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Álbum internacional:
1 - Wild Beasts - Two dancers
2 - Jamie Cullum - The pursuit
3 - Pearl Jam – Backspacer
4 - Animal Collective - Merryweather post pavilion
5 - Norah Jones – The fall
6 - Grizzly bear – Veckatimest
7 - Iggy Pop - Preliminaires
8 - Yeah yeah yeahs – It’s blitz
9 - Phoenix - Wolfgang Amadeus Phoenix
10 - Antony and the Johnsons - The Crying Light
11 - Joss Stone - Colour me free
12 - Dark night of the soul
13 - The Flaming Lips - Embryonic
14 - Allen Toussaint - The bright Mississippi
15 - Julian Casablancas – Phrazes for the young
16 - Nick Cave & Warren Ellis - White lunar
17 - Girls - Album
18 - Regina Spektor – Far
19 - Arctic Monkeys – Humbug
20 - Muse – The resistance
Hors concours: Nirvana – Live at Reading
Álbum nacional:
1 - Arnaldo Antunes – Iê, iê, iê
2 - Caetano Veloso – Zii zie
3 - João Bosco – Não vou para o céu, mas já não vivo no chão
4 - Letieres Leite e Orkestra Rumpilezz
5 - Pedro Miranda – Pimenteira
6 - Maria Bethânia – Encanteria e Tua
7 - Céu – Vagarosa
8 - Ney Matogrosso – Beijo bandido
9 - Ronei Jorge & Os Ladrões de Bicicleta – Frascos comprimidos compressas
10 - Moacyr Luz – Batucando
11 - Ed Motta - Piquenique
12 - Tiê - Sweet Jardim
13 - Cidadão Instigado - Uhuuu!
14 - Mariana Aydar - Peixes, pássaros, pessoas
15 - Otto - Certa manhã acordei de sonhos intranquilos
*Ep: Filipe Catto - Saga
Shows:
1 - Radiohead
2 - Friendly Fires
3 - Joss Stone
4 - Arnaldo Antunes
5 - Caetano Veloso
6- Nação Zumbi
7 - Keane
8 - Terence Blanchard
9 - Little Joy
10 - Ney Matogrosso
Filme internacional:
1 - Foi apenas um sonho
2 - Entre os muros da escola
3 - O equilibrista
4 - A partida
5 - Gran Torino
6 - Há tanto tempo que eu te amo
7 - Bastardos inglórios
8 - Milk - a voz da igualdade
9 - 500 dias com ela
10 - Aconteceu em Woodstock
NOTAS SOLTAS E RUÍDOS ESCRITOS
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Wild Beasts - Juan's Basement - Pitchfork TV
À época em que os entrevistei, eles estavam no meio de uma primeira e curta turnê pelos EUA. Na verdade, fizeram três noites em Nova York e mais alguns outros lugares. E gravaram o Juan's Basement, da Pitchfork TV. Aqui embaixo, Wild Beasts ao vivo com toda a sua estranheza:
domingo, 27 de dezembro de 2009
Girls, uma banda de outros tempos

Hellhole ratrace:
Lust for life:
Laura:
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Yeasayer é a banda de 2010

O Yeasayer iniciou a carreira na mesma leva que o duo MGMT. Aliás, a primeira turnê nacional das duas bandas, em 2007/2008, foi realizada em conjunto, com as bandas revezando a abertura e o encerramento das apresentações. A bordo de singles mais pungentes, como Kids, o MGMT disparou em projeção no cenário, enquanto o Yeasayer permaneceu como um tesouro indie a ser revelado. O que, principalmente, diferencia as duas bandas é a capacidade de performance no palco. Enquanto o MGMT sofre para reproduzir as sonoridades e vocais criados em estúdio, o Yeasayer é um quarteto de músicos tarimbados e cantores de afinação precisa e potência vocal. Ao vivo, como evidenciam os vídeos abaixo, retratam uma banda ensaiadíssima e criativa, que solta os bichos sem nada a dever ao material coletado em estúdio. Se há algum show a ser visto por aqui nos próximos meses é o do Yeasayer.
