
– Quando comecei a fazer esse disco o que eu mais senti era uma vontade de ter liberdade, não queria saber de escrever sobre um tema determinado, sobre amor ou qualquer coisa do tipo... A ideia toda era apenas me liberar totalmente. Um sentimento parecido ao que tive quando eu fiz o primeiro – revela a cantora, por telefone, ao Jornal do Brasil.
Antes de vender mais de 7 milhões de cópias e colocar na estante um Grammy de Melhor Cantora Pop pelo álbum de estreia, Macy Gray queria apenas ser compositora. E foi carregando algumas demos compostas em parceria com Joe Solo que ela se pôs à frente de um microfone para substituir uma cantora que deu cano no estúdio. Uma década depois, e após ter colaborado com os nomes mais importantes do pop mundial (Justin Timberlake, Common, Outkast, Rick Rubin, Carlos Santana, Erykah Badu, Fergie, Will.I.am, Mos Def, Natalie Cole e John Frusciante, do Red Hot Chili Peppers), tudo o que Macy Gray queria era se afastar de um batalhão de especialistas em hits a espreitar seus passos dentro do estúdio. Cansada de parcerias estelares, se fechou com músicos de confiança para gravar um álbum mais orgânico, visceral e versátil, apesar de, vez ou outra, soar como algo já experimentado pela artista.
– Nos últimos dois trabalhos eu estava sob a Interscope, envolvida numa máquina gigante, sempre ouvindo muita gente, muitas opiniões chegando de todos os lados... – reconhece Macy. – Agora tenho a certeza de que é um projeto totalmente diferente. Passei mais de um ano fazendo o disco sem qualquer pressão ou influência externas e pude escolher as pessoas que iriam trabalhar comigo.
The sellout é resultado de quase dois anos de trabalho. Ao longo de 12 novas faixas, Gray empresta sua voz rasgada, cheia de nuances e cores para trilhas dançantes guiadas por ondulantes linhas de baixo, sintetizadores e beats verticais sob medida para noites de festa, caso de Lately. Mixado pelo papa-Grammy Manny Marroquin – autor de hits para Lady Gaga, Jay Z, Rihanna, Alicia Keys, Kanye West e John Mayer – o trabalho, apesar de menos inflado por parcerias, não deixa de ser recheado por um punhado de colaboradores, caso do rapper recém-libertado da cadeia T.I., Bobby Brown e Kaz James (The Bodyrockers), além do trio Slash, Duff McKagan e Matt Sorum (ex-Guns N' Roses e Velvet Revolver).
– Conheço Slash há muitos anos e sempre conversamos sobre a possibilidade de trabalharmos juntos. Quando eu estava começando a fazer esse disco, liguei para ele e fiz o convite. Aí os outros caras também se interessaram e gravamos juntos – conta Macy, em referência à faixa Kissed it, um dos destaques do álbum.
Apesar de soar confiante e recuperada dos abismos que a fizeram “perder a essência” em meio aos apelos do showbizz, Gray não soa muito distante do pop de feições radiofônicas, por vezes artificial na composição das linhas vocais e nos backs de apoio, que manteve como linha ao longo da carreira. O que sobressai são os arranjos burilados para algumas faixas, assim como a quantidade de possíveis hits. A contagiante Lately, conduzida por energéticos grooves é seguida pela parceria assinada com os roqueiros, Kissed it, marcada por densas linhas de baixo e bateria, palmas e os solos (em baixo volume) de Slash. É o melhor momento do álbum, que é puxado por um single menos inspirado, Beauty in the world.
– Noto algumas diferenças marcantes entre os discos. Acho que a minha voz está bem diferente. E o que eu realmente busquei foi construir uma sonoridade grandiosa, que pudesse causar impacto. Acho que antes desse disco eu estava muito confusa... – observa. – Fui criada escutando soul music o tempo todo. Stevie Wonder, os discos da Motown... Depois cresci e fui impactada pelo fenômeno da MTV, o hip hop se juntando ao rock. Entrei de cabeça naquilo. Depois aprendi muito de jazz e reggae. Sempre quis ser aberta. E acho que The sellout conta a história de como encontrei minha salvação sendo apenas eu mesma.
Beauty in the world:
* Realmente um erro eleger Beauty in the world como single. Letra banal, melodia previsível e performance vocal abaixo do potencial de Gray. Parece que o clipe acompanha a pobreza. Chama atenção a total falta de ginga e tino da moça em frente à câmara. E olha que ela tem no currículo participação em alguns longas. Desenvoltura lamentável nesse vídeo.
E mais aqui: http://www.myspace.com/macygray
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