Mas como não teve jeito, quem pode assistir saiu extasiado com a já conhecida e inesgotável simbiose do maracatu atômico. Resgatando clássicos de sua trajetória como “Mangue Town”, “Macô”, “Maractu Atômico”, entre outras pérolas dos mais recentes trabalhos como “Meu maracatu pesa uma tonelada”, “Blunt of Judah” e "Vai Buscar", os cabras liderados pelo registro grave e mesclado por efeitos e reverbs de Jorge du Peixe foram como sempre inspiradíssimos até o final da apresentação, com “Quando a maré encher”.
Destaque, como não poderia deixar de ser, para o guitar-hero Lúcio Maia, mentor de sonoridades altamente voláteis e climáticas. O guitarrista que lançou recentemente o ótimo "Homem Binário" agia como uma elétrica centopéia em meio as suas dezenas de pedais de efeito. Empunhando e revezando suas clássicas armas, SG e Stratocaster de cor creme, Lúcio roubou a cena e fez o show, que começou com um climão esquisito, pegar fogo.
No entanto, por causa do fiasco em termos de público, o que se viu foi um show aquém do que o Nação Zumbi costuma proporcionar às suas platéias. Curto, com duração de apenas uma hora e com muito espaço vazio na tenda era notável a diferença em relação ao recente show da banda, no mesmo Circo Voador, cerca de um mês e meio atrás, onde com preço acessível, os pernambucanos sozinhos puxaram mais de três mil pagantes. Jorge Du Peixe agradeceu a platéia e anunciou sem qualquer embaraço ter esquecido o nome das bandas que viriam em seqüência. Normal, o Nação anda trancafiado em estúdio para produzir seu sétimo álbum de carreira, que sai pela Deckdisc em setembro. A seguir resenhas de Móveis Coloniais de Acajú e os londrinos do The Rakes.
Foto: L. Felipe Reis