Ambling alp:
Tightrope:
Wait for the summer:
2080, Jools Holland:
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Norah Jones, Jamie Cullum, Cat Power e Lemonheads


Neste, Norah arriscava-se como autora de todas as composições. Percorria sinuosas melodias em busca de uma atmosfera sonora teatral, com elementos percussivos e instrumentos de sopro que, em certas canções, ecoavam e pintavam cenários de fanfarras e cabarés à Tom Waits. Agora, justo citando referências como o álbum Mule variations, do inquieto Waits, ela apresenta um conteúdo aparentemente menos experimental, mas que cruza terrenos inexplorados.
Com significados múltiplos na língua inglesa (entre eles, "queda" e "outono"), o título indica o que o álbum propõe em sonoridade: transição. Jones faz do estúdio de gravação seu isolado confessionário particular; um idílio em meio à paranoia e à fugacidade do correcorre diário da Nova York que a cerca. No entanto, a quietude, a placidez, o intimismo e aconchego sonoro estampados por órgãos, pianos e fluidas linhas de guitarras, que preenchem as novas composições, em nada têm a ver com a palavra comodismo. Jones explora ritmos, grooves, harmonias não apenas próximas do rótulo jazzy que a acompanha, mas também do indie rock ou pop. Ladeada por uma banda completamente reformulada, deixa de lado o piano como instrumento em que burila suas composições, dedilha sua guitarra elétrica e se une a uma série de novos parceiros para tecer as faixas que enredam The fall.
Produzido por Jacquire King (Kings of Leon, Tom Waits e Modest Mouse), o trabalho abriga assinaturas divididas com Ryan Adams e Will Sheff (Okkervil River), além do frequente Jesse Harris. Apesar das (boas) parcerias é quando Jones põe-se sozinha na labuta de canções, como em Wouldn't need you, Waiting, It's gonna be e You've ruined me, que o álbum ganha conjunto e espinha dorsal. Erigidas por arranjos minimalistas, que valorizam o silêncio como principal adorno à límpida voz da cantora, cada uma das faixas repousa o ouvinte num misto de melancolia e estado lúdico, que reforçam o talento da artista.
Também com 30 anos recémcompletos, Jamie Cullum tenciona uma reinvenção para o punhado de referências que cruzam sua formação musical jazzística e sua inclinação, como ouvinte, para ícones do pop e do rock. Em The pursuit o pianista e compositor empresta novo e inspirado fôlego à já clássica fusão entre os gêneros, que marcara seus três discos precedentes. Apesar da abertura em grande estilo, com direito à big band na versão para Just one of those things, de Cole Porter, o músico deixa claro nas faixas seguintes sua reverência ao formato canção e à linhagem pop. Faz do single I´m all over it a canção mais assobiável e radiofônica do seu repertório próprio - e nem por isso soa superficial.
Pelo contrário, usa um arsenal de ricas influências harmônicas e desemboca num refrão repleto de cores e nuances melódicas, que acobertam versos que dão conta de um caso de amor rompido. A veia aberta para o pop ganha liga com a balada conduzida ao piano Wheels, a versão para If I ruled the world e o cover para Don't stop the music, de Rihanna. Além da "roqueira" Mixtape, da hipnótica Not while i'm around, da grooveada We run things e da batida house dançante para Music is through. Mesclando sonoridades que atravessam o jazz, a música latina e até a eletrônica, Cullum empresta, em apenas um disco, novo sentido ao termo pop e à sua própria carreira, como artista indiscutivelmente popular.


Susan Boyle, Otto e Cauby

Mas logo em seguida, põe tudo a perder. Ataca You’ll see, de Madonna. Sem o menor tino, ou sex appeal, tenta fazer da faixa o retrato cantado de suas aspirações como ser humano. No encarte, trata o hit como um hino sobre “determinação, independência e a habilidade de mostrar a todos do que você é feito... Minha maneira de me livrar de todos os rótulos que são injustos”. Boyle é uma mulher atormentada, mas não faz do seu sofrer alimento para uma criação artística ousada. Perdida em meio a fama, deixa seu próprio dom depor contra si. E exagera. Nada disso, porém, impede que este début tenha se tornado um fenômeno de vendas mundo afora. Mas muito menos as cifras e o volume de cópias faz desta obra algo de valor.
