NOTAS SOLTAS E RUÍDOS ESCRITOS

quarta-feira, 25 de abril de 2007

BRMC - Baby 81

Surgida em 2001, época em que banners promocionais de “Is This It” eram estampados em pontos de ônibus da zona sul carioca e anunciavam o novo salvador do Rock, a banda Strokes, os americanos do Black Rebel Motorcycle Club (BRMC) estavam à margem, obscurecidos pelo instantâneo e estrondoso sucesso comercial de seus contemporâneos.

Precursores da onda que viria a ser batizada de “novo rock”, ao lado do The Kings Of Leon e The White Stripes, os anticonvencionais californianos do BRMC atingiram seu maior status na Inglaterra – onde foram destaque do filme “9 Canções”, do cineasta inglês Michael Winterbotton (“Caminho para Guantanamo”), e colecionaram calorosos elogios de Noel Gallaguer, que, na época, chegou a afirmar que a banda era a única decente a fazer rock n`roll, e, portanto, seu mais novo xodó.

Descontadas as exacerbadas afirmações do falastrão líder dos Oasis, o BRMC constrói a cada lançamento uma carreira artística das mais sólidas. No vácuo deixado pelo hype a banda já acumula três Cds lançados, todos com alto prestígio e destaque pela mídia especializada. Com o lançamento de seu quarto trabalho, confirmado para dia primeiro de maio, o sucessor de “Howl” (2005), “Baby 81”, já é apontado como um dos grandes candidatos à pérola obscura do cenário alternativo.

Se “Howl” oferecia ao ouvinte um mar de influencias blues e gospel, em arranjos melancólicos, o novo trabalho retoma o caráter agressivo que os fez sair do anonimato. As belíssimas e introspectivas baladas folk dão espaço a guitarras envenenadas, esfumaçadas e urgentes. Os vocais divididos por Robert Levon Been (baixo) e Peter Hayes (guitarra) aparecem como coadjuvantes do emaranhado grotesco e belo das canções. A atmosfera caótica produzida pelo cortar de notas e solos assume o papel de destaque da obra, que conta também com baladas quase-ensolaradas, como “Windows”, “All You Do Is Talk” e “Killing The Lght

Baseados na extravagante e colorida Los Angeles é no mínimo estranho observar a estrutura sonora e visual que estes americanos estampam. Influenciados por artistas ingleses, mais notadamente do período pré-gótico, como Jesus & Mary Chain, o que os diferencia de seus antecessores é justamente a energia mais agressiva, derivada de ancestrais do pré-punk, como o incendiário The Stooges e sua lenda imortal, o iguana Iggy Pop.

Em tempos de movimentos “abaixo Bush”, bandeira hasteada por militantes esquerdistas ou não, o BRMC retoma um pouco do terreno político ou social de seu segundo trabalho “Take Them On, On Your Own”, que contava com faixas como "US Government" e "Generation". “Baby 81” é título - referencia ao bebê sobrevivente e órfão de número 81 do trágico tsunami que arrasou o Sri Lanka em 2004.

The Weapon of Choice” é o single escolhido pelo BRMC, que volta a atacar com a velha atmosfera garageira seus sedentos e fiéis entusiastas. Nove das 13 faixas que compõem o Cd já podem ser escutadas no myspace da banda. Mas pegue leve, não aumente tanto o volume do carro quando “Baby 81” estiver no playlist. Trata-se de um daqueles discos em que o acelerador avança sozinho. Etílico, inflamável e brilhante.


Um comentário:

cristina disse...

It's only rock'n'roll....but I like it!!!!!!!!! Babe, seu gosto musical é bão demaissss!! :-) bjks