disco está saindo e estou vivendo essa espera. Me preparando, promovendo e começando a fazer os primeiros shows. Então, quando não estou ocupada, aproveito para descansar, ficar em casa, cozinhar, sentar no gramado sob o sol...

Nascida em Rock Island, Illinois, às margens do caudaloso Mississipi, Lissie parece ter sido teletransportada de uma comunidade hippie californiana dos anos 60. Dona de longos e desgrenhados cabelos louros, que emolduram sua pele sardenta, se veste com roupas puídas e desbotadas de uma típica colegial do interior. O ar de timidez e certa ingenuidade protege um diamante em fase de lapidação. Movida por ícones folk como Johnny Cash, Stevie Nicks & Chrissie Hynde e comparada a nomes como Cat Power, Feist e Sheryl Crow, não dá muita importância às tentativas de definir seu estilo. Diz que, como muitos adolescentes da sua geração, cresceu “escutando gangsta rap e uma porção de outras coisas” que igualmente serviram como influência.

– Cresci ouvindo musicais, os standards, folk, blues e rock classic, mas sempre mudando, abrindo espaço para outras coisas. Ano passado mergulhei nos discos de Bobbie Gentry e Fleetwood Mac – conta.

A consciência aberta e atenta a diversas vertentes da música pop se revela no canal de YouTube da moça. Lá, se destacam versões brilhantes para canções de Lady Gaga (Bad romance) e Metallica (Nothing else matters), ícones do pop e do metal um tanto quanto afastados do arquétipo bluesy que molda suas canções. De fato, a versatilidade é um dos grandes trunfos da artista, mas foi justamente por sua multifacetada personalidade que ela teve de mergulhar fundo até encontrar o tratamento estilístico adequado às suas canções.

– Passei algum tempo tentando descobrir um caminho para este trabalho solo, fazer com que ele tivesse um estilo. Depois que montei a minha banda no ano passado tudo ficou mais claro – explica a cantora. – Toquei sozinha em bares e na noite por muito tempo e queria que o disco tivesse mais força ao mesmo tempo que fosse versátil. Tive muita sorte de poder contar com músicos incríveis e de ter autonomia para dizer o que eu gostava ou não.

Tintas confessionais Gravado entre Holywood, Nashville, Carolina do Norte e algumas sessões caseiras em Ojai, Catching a tiger mescla canções embaladas por arranjos orgânicos, captadas nas primeiras gravações comandadas por Bill Reynolds, assim como faixas mais condicionadas aos padrões radiofônicos, assinadas por Jacquire. A liberdade em poder trabalhar com dois produtores é destacada pela cantora.

– Acho que o Bill vai se tornar em pouco tempo um daqueles produtores lendários, que ficam marcados na história – aposta Lissie. – Tive sorte em poder contar com músicos incríveis e de ter Jacquire por perto. Ele é um super profissional. Confiei totalmente nele nele para encontrar o que eu precisava, mesmo sem saber muito bem como controlar e planejar as coisas dentro do estúdio. Apenas entrava lá e torcia pelo melhor.

Construído como uma tentativa de se recuperar de um relacionamento amoroso frustrado e em meio a angústia de descobrir seu lugar no mundo, o disco apresenta uma compositora confessional, de veias quentes e abertas para o amor e conflitos internos que rangem a alma.

– Estava tentando me recuperar... Componho instintivamente, apenas quando eu sinto que devo. Já tentei escrever e me guiar por determinados assuntos, mas entendi que as minhas melhores letras surgem quando estou realmente sentindo.

Bad Romance (Lady Gaga):




When I'm alone:

Um comentário:

Carolina disse...

"O ar de timidez e certa ingenuidade protege um diamante em fase de lapidação". Fantástico! Adorei o som!