Otto - Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos - Em seu novo álbum, Otto exorciza, em oito faixas próprias, os demônios internos e externos que o lançaram ao limbo da MPB nos últimos anos. Revigorado, se inspira em Metamorfose, de Kafka, e na lírica de Ben Jor para assinar um repertório de mais altos que baixos. Arquitetado pelos criativos Dengue e Pupilo (Nação Zumbi) e aclimatado pelas guitarras de Catatau, o disco acerta em Crua, Meu mundo dança, Seis minutos e na catártica Filha, mas escorrega em Janaína e em Lágrimas negras, com participação de Julieta Venegas.
Cauby Peixoto - Cauby canta Roberto - Ao contrário do que sugere o título do álbum, Cauby Peixoto empresta toda a sua "elegância" a peças icônicas criadas em dupla pela parceria entre Roberto e Erasmo Carlos. No repertório, belas e tristes canções ganham verve dramática sob o impacto da voz encorpada e profunda de Cauby - em excelente forma, por sinal.Sentado à beira do caminho, Proposta e A volta, entre outras recheiam um trabalho bem cortado, com arranjos de cordas e instrumentação acústica dando espaço de sobra para Cauby deitar sua bela voz.
"Cantar é a minha droga", diz Joss Stone
Da primeira vez em que esteve por aqui (em julho do ano passado) até agora, a moça pintou o cabelo várias vezes, brigou com sua gravadora e gravou o trabalho mais “adulto” de sua vida: pela primeira vez, um disco seu saiu com o infame adesivo advertindo sobre “letras explícitas” na capa. Mas algumas coisas não mudaram desde então: o vozeirão de soul singer aprisionado numa lourinha (ruivinha? moreninha?) inglesa e a beleza, que nos últimos tempos perdeu o tom juvenil e tornou-se mais maduro e, claro, sensual. Em sua segunda passagem pelo rio, no palco do HSBC Arena, soltou os cachorros acompanhada de uma banda afiada e de um figurino ousado, um curtíssimo vestido branco. Mostrou que não adianta querer aprisioná-la. Sua
relação com a música é, digamos, química.
relação com a música é, digamos, química.
– Cantar é algo mais do que um prazer qualquer: é uma necessidade vital. É como se fosse uma droga que eu realmente preciso usar – narra Joss à Programa . – A música é algo que me faz renascer a cada dia. E se não a fizesse, não sei se conseguiria tocar minha vida adiante.
A “libertação” que a inglesa tanto busca, e que acabou parando no título do primeiro single do novo disco (Free me) se refere à gravadora EMI. Joss teve seguidos problemas com o selo, que atrasou o lançamento de Colour me free! e cobrava que a cantora seguisse a imagem modernizada de diva R&B que assumiu no trabalho anterior, Introducing Joss Stone. A moça reagiu à domesticação gravando o disco em menos de uma semana, num estúdio montado num bar dirigido por sua própria mãe, no Sudoeste da Inglaterra.
– Aprendi que não adianta fazermos um álbum se percebemos que o novo disco não supera o anterior – diz a cantora quando perguntada sobre o que mudou no seu approach musical na hora de fazer Colour me free! – Curto pesquisar e achar os sons que quero para cada música. Apesar de não saber tocar os instrumentos, sei como devem soar. Não foi algo planejado, não tinha nada acertado, mas como o bar de minha mãe não estava funcionando e é muito perto de onde eu estava, decidi que poderíamos fazer.
De volta, tanto no palco quanto no disco, está a sonoridade mais retrô ouvida no trabalho de estreia, The soul sessions. As referências: Smokey Robinson, Gladys Knight, Aretha Franklin...
– Eu sempre ouvi muito esse tipo de música em casa, desde os 14 anos era vidrada – lembra Joss, falando sobre suas paixões black. – Mas só comecei a compor e entender minhas composições bem depois. É difícil falar sobre essas influências.
Como precursora da onda de cantoras britânicas de neo-soul (Amy Winehouse, Duffy, Adele...), a intérprete assina embaixo da onda revisionista:
– Acho o máximo que isso aconteça. Agradeço a Deus porque temos novos artistas empenhados em fazer música de verdade, com alma. É um processo realmente interessante para o pop.
Nirvana - Berros e lendas do grunge, 20 anos depois

Editado em junho de 1989 pela Sub Pop, a bolacha que inicialmente vendera cerca de 40 mil cópias completa 20 anos. Para celebrar a data, o disco ganha as prateleiras numa edição de luxo em CD duplo, remasterizado a partir das fitas originais e acrescido com uma apresentação ao vivo da banda - ambos com a supervisão de Endino:
– Eu sabia que tínhamos em mãos um bom disco, mas eu faço uma porção de bons discos todos os anos. Acho que todos deveriam ser escutados por muito mais gente, o que geralmente não acontece... com exceção de Bleach.
Escoltado pelos bateristas Dale Crover e Chad Channing, Cobain finalizava as letras pouco antes de Endino dar o comando de "gravando". O resultado é um álbum cru, pantanoso, com uma coleção de melodias arrastadas adornadas por guitarras distorcidas que fundiam a ferocidade do punk e das bandas de garagem ao ar lúgubre do metal setentista cunhado pelo Black Sabbath.
Da caneta do compositor, escorriam referências biográficas, tanto de seu traumático histórico familiar quanto de sua adolescência na conservadora e remota Aberdeen, como em School, Floyd the barber e Mr. Moustache. O disco já continha os lancinantes urros que tornaram-se sua marca, como em Negative creep e Blew, além da veia pop para melodias açucaradas, como em About a girl. Apesar de lembrar detalhes da gravação, Endino confessa que seu relacionamento com Kurt foi tão rápido e focado quanto as gravações do seminal álbum.
– Não nos conhecemos muito bem, apenas passamos alguns dias juntos. Não fui muito próximo dele, até porque ele não morava em Seattle (na época, o roqueiro vivia na cidade vizinha de Aberdeen) e não tínhamos muito contato social fora das sessões – conta.
O produtor prossegue:
– Kurt era um cara fácil de se lidar. Ouvia a opinião das outras pessoas e era extremamente focado. Não consigo lembrar sequer de ter visto os caras bebendo cerveja durante o tempo em que passamos no estúdio. Não perdíamos tempo, só queríamos saber de gravar e tirar um bom som. Cobain nunca mostrou evidências de seus problemas.
Por "problemas", Endino se refere à instabilidade mental do líder da banda, que, somada ao vício em heroína, o levou ao suicídio em abril de 1994, pouco mais de cinco anos depois do lançamento do disco de estreia. Após o estouro de Nevermind, Bleach ganhou fôlego renovado e chegou a marca de 1,7 milhões de cópias vendidas apenas nos EUA. Fato que sedimentou e projetou a carreira de Jack Endino como produtor musical. Até então, ele se dividia entre o trabalho no estúdio e o posto de guitarrista da banda Skin Yard:
– Percebi que poderia viver disso quando o Skin Yard acabou, em 1992, na mesma época em que o grunge estava explodindo. Parecia que o mundo exigia que eu me tornasse um produtor, mais do que um guitarrista. Meu telefone não parava de tocar.
A segunda metade do pacote ilustra uma apresentação poderosa e, como sempre, caótica do grupo, com Cobain quebrando sua guitarra ao fim da apresentação. Extraída de um show no Pine Street Theatre, em Portland, em 9 de fevereiro de 1990, a gravação traz versões ao vivo para covers como Love buzz e Molly's lips, e foi remixada a partir das fitas originais.
– O grunge era uma combinação do rock de garagem dos anos 60 com o hard rock dos 70 e com a atitude punk dos 80 – define Endino, com a autoridade de quem é tratado como o avô do grunge. – Tínhamos uma filosofia muito forte do faça-você-mesmo, monte-a-sua-banda, grave-o-seu-próprio-disco. E, é claro, muitos gritos e uma série de guitarras estrondosas. Kurt fez lembrar a todos que a melodia é fundamental para uma boa composição e que é preciso cantar com paixão.
Imagens de Seattle: cidade depressiva e experimental
Autor do recém-lançado livro de fotografias Grunge, Michael Lavine iniciou seus primeiros experimentos fotográficos quando ingressou na Evergreen State College, em Olympia. Lá acompanhou de perto uma intensa movimentação ao ser contratado pelo selo Sub Pop (que lançou Nirvana, Mudhoney e Soundgarden) como fotógrafo oficial. Para ele, o grunge é resultado de uma combustão entre desconforto psíquico, condições atmosféricas desfavoráveis e um cruzamento musical abrangente.
– Tudo tem a ver com o ambiente de Seattle. Nove meses de chuva, céu cinzento, nuvens carregadas e muito frio. Um clima que levava todos a um mesmo estado mental: depressão – diagnostica. – É uma cidade isolada, mas com uma cena experimental intensa. Os moradores de Seattle eram rebeldes e propunham mudanças significativas à ordem estabelecida. Sentia isso na molecada.
Lavine lembra bem da primeira sessão de fotos do Nirvana, que ilustra essa página.
– Eles não tinham grana, nem sucesso. Nos encontramos em Nova York, no CBGB. Era um cara
genial, amistoso. – diz o fotógrafo. – A sua loucura estava na cabeça, assim como acontece com caras como David Lynch e Cronemberg. Kurt nos fez entender que o rock tem poder de influenciar.
Thurston Moore, do Sonic Youth, assina o texto que contextualiza a coleção de fotografias.
– As fotos capturam muitas bandas e personagens que foram precursores do grunge – conta. – Até hoje muitas pessoas são inspiradas por eles. É como o punk, sempre terá alguém tocando e se inspirando nessas bandas.
Julian Casablancas - Sem medo do perigo e do exagero

E é justamente por ter em suas peculiares modulações vocais a célula mater da sonoridade dos Strokes, que Casablancas investe em arranjos de intenção oposta ao que marcou seu trabalho de origem. A crueza do duelo de guitarras, a bateria minimalista de Moretti e a urgência, a secura e o enfumaçado de uma banda de garagem dão lugar a dimensões futuristas, em canções melodiosas esculpidas por teclados e sintetizadores em múltiplas e encorpadas camadas sobrepostas, além de uma profusão de inusitados instrumentos. Inspirado por Oscar Wilde e por uma completa “falta do que fazer”, como disse numa entrevista, Phrazes for the young eleva a música de Casablancas, que agora não apenas flerta, mas relaciona-se com a eletrônica e o pop experimental e dançante.
O esmero em cuidar da sonoridade de cada instrumento destacado para povoar as viajantes canções revela um artista em completo desassossego, em desbunde com as possibilidades do estúdio, preocupado em entender até onde pode ou deve ir para cruzar à salvo a tênue linha que separa o cafona do extravagante, em despir-se de fórmulas prévias. E, é claro, em destoar de seu núcleo. Não à toa, o primeiro single, 11th dimension, envereda por uma dinâmica de pista de dança. Aos fãs do Strokes cabe, à primeira audição, um sobressalto. Aos poucos, porém, o álbum revela que a energia roqueira de Casablancas segue incólume. Seus gritos arranhados e angustiados se desprendem para contornar dobras melódicas sinuosas e ainda assim marcantes. Ratifica em oito complexas canções que é de sua inquietação que explode a alucinada força motriz que fez Is this it estourar as portas para o novo rock, no início dos anos 2000.
Casablancas prova por A + B e uma porção de outras inspiradas letras, em que se atira sobre o cotidiano e frustrações em tom confessional, que tem lugar garantido como um dos mais expressivos nomes da música pop contemporânea – dentro ou fora da sua banda. Phrazes for the young pode até ser taxado de megalômano, grandiloquente e exagerado, mas de jeito algum de um álbum apático tecido por um artista acovardado. Casablancas arrisca-se e mergulha num universo inexplorado sem medo do que pode vir contra si. E, se não soa tão urgente, impacta por seus arranjos e melodias hipnóticas.